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Publicado em 01/05/2026 - 08:06 / Clipado em 01/05/2026 - 08:06

Informalidade atinge até 26,9% dos trabalhadores e avança no ABC após pandemia


Amanda Lemos

 

Mesmo com a retomada do emprego formal, o trabalho informal segue em alta no ABC e já representa mais de um quarto da força de trabalho em algumas cidades da região, concentrado principalmente nos setores de serviços, comércio e transporte e logística. A tendência ganhou força principalmente durante a pandemia da covid-19, mas se consolidou como alternativa de renda e, em muitos casos, necessidade para milhares de trabalhadores.

Levantamento recente mostra que a informalidade entre trabalhadores por conta própria chama atenção na região. Para se ter ideia, somente em Ribeirão Pires a taxa chega a 29,6%, o maior índice da região. Na sequência aparecem São Caetano (26,41%), Santo André (23,31%) e Mauá (22,77%). Em São Bernardo, apesar de ser a maior cidade do ABC, o percentual fica em torno de 22,24%, enquanto Diadema e Rio Grande da Serra registram índices próximos, de 22%.

O avanço da informalidade ganhou força como resposta à crise sanitária, quando a perda de renda levou muitos trabalhadores a buscar alternativas imediatas. É o caso do motorista de aplicativo de Mauá, Arthur Novaes, de 32 anos, que foi desligado da empresa em que trabalhava no auge da pandemia e precisou recorrer ao trabalho informal para sustentar a família formada por ele, sua esposa Natasha e mais duas crianças.

“Eu trabalhava como supervisor de vendas, mas, com a pandemia, houve redução no quadro de funcionários e acabei sendo desligado. Precisei recorrer ao que dava pra fazer, não dava pra deixar de sustentar a família”, comenta. Em entrevista ao RD, Arthur conta que foi graças à esposa, que passou a trabalhar em home office, que conseguiu manter uma renda. “Como ela já não precisava tanto do carro, uni o útil ao agradável e comecei a dirigir por aplicativo”, conta.

Hoje, ele afirma que a atividade se tornou sua principal fonte de renda, mas que exige uma rotina intensa. “Apesar de eu não ter um chefe para estabelecer horários, preciso sempre manter foco e manter uma carga alta de trabalho. É de onde tiro meu sustento e sempre com muito esforço, entre 10 a 12 horas de volante por dia”, diz.

 

Informalidade segue enraizada

Embora o ritmo de crescimento da informalidade tenha desacelerado em relação ao período mais crítico da pandemia, o fenômeno permanece enraizado no mercado de trabalho regional. Segundo o docente da área de Gestão e Negócios do Senac Santo André, Willian Drudi de Oliveira, esse movimento passou a reunir perfis distintos. “Para uma parte dos trabalhadores, a informalidade representa essa autonomia e possibilidade de empreender. Para outros, ainda é uma necessidade diante da falta de oportunidades no mercado formal”, explica.

Essa dualidade ajuda a entender por que a informalidade não recua mesmo em um cenário de geração de empregos. Em março de 2026, o ABC registrou saldo positivo de 4.278 vagas formais, com destaque para Santo André (15.215 admissões) e São Bernardo do Campo (15.201). Ainda assim, o crescimento do emprego com carteira assinada não tem sido suficiente para absorver toda a demanda por trabalho.

Na prática, o que se observa é uma reorganização do mercado. Atividades ligadas a serviços e tecnologia, como delivery, transporte por aplicativo e vendas online, ganharam espaço e passaram a concentrar boa parte dos trabalhadores informais. O uso de ferramentas digitais, como as redes sociais, aplicativos e meios de pagamento eletrônicos se tornaram parte essencial da rotina.

No entanto, apesar da expansão, a informalidade ainda impõe limites. A falta de qualificação técnica e de conhecimento em gestão é um dos principais obstáculos para o crescimento desses trabalhadores. “Muitos têm habilidade prática, mas não dominam áreas como precificação, controle financeiro ou divulgação. Isso dificulta o desenvolvimento do negócio e mantém o trabalhador em situação de maior vulnerabilidade”, afirma Oliveira.

Esse cenário se reflete também no aumento da procura por cursos nas áreas de gestão, tecnologia, vendas, beleza, gastronomia e logística, setores que oferecem maior possibilidade de renda rápida e atuação autônoma, segundo o Senac.

Outro ponto de atenção está na segurança financeira. Sem contribuição regular ao INSS e com dificuldade de comprovar renda, trabalhadores informais enfrentam barreiras no acesso ao crédito e ficam mais expostos a instabilidades. “Muitos acabam priorizando o consumo imediato e não conseguem planejar o futuro. Isso gera um ciclo de insegurança”, alerta o especialista.

Ainda assim, cresce o interesse pela formalização como microempreendedor individual (MEI), especialmente quando o trabalhador passa a enxergar benefícios como acesso a crédito e proteção previdenciária.

A tendência, segundo Oliveira, é de melhora gradual, mas condicionada a mudanças estruturais. “Com um ambiente de negócios mais organizado e maior acesso à informação e qualificação, a informalidade tende a reduzir. Mas isso não depende apenas do governo, passa também pelo conhecimento de trabalhadores e empresas”, conclui.

 

https://www.reporterdiario.com.br/noticia/3819742/informalidade-atinge-ate-269-dos-trabalhadores-e-avanca-no-abc-apos-pandemia/

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Seção: São Caetano