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Site Valor Econômico - São Paulo/SP

Publicado em 07/04/2026 - 10:12 / Clipado em 07/04/2026 - 10:12

Diagnóstico mais rápido e preciso em aparelhos que já estão no Brasil


Equipamentos de ressonância magnética desenvolvidos pela United Imaging usam IA para aumentar a precisão

 

Por Marli Olmos — De Xangai

 

Imagine fazer um exame de ressonância magnética num equipamento dez vezes mais rápido e mais silencioso do que os tradicionais. E, ainda, com uma luz interna em tom relaxante. Fundada há 15 anos, a United Imaging, uma empresa de equipamentos de diagnóstico por imagem chinesa decidiu buscar diferenciais como esses para vencer concorrentes americanos e europeus que há anos dominam esse mercado. O próximo passo é conquistar a América Latina. A empresa já fechou contrato com o Albert Einstein e negocia com o Sírio-Libanês, dois dos mais renomados hospitais do Brasil.

O tamanho e a oponência da sede da empresa, em Xangai, impressionam. Em frente da instalação que já tem 120 mil m2 estão sendo erguidos edifícios que, quando concluídos, levarão a área total a 500 mil m2. Na China, empresa tem, ainda, unidades em Changzhou, Wuhan, Pequim e Shenzhen.

Mas o salto rumo à internacionalização em alto nível se deu em 2013, com a criação de um centro de pesquisa e desenvolvimento em Houston, nos Estados Unidos. Cinco anos depois, começaram as vendas no mercado americano e em 2020, a produção naquele país.

Ex-funcionário da Siemens, Xue Min, fundador da United Imaging, sabia, pela própria experiência profissional, que para ganhar relevância nesse mercado não bastava ficar só na Ásia. Era preciso estar em centros de referência internacionais, como Houston, conhecido pelos avanços na oncologia, uma das especialidades para as quais os equipamentos da empresa chinesa são desenvolvidos. A empresa também atua no mercado europeu.

Segundo Horace Liu, o responsável pelos negócios na América Latina, os produtos da United Imaging não são, ainda, mais baratos do que os de concorrentes como Siemens ou GE. Ele garante, no entanto, que a empresa trabalha para oferecer qualidade superior para, quando elevar a escala, conseguir oferecer também preço menor. “Outras empresas chinesas tentaram, mas tiveram que desistir no caminho”, diz o executivo. Segundo ele, os equipamentos desenvolvidos e produzidos pela empresa estão em mais de mil hospitais de ponta.

No showroom da United Imaging, um enorme espaço com piso e paredes de cor branca impecavelmente limpos, Liu circula para mostrar os detalhes de várias inovações. Mas é ao 5.0T que ele dedica mais tempo.

Trata-se de um aparelho de ressonância magnética com 2 metros comprimento e diâmetro de 65 cm que permite obter imagens de todo o corpo simultaneamente. Segundo Liu, o recurso facilita o diagnóstico de doenças malignas. Esse equipamento, que em 30 minutos obtém imagens de todo o corpo, custa US$ 15 milhões.

O avanço na precisão de imagens é possível, diz Liu, graças ao uso da inteligência artificial. São mais de 100 aplicações de IA, que permitem, por exemplo, uma mamografia por meio de comando de voz ou o ajuste automático de aparelhos.

O desenvolvimento de ferramentas que garantam informações cada vez mais precisas ajudam um médico a perceber, com mais segurança, se, por exemplo, um tratamento pode ser suficiente ou até mais eficaz do que uma cirurgia, solução que inicialmente poderia parecer a única saída. Além disso, a captação em 30 segundos de imagens que tradicionalmente exigem 30 minutos, segundo o executivo, facilita exames em crianças e idosos.

Outra inovação, diz Liu, são aparelhos que podem funcionar com menor quantidade de líquido de contraste, usado para destacar órgão e tecidos em exames de imagem. “Com essa solução, gestantes podem se submeter a exames que não poderiam fazer em equipamentos tradicionais”, conta Liu.

Com o início das vendas no Brasil, a direção da empresa começa a planejar também a produção de equipamentos no país. Mas essa é uma decisão a ser tomada, provavelmente, ao longo do ano, diz Liu.

A United Imaging é uma empresa de capital aberto, listada na bolsa de Xangai. O relatório financeiro da companhia indica receita aproximada de US$ 1,9 bilhão no ano fiscal de 2025, o que representou um crescimento de 34,18% em relação a 2024.

A busca pela inovação se revela no quadro efetivo da companhia chinesa. Dos 12 mil funcionários, 46% trabalham na área de pesquisa e desenvolvimento. Da equipe especializada na pesquisa, 90% trabalham na China.

 

https://valor.globo.com/brasil/summit-valor-brazil-china-2026/noticia/2026/04/07/diagnostico-mais-rapido-e-preciso-em-aparelhos-que-ja-estao-no-brasil.ghtml

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