Publicado em 14/09/2025 - 08:09 / Clipado em 14/09/2025 - 08:09
Inadimplência cresce 11,72% no ABC e projeta endividamento maior no Dia do Cliente
George Garcia
Nesta segunda-feira (15/9) é comemorado o Dia do Cliente, muito parecido com o Dia do Consumidor, comemorado em março, e o comércio deve trazer uma série de promoções para marcar a data. O grande número de promoções pode levar o consumidor a cair em golpes e mais superendividamento. Dados da CDL (Câmara de Dirigentes Lojistas) de São Caetano mostram que o número de inadimplentes no ABC cresceu 11,72% em agosto deste ano se comparado com o mesmo mês de 2024. O volume de contas em atraso subiu 20,28% no mesmo período.
A pesquisa da CDL mostra que a inadimplência cresceu mais no ABC do que na região Sudeste e que a média brasileira. O dado ficou acima da média da região Sudeste (8,63%) e acima da média nacional (9,20%). Na passagem de julho para agosto o número de devedores do ABC cresceu 0,29% enquanto no Sudeste a variação foi de 0,68%.
Em agosto de 2025, cada morador do ABC negativado devia, em média, R$ 5.561,27 na soma de todas as dívidas. Os dados ainda mostram que 27,23% dos consumidores da região tinham dívidas de valor de até R$ 500, percentual que chega a 39,26% quando se fala de dívidas de até R$ 1.000. O tempo médio de atraso dos devedores do ABC é igual a 27,8 meses, sendo que 36,10% dos devedores possuem tempo de inadimplência de 1 a 3 anos.
Para o presidente da CDL de São Caetano, Alexandre Damasio Coelho, o consumo está em alta e as famílias estão sofrendo muito com o pagamento de juros, que estão altos. “O aumento na inadimplência no ABC coincide com um período de alta na Selic, a taxa de juros básica, que afeta diretamente o custo do crédito. Quando a Selic está em um patamar alto, os empréstimos e financiamentos ficam mais caros e isso pode levar famílias e empresas a contraírem dívidas com juros mais elevados, dificultando o pagamento das prestações e aumentando o risco de inadimplência. Ainda temos o aumento do volume de crédito concedido às famílias, com crescimento de 11,4%. Esse aumento na oferta de crédito, combinado com juros altos, pode ser um fator de risco”, diz.
Sobre o Dia do Cliente, Coelho analisa que a data pode aumentar o endividamento por causa do estímulo ao consumo. Para ele apesar do endividamento, a situação não deve diminuir a busca por ofertas. “O consumo está viciado no uso do cartão de crédito que é uma modalidade de cresce no Brasil. Compras com ticket baixo tendem a se manter. O impacto está nos altos tickets”, aponta.
Procon
Para a diretora do Procon de Santo André, Aline Romanholli, o comércio, sobretudo eletrônico, deve usar o Dia do Cliente para apresentar ofertas e aumentar vendas. “Vão tentar impressionar o consumidor, mas é preciso ficar atento para não pagar a metade do dobro. Se um produto custava R$ 1 mil e subiu para R$ 1,5 mil para depois entrar em promoção pelos mesmos R$ 1 mil é uma oferta falsa. O consumidor tem que verificar se aquele preço é mesmo uma promoção, tem que verificar o histórico e pesquisar”, orienta.
Aline diz também que datas de promoções como esta são pratos cheios para golpistas agirem nas vendas on-line e o consumidor deve estar alerta para não cair em golpes. “Se um produto custa na média de R$ 500 em todo lugar e você encontrar uma oferta por R$ 100 é bem possível que seja uma fraude. Tem que olhar se é um site seguro, se a compra for pelo Instagram verificar se tem o selo azul de verificação. Quanto aos meios de pagamento prefira o cartão de crédito ou de débito, que dá para estornar depois. Boletos e PIX são os mais fraudados, se pagar no PIX verifique se está pagando para um CNPJ e não para um CPF”, afirma.
A diretora do Procon andreense diz ainda que o consumidor deve estar atento também às compras internacionais, o que é muito comum em sites como Shoppe, Shein e Temu. “Na hora de fechar a compra tem que aparecer o valor das taxas, e o consumidor tem que ter a clareza do valor total que vai pagar”. Outra dica do Procon é quanto ao prazo de troca. Se a compra for online o consumidor pode exercer o direito de arrependimento em sete dias.
Aline Romanholli também se preocupa com o nível de endividamento crescente e ambos apontam a falta de educação financeira e de planejamento do orçamento familiar. “Desde sempre a gente defende a necessidade de aulas de educação financeira no ensino. As famílias que já estão endividadas precisam evitar gasto não planejados ou não essenciais e usar rendas extras, como o 13° salário, algum prêmio por vendas, ou ainda algum adicional de pagamento para saldar as dívidas, começando por aquelas de maior valor. Pagar o valor mínimo da fatura do cartão de crédito é outro mal que só faz rolar uma dívida com juro alto, também não se deve usar o limite do cheque especial. Tentar negociar a dívida, fazer a portabilidade para outros bancos com juros menores é uma opção também”, completa.
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