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Publicado em 28/08/2025 - 18:28 / Clipado em 28/08/2025 - 18:28

ABC aguarda sua 1ª DDM 24 horas e Tarcísio admite que é preciso ampliar atendimento


George Garcia 

 

Em evento realizado no Palácio dos Bandeirantes, sede do Poder Executivo do Estado, o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) admitiu a necessidade de ampliar o atendimento feito pelas Delegacias de Defesa da Mulher. Na solenidade em que se comemorou os 40 anos da instalação da primeira delegacia da mulher do Estado e do país, além de homenagear delegadas e delegados, Tarcísio também anunciou a criação da Divisão de Apoio às Delegacias da Mulher e a participação das DDMs no Conselho da Polícia Civil. Apesar do aparelhamento e do clima de festa, na opinião da advogada e integrante da Frente Regional de Enfrentamento à Violência Contra a Mulher, Maria Luiza Monteiro Canale, a estrutura do Estado no amparo à mulher vítima de violência se estagnou. Segundo ela não é aceitável que numa região com 2,7 milhões de habitantes ainda não haja uma DDM funcionando 24 horas por dia.

“Essa é uma história de sucesso em que se tem que cumprimentar as mulheres que fizeram parte desta história”, iniciou o governador para logo em seguida falar dos números crescentes da violência contra a mulher. “A gente se pergunta; porque os números estão subindo? Tem gente que fala de subnotificação, mas a gente vê que hoje as pessoas não estão preparadas para lidarem com as frustrações e aí vem o desconto na mulher e a quem ela pode recorrer? Aí surge essa estrutura, que precisa ser amplificada. Hoje a gente pode comemorar as 142 DDMs, as 170 salas DDMs nos plantões policiais, pelo menos temos uma estrutura onde a mulher pode conversar com uma delegada”, disse Tarcísio.

Sobre a Divisão de Apoio às DDMs, o governador disse que ela vai servir para padronizar os procedimentos em todas essas delegacias especializadas e ainda trabalhar em cima dos indicadores criminais. Ao falar de números Tarcísio de Freitas falou das 8 mil prisões no Estado de agressores, dos 71 mil inquéritos, de 68 mil pedidos de medidas protetivas e 13 mil descumprimentos destas medidas, tudo isso apenas no primeiro semestre em todo o Estado. “O governo tem feito um esforço para recuperar o efetivo, só as DDMs tiveram 400 novos policiais no Estado”, destacou.

Para Maria Luiza Canale, esses esforços ainda não chegaram efetivamente no ABC. “Falta estrutura, faltam funcionários, as equipes são super reduzidas e não tem funcionamento 24 horas, também não tem equipe de flagrantes, por isso num caso em que o agressor é preso em flagrante a ocorrência vai para uma delegacia comum. Em Santo André, por exemplo, vai para o 2° ou para o 6° Distrito Policial. Por parte do Estado não tivemos nada novo na região nos últimos anos”, analisa.

Para a integrante da Frente Regional, as Salas DDM instaladas em distritos policiais, apesar de garantirem um atendimento da vítima por uma delegada, via videoconferência, não resolve o problema. “O atendimento 24 horas seria primordial. As Salas DDM não resolvem o problema e até re-vitimizam a mulher porque falta toda a infraestrutura para o acolhimento que uma DDM oferece, se perde a pessoalidade no atendimento. As equipes das delegacias comuns precisam ser preparadas para atender a mulher vítima”.

Segundo a advogada o que se tem feito na região é fruto do esforço da cobrança da sociedade civil e do empenho dos municípios em aparelhar melhor, com prédios em melhores condições essas Delegacias de Defesa da Mulher. Ela cita como exemplo a transferência da DDM de Santo André, da Vila Guiomar, onde funcionava em uma casa adaptada para o uso como delegacia, para um prédio de dois pavimentos na rua Laura, no Centro da cidade. Isso ocorreu em 2019 e já naquela época se pleiteava um plantão 24 horas, já que o prédio tinha uma melhor condição, o que não ocorreu. Se esperava que a nova DDM de São Caetano já tivesse o funcionamento ininterrupto o que também não aconteceu. Em Diadema a prefeitura locou um prédio para transferir a DDM, que também está em uma casa com instalações acanhadas. Novamente a região se alimenta da possibilidade de ter uma delegacia da mulher que funcione também de madrugada e aos fins de semana. O prédio está em reforma e deve ser inaugurado até o fim do ano.

“Entendo que ampliou muito pouco, por isso não há muito que comemorar porque na região o atendimento se estagnou. Falta pessoal e o governo vem fazendo um desmonte do aparelhamento na área de prevenção e atendimento à mulher vítima de violência”, completa.

 

https://www.reporterdiario.com.br/noticia/3692766/abc-aguarda-sua-1a-ddm-24-horas-e-tarcisio-admite-que-e-preciso-ampliar-atendimento/

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Seção: Cidades