Publicado em 28/04/2026 - 18:16 / Clipado em 28/04/2026 - 18:16
ABC enfrenta falta de vacinas e chega a 3 semanas sem imunizantes
Henrique Araújo

São Caetano admite faltas pontuais em unidades com maior procura (Foto: Gabriela Gonçalves/PMSCS)
Falta de imunizantes e falhas no atendimento têm dificultado a vacinação contra gripe e covid-19 em cidades do ABC. O cenário inclui casos de até três semanas sem doses, como em Rio Grande da Serra, e vai na contramão do discurso de prefeituras, que em alguns casos negam desabastecimento.
Em São Bernardo, uma moradora presenciou a ausência da vacina contra a gripe na UBS do bairro Taboão na manhã do dia 24 de abril. Segundo o relato, a equipe de saúde demonstrou preocupação diante da falta do imunizante e da procura da população para a imunização.
“Fui até o posto tirar os pontos do dente e as enfermeiras estavam desesperadas porque a vacina tinha acabado. Isso foi de manhã, ou seja, o dia já começou sem imunizante”, afirma. Ao RD, o secretário de Saúde de São Bernardo, Jean Gorinchteyn, afirma que os postos são abastecidos conforme as remessas do Ministério da Saúde e da Secretaria de Estado da Saúde. O secretário admite, porém, redução recente no estoque de vacinas contra a covid-19 e diz que a situação deve se normalizar nos próximos dias.
Situação semelhante ocorre em Ribeirão Pires, onde um morador que preferiu não se identificar conta não ter conseguido vacinar a mãe, de 84 anos, com a dose de reforço contra a covid-19. Segundo o reclamante, a idosa havia ido anteriormente à Unidade de Saúde da Família (USF) Centro, para tomar a vacina contra a gripe e foi orientada a retornar após 15 dias para receber o imunizante contra a covid-19. No entanto, ao voltar ao posto, não havia doses disponíveis.
Além da falta da vacina, o reclamante aponta, ainda, falha na comunicação do serviço público. “Eu vim com a minha mãe para dar a vacina de reforço e não tinha. Pedi o telefone do posto para acompanhar, mas disseram que não existe telefone fixo porque está quebrado. Informaram que avisam só pelas redes sociais. Não tem cabimento um posto de saúde que fica na região central de uma Estância Turística ficar sem telefone”, reclama.
Em resposta, a Prefeitura de Ribeirão Pires afirma que não há unidades desabastecidas, mas não detalha como a população deve acessar informações atualizadas sem canais diretos de atendimento.
Demais cidades
Em Rio Grande da Serra, a administração reconhece falta recente de vacinas contra a covid-19 por cerca de três semanas. Apesar da normalização, o histórico recente reforça a percepção de instabilidade no fornecimento. Já em Diadema, o estoque da vacina contra covid-19 permanece em nível baixo, com 696 doses disponíveis, número considerado limitado diante da demanda. O município aguarda novos envios do Governo do Estado.
Em São Caetano, não há falta generalizada, mas a prefeitura admite interrupção no envio de vacinas para crianças menores de 5 anos entre fevereiro e março, além de faltas pontuais em unidades com maior procura. Já a Prefeitura de Mauá afirma que não há falta de vacinas e que todas as unidades contam com doses disponíveis. O município reconhece, no entanto, interrupção no envio de vacinas contra covid-19 para crianças menores de 5 anos nos meses de fevereiro e março. A administração também admite faltas pontuais em unidades com maior demanda, embora afirme que o reabastecimento ocorre após comunicação interna.
Santo André diz que não há falta de vacinas contra Covid-19 ou gripe e que os imunizantes estão disponíveis nas 34 unidades básicas de saúde, com distribuição regular.
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Seção: Saúde