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Publicado em 05/11/2025 - 18:20 / Clipado em 05/11/2025 - 18:20

Crimes estão mais violentos apesar de roubos e furtos em queda


George Garcia 

 

A estatística criminal oficial da Secretaria de Segurança Pública do Estado aponta que o ABC se destaca positivamente nos índices de roubo e furto, com queda em ambas as modalidades de crimes patrimoniais, porém a percepção é a de que os crimes estão mais violentos. Um episódio de roubo ocorrido nesta terça-feira (4/11), em Mauá, reforça o fato de que não só os crimes estão mais violentos com uso quase sempre de armas de fogo, como também fazem a população perder a confiança. Neste crime um policial civil foi preso, acusado de roubo.

O crime de Mauá aconteceu no Jardim Itapeva, à noite. Dois homens chegaram a uma residência se fazendo passar por entregadores e invadiram o local armados. O policial civil ficou do lado de fora, mas teria sido ele quem levou da residência as câmeras de segurança. A Polícia Militar foi acionada e a equipe, ao chegar se deparou com os criminosos em fuga em um Nissan March branco, que era dirigido pelo policial. Os três foram detidos.

Por envolver o servidor público, o crime foi registrado pela Corregedoria da Polícia Civil. Os objetos levados da casa, além das câmeras, não foram divulgados. Em nota, a SSP destacou que o policial será punido rigorosamente. “Vale ressaltar que desvios de conduta não são tolerados, a Polícia Civil apura e pune com rigor todos aqueles que infringem a lei”.

Um exemplo de que os crimes estão mais violentos são os latrocínios, quando o criminoso mata a vítima para roubar; no comparativo de janeiro a setembro de 2024 e 2025, houve um aumento de quatro para sete casos na região.

Os números da SSP apontam que apontam que, com quase 800 casos a menos, o roubo de veículo caiu 27,7%. Já os roubos de cargas tiveram queda de 31,4% no comparativo dos nove meses de 2024 com o mesmo período deste ano. Os demais tipos de roubo, caíram 14,9% com o registro de 1.741 casos a menos.

Quanto aos furtos a variação foi menor. Houve uma ligeira alta de 0,84% nos furtos em geral e queda de 1,31% nos furtos de veículos. Os menores estão participando de mais crimes e também foram os que mais caíram na malha da lei.

A estatística de produtividade policial mostra que a apreensão de menores de idade por mandado policial cresceu 112,5% este ano. As apreensões de menores em flagrante subiram 0,5%. Já entre os maiores de 18 anos presos em flagrante a alta foi de 3,8%.

Analisando individualmente o município de Mauá, onde o crime desta semana envolvendo o policial civil aconteceu, a estatística também aponta que os números estão em queda em praticamente todos os indicadores, e mais expressivos quando se tratam de roubos e furtos. O furto de veículo caiu 4,10%, o de veículo 11,36%. Os roubos caíram 24% e os roubos de veículos 43,56%.

Percepção

Mesmo com indicadores revelando a queda nos crimes, isso não afasta a percepção de insegurança principalmente pelos episódios violentos. Foi em Mauá que foi registrado um dos latrocínios ocorridos este ano e que vitimou o professor de capoeira, Eduardo de Souza, de 42 anos, que foi baleado na Avenida dos Estados e teve a moto roubada. Ele foi encontrado baleado na via e o socorro foi acionado, mas a vítima não resistiu aos ferimentos. O crime aconteceu em 2 de março deste ano e foi registrado como latrocínio no 1° Distrito Policial. A moto foi localizada no mesmo dia em Santo André. Eduardo era conhecido como mestre Toli e dava aulas no colégio Dante Alighieri, em São Paulo.

O professor de Direito Penal e coordenador do Observatório de Segurança Pública da USCS (Universidade Municipal de São Caetano do Sul), David Pimentel Barbosa de Siena, observa que os crimes contra o patrimônio vem caindo sucessivamente e essa é uma tendência estatística no Estado.

“A gente enxerga duas hipóteses, a primeira é o investimento em tecnologias como o Muralha Paulista, cercas eletrônicas de monitoramento, os centros integrados de monitoramento, tudo isso tem contribuído. Fora isso tem o incremento dos crimes virtuais. A gente tem percebido que os crimes têm saído das ruas e passaram a serem praticados no ambiente on-line”, analisa.

Apesar da redução, o especialista em segurança pública avalia que, apesar de menos numerosos, os crimes contra o patrimônio se tornaram mais violentos. Para ele o aumento dos latrocínios, é um reflexo disso, mas também o aparato tecnológico usado a favor da segurança pública, aumentou os riscos das ações à mão armada e consequentemente os criminosos passaram a agir com maior violência para obterem os bens das vítimas.

“A gente vê o aumento da letalidade, em que pese se tenha poucos casos para fazer uma comparação estatística com um universo amostral tão pequeno, houve sim um aumento da letalidade, com os latrocínios. Uma possível interpretação criminológica, é que podemos estar diante de um deslocamento qualitativo do crime, isso ocorre no ambiente urbano onde as políticas públicas reduzem as oportunidades para os crimes patrimoniais simples e aí os criminosos recorrem a meios mais agressivos, com emprego de armas, que resultam em confrontos até envolvendo mortes. É uma criminalidade residual violenta que se dá com a queda de crimes de oportunidade, o perfil médio dos agressores tende a ser mais impulsivo, em via de regra são bandidos reincidentes envolvidos com uma criminalidade mais organizada. Em outras palavras as estatísticas estão apontando uma redução quantitativa de crimes, mas não necessariamente qualitativa que traria uma pacificação social”, diz David Pimentel Barbosa de Siena.

Para o professor da USCS, o estado precisa se debruçar sobre essa maior gravidade que compromete a sensação de segurança da comunidade. “A gente precisa ajustar e pensar numa segurança pública que evolua do controle de volume e de dano para a redução da letalidade e proteção das vítimas; uma resposta mais qualificada”, completa o professor.

 

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Seção: Cidades