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Publicado em 16/03/2026 - 10:32 / Clipado em 17/03/2026 - 10:32

Tecnologia reinventa o mapa da saúde no Brasil


Livro com mais de 70 autores analisa como a digitalização da medicina amplia atendimento em regiões distantes e reduz custos

 

Redação O Antagonista

 

A medicina brasileira atravessa uma reorganização estrutural impulsionada pela tecnologia. O diagnóstico está no livro Saúde 4.0, que reúne mais de 70 pesquisadores, gestores e profissionais da área num esforço coletivo de análise sobre os efeitos da transformação digital na assistência à saúde — no Brasil e no mundo.

Giovanni Guido Cerri, professor da Faculdade de Medicina da USP e presidente do InovaHC, Núcleo de Inovação Tecnológica do Hospital das Clínicas, é uma das vozes do projeto. Para ele, a “um dos legados positivos da grande tragédia que foi a pandemia de covid foi justamente a transformação digital”.

A pressão gerada pela necessidade de comunicação entre profissionais e pacientes durante a crise sanitária resultou na regulamentação da telemedicina no país. Cerri, porém, faz questão de ampliar o escopo da discussão: a teleconsulta é apenas uma das faces de uma mudança muito mais abrangente.

 

Inclusão como pauta

O Brasil, com sua extensão territorial e as disparidades entre regiões, é apontado no livro como um dos países com mais a ganhar com a digitalização da saúde. Populações em áreas remotas, historicamente sem acesso a especialistas, passam a contar com atendimento por meio de plataformas digitais.

“A transformação digital reduz a desigualdade, melhora o acesso e pode impactar também numa redução de custos”, diz Cerri. O argumento combina inclusão social com racionalização de recursos — dois problemas de longa data no sistema de saúde do país.

Um dos programas em desenvolvimento, fruto da parceria entre o InovaHC e a Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo, prevê atendimento à população carcerária. O exemplo ilustra a proposta de alcançar grupos que o sistema convencional não consegue cobrir.

 

Dados, paciente e proteção

A inteligência artificial aparece no livro como ferramenta de apoio à eficiência do sistema. O volume de dados gerados pela saúde digital abre caminho para a formulação de políticas públicas mais precisas e para o monitoramento remoto de pacientes.

Cerri define o modelo como centrado no indivíduo: “A saúde 4.0 avalia esses dados, ajuda a criar políticas públicas e coloca o paciente como o centro de atenção em saúde”. O monitoramento à distância é citado como um dos instrumentos que concretizam essa lógica.

A proteção dos dados pessoais dos pacientes é tratada no livro como condição para que o modelo funcione. Cerri a descreve como “um pilar fundamental de toda a saúde digital, de toda essa transformação”.

A adoção das novas ferramentas, reconhece o professor, depende de mudança de cultura — tanto entre os profissionais de saúde quanto entre os próprios pacientes. A capacitação é apontada como etapa obrigatória do processo, que avança de forma gradual. O projeto desenvolvido com o governo estadual paulista inclui, segundo ele, pesquisa, desenvolvimento e inovação como eixos simultâneos.

 

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