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Publicado em 14/09/2025 - 08:05 / Clipado em 14/09/2025 - 08:05

Diadema enfrenta filas de até 21 meses para consulta com cardiologista


Henrique Araújo 

 

A espera para consultas ambulatoriais de cardiologia chega a 21 meses em Diadema, apesar da queda de 60% nas internações por complicações cardiovasculares de 1.224 casos em 2024 para 494 este ano. Essa discrepância entre a redução de casos e o aumento da fila de espera preocupa cardiologista, porque pacientes com hipertensão, suspeita de infarto ou AVC ficam sem acompanhamento adequado.

Enquanto isso, algumas cidades do ABC registram crescimento de 23% nas internações por doenças cardiovasculares, de 9.898 em 2024 para 12.176 em 2025, impulsionado principalmente pelo aumento de atendimentos em São Bernardo.

O cirurgião cardiovascular Eduardo Chamlian, docente do curso de Medicina da USCS (Universidade de São Caetano do Sul), aponta que o aumento de casos na região pode estar relacionado a fatores de risco presentes na população “Alimentos com alto índice glicêmico, consumo de refrigerantes e sucos adoçados, alto consumo de carne vermelha e gorduras trans, além de baixo consumo de frutas, vegetais e fibras, estão associados a maior risco de infarto e doença coronária”, explica o médico.

Panorama no ABC

Diadema teve queda de 60% nas internações, mas emergências recebem atendimento imediato, com a prevalência do público feminino entre 70 e 79 anos, o que reflete no aumento de risco pós-menopausa destacado por Chamlian. Para consultas de média e alta complexidade, a cidade depende de encaminhamento à rede estadual, o que contribui para a longa espera ambulatorial, de até 21 meses, enquanto casos prioritários aguardam cerca de um mês.

São Bernardo registra aumento de 82% nas internações, que saltaram de 4.981 para 9.061 casos. O atendimento de urgência é rápido, com média de 16 minutos para internação no Hospital de Urgência e espera de 5 a 24 horas para transferências nas UPAs e PAs. São Bernardo mantém parcerias com hospitais de referência, como o Instituto Dante Pazzanese e o Hospital do Coração, e recebeu a certificação internacional “Cidade Angel” por boas práticas na prevenção e tratamento do AVC.

Em Santo André, o número de casos caiu de 2.228 para 1.605 , uma queda de 28%, registrada, majoritariamente, em homens entre 65 e 74 anos. Emergências recebem atendimento imediato, e campanhas de prevenção ocorrem por meio de cartazes e grupos multidisciplinares nas unidades básicas de saúde.

São Caetano registra queda de 31% nas internações (1.465 para 1.016 casos) e 50% nos atendimentos ambulatoriais (48.317 para 24.025). Para casos agudos, como infarto ou AVC, o atendimento é imediato. A cidade mantém integração à rede estadual para procedimentos de alta complexidade.

As prefeituras de Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra não responderam ao RD até o fechamento da reportagem.

Fatores de risco e prevenção

O cirurgião cardiovascular Eduardo Chamlian reforça que gênero e idade são determinantes “Homens têm risco maior de doença coronária, enquanto mulheres após a menopausa podem ter até três vezes mais chances de infarto do que antes”, diz Chamlian ao destacar, também, que o risco de doença coronária aumenta com a idade, passa de 2% entre 40 e 50 anos para 22% aos 80 anos.

Hábitos saudáveis reduzem significativamente o risco. “Não fumar, praticar atividade física, manter pressão arterial, glicemia e colesterol normais, ter peso adequado, dieta saudável e sono de qualidade são essenciais para prevenir doenças cardiovasculares”, diz.

O médico ressalta que o acesso rápido a atendimento especializado é fundamental. “Mesmo com prevenção, atrasos no atendimento, especialmente em cidades com filas longas, podem aumentar mortalidade e complicações graves”, completa.

 

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Seção: Cidades