Publicado em 01/11/2025 - 07:55 / Clipado em 01/11/2025 - 07:55
Mais de 40% das consultas na Atenção Especializada do ABC são perdidas por faltas
POR REDAÇÃO
O absenteísmo nas unidades de saúde do ABC continua alto e compromete diretamente o atendimento da população. Dados das prefeituras mostram que, em 2025, mais de 40% das consultas agendadas na Atenção Especializada – que inclui policlínicas, CAPS, centros de reabilitação e especialidades médicas – foram perdidas devido à ausência dos pacientes.
Em São Bernardo, a taxa de faltas chegou a 43% na Atenção Especializada até outubro, com destaque para ortopedia (47%), nutrição (40%) e gastroenterologia infantil (38%). Na Atenção Básica, o absenteísmo médio foi de 28,9%, o que impactou ainda mais o acesso da população às consultas de rotina. Segundo a prefeitura, as vagas não aproveitadas aumentam o tempo de espera e geram desperdício de recursos públicos.
Em Diadema, o índice de faltas cresceu nos últimos anos: 13% em 2023, 16% em 2024 e 17% em 2025, o que somou quase 59 mil consultas perdidas neste ano. A cidade utiliza mensagens de WhatsApp e chamadas telefônicas para confirmar agendamentos e tenta preencher as vagas com pacientes de demanda espontânea, mas nem sempre é possível aproveitar todas as consultas.
Outras cidades também registram números preocupantes. Ribeirão Pires apresentou 13,52% de absenteísmo em 2025, com especialidades como psicologia, nutrição e ginecologia sendo mais afetadas. São Caetano identifica maior incidência de faltas em pediatria e ginecologia, enquanto Rio Grande da Serra aponta índices de 28% a 35% nas consultas especializadas.
Impacto do absenteísmo
Ana Clara Gouveia, de 37 anos, mãe de Gabriel, de 6 anos, que sofre com alergias crônicas, já enfrentou atrasos de semanas para conseguir consulta com pediatra em Mauá. “Uma vez, meu filho estava com sintomas fortes, mas para conseguir vaga ia demorar, de acordo com a agenda da médico. Em uma das crises, levei ele direto ao especialista e esperei uma desistência. Por sorte, um paciente faltou e meu filho conseguiu ser atendido”, conta Ana Clara.
Apesar da oportunidade, a mãe confessa a frustação: “É ruim saber que meu filho só conseguiu atendimento imediato porque alguém faltou. Se houvesse um sistema mais eficiente para confirmar consultas ou se os pacientes avisassem com antecedência quando não podem comparecer, muita gente poder ter atendimento mais rápido, sem esperar tanto”, relata.
Absenteísmo impacta exames médicos também
O absenteísmo na região não atinge apenas consultas médicas: exames e procedimentos também são prejudicados. Estima-se que cerca de 45 mil atendimentos deixam de ser realizados por mês devido à ausência dos pacientes, com taxas próximas de 30% nos serviços gerais e chegando a 40% na Atenção Especializada.
Em São Caetano, só em 2023, a prefeitura calculou que R$ 267.600,00 foram gastos com consultas e procedimentos não aproveitados, sem contar os custos indiretos com equipe, estrutura física e tecnologia. Na cidade, o absenteísmo varia entre 17% e 20% em primeiras consultas e de 10% a 15% em retornos, com cardiologia infantil e coloproctologia entre as especialidades mais afetadas.
Em Diadema, o problema também é significativo: no último quadrimestre de 2023, 14 mil consultas deixaram de ser realizadas, representando 27,8% dos agendamentos. Nos serviços especializados via CROSS (Central de Regulação de Oferta e Serviços de Saúde), as faltas chegaram a 30,4% dos 42.189 agendamentos. Nas UBSs, o absenteísmo atingiu 33,8% nas consultas de enfermagem, 30% nos procedimentos odontológicos e 24% nas consultas médicas.
Outras cidades da região, como Mauá, Santo André e Rio Grande da Serra, também registram índices preocupantes, com taxas entre 25% e 35%, e especialidades como ginecologia, cardiologia, fonoaudiologia, gastroenterologia e neurologia entre as mais impactadas.
Estratégias para reduzir o problema
Para enfrentar o problema, as prefeituras do ABC adotam diferentes medidas. Entre elas estão envio de mensagens e ligações para confirmar agendamentos, redução do tempo de espera, campanhas de conscientização sobre a importância do comparecimento e ajustes das agendas com base em faltas anteriores. Em algumas cidades, pacientes que não comparecem sem aviso precisam reiniciar o processo de agendamento, reforçando a necessidade de planejamento e sensibilização.
Além das medidas em andamento, algumas cidades têm planos futuros para melhorar a situação. São Bernardo estuda o desenvolvimento de um aplicativo com mensageria automatizada para confirmação de consultas via WhatsApp. Já Diadema planeja implantar o “Faltômetro” nas UBSs e discutir o tema com os Conselhos Gestores.
Ribeirão Pires pretende ampliar os programas “Central de Vagas Parceira” e “Absenteísmo 0 Saúde 100%” e implantar o “Central de Vagas Presente”, com palestras de conscientização em escolas municipais. Enquanto isso, São Caetano aposta na intensificação da orientação aos pacientes e melhorias no sistema de notificação.
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Seção: Cidades