Publicado em 16/04/2026 - 18:15 / Clipado em 16/04/2026 - 18:15
Casos de febre amarela em SP acendem alerta e impulsionam vacinação no ABC
Julia Pussateli
O registro dos primeiros casos de febre amarela no Estado de São Paulo em 2026 acendeu alerta sanitário no ABC. Embora as prefeituras da região ainda não tenham confirmado casos suspeitos ou positivos neste ano, a estratégia adotada é a antecipação da vacinação.
Levantamento realizado pelo RD aponta que municípios como São Caetano, São Bernardo, Diadema e Ribeirão Pires reorganizaram o atendimento nos postos de saúde para ampliar o acesso da população à imunização.
Entre as cidades consultadas, São Caetano apresenta os indicadores mais expressivos de avanço. O município passou de 1.800 doses aplicadas no início de 2025 para 2.700 em 2026. No acumulado entre janeiro e meados de abril, já são 8.830 doses, alta de 28% em relação às 6.878 registradas no mesmo período do ano passado.
Para sustentar o ritmo, a prefeitura ampliou o horário de atendimento em unidades estratégicas até as 21h e mantém o Centro de Imunização aberto aos sábados. A meta é alcançar 90% de cobertura geral e 95% entre crianças menores de um ano, público considerado mais vulnerável.
Em São Bernardo, a antecipação também apresenta resultados expressivos. Em 2026, já foram aplicadas 14.789 doses contra a febre amarela, um crescimento de 64,6% em comparação às 8.983 do mesmo período de 2025. Além da ampliação nos postos, o município intensificou ações em campo, com foco em públicos mais expostos, como guardas ambientais e trabalhadores de áreas de mata, com objetivo de atingir 100% da cobertura desse grupo.
Diadema segue a mesma linha e aposta na vacinação itinerante por meio do Vacimóvel, que circula por eventos e feiras livres, das 8h às 12h. Entre janeiro e 14 de abril de 2026, a cidade aplicou 8.830 doses — 1.952 a mais do que no mesmo período do ano passado.
Já em Ribeirão Pires, o principal desafio é logístico. Como a vacina tem validade reduzida após a abertura do frasco, a aplicação ocorre em dias específicos, organizados pelas unidades de saúde. No momento, não há campanha ativa em abril. Cercada por áreas de mata e proteção ambiental, a cidade reforça a comunicação com a população para evitar que as características geográficas ampliem o risco de contágio.
Atenção redobrada
Para a infectologista Marília Jukemura Miyagusko, do Hospital Nipo-Brasileiro, a gravidade da febre amarela exige atenção redobrada. “Estamos falando de uma doença que pode evoluir rapidamente para quadros hemorrágicos e comprometimento de órgãos vitais. Como não há transmissão direta entre humanos, a vacina é o principal instrumento de proteção”, afirma.
A especialista ressalta que, além de manter a caderneta em dia, é importante adotar medidas complementares, como o uso de repelentes e a eliminação de criadouros de mosquitos, sobretudo em áreas próximas a parques e matas. “A alta cobertura vacinal é essencial para interromper o ciclo de transmissão antes que o vírus alcance os centros urbanos”, completa.
Quem pode se vacinar?
A vacinação contra a febre amarela é recomendada para pessoas a partir dos 9 meses de idade e é considerada a principal forma de prevenção contra a doença. Atualmente, uma única dose ao longo da vida já garante proteção na maioria dos casos. A orientação também vale para adultos que nunca se imunizaram ou que não possuem comprovação vacinal, especialmente em regiões com risco de circulação do vírus.
Alguns grupos, no entanto, devem buscar avaliação médica antes de se vacinar, como idosos acima de 60 anos que nunca receberam a dose, gestantes, mulheres em fase de amamentação e pessoas com baixa imunidade. Bebês com menos de 6 meses, indivíduos com imunossupressão grave ou histórico de reação alérgica à vacina não devem receber a imunização.
Especialistas reforçam que, além da vacina, o uso de repelentes e a eliminação de criadouros de mosquitos são medidas importantes de prevenção.
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Seção: Saúde