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Publicado em 19/01/2026 - 09:52 / Clipado em 20/01/2026 - 09:52

Exame de sangue pode antecipar se tratamento contra câncer de mama vai funcionar


Biópsia líquida desenvolvida no Institute of Cancer Research identifica DNA tumoral circulante antes e logo após o início da terapia, permitindo decisões mais rápidas, personalizadas e potencialmente mais eficazes

 

Por Renata Turbiani

 

Em vez de esperar meses para saber se um tratamento contra o câncer de mama está funcionando, médicos podem em breve contar com uma resposta antes mesmo do início da aplicação da medicação. Isso porque cientistas do Instituto de Pesquisa do Câncer de Londres (ICR), do Reino Unido, desenvolveram um simples exame de sangue com DNA capaz de detectar essa eficácia.

A novidade, conforme relatado pelo The Guardian, é uma biópsia líquida que analisa o DNA tumoral circulante (ctDNA), que é liberado na corrente sanguínea dos pacientes pelas células cancerígenas.

Pesquisadores mediram os níveis microscópicos de DNA cancerígeno em amostras de sangue de 167 pessoas. Fizeram isso antes do início do tratamento e novamente quatro semanas depois, após um único ciclo.

“Nosso estudo mostra que um simples exame de sangue que mede o DNA tumoral circulante pode fornecer uma previsão precoce sobre se o câncer de mama de uma paciente responderá ao tratamento”, disse Iseult Browne, pesquisadora clínica do ICR e primeira autora, ao The Guardian.

Ela continuou: “Saber disso logo no início – neste caso, no começo do tratamento, ou após apenas quatro semanas – significa que podemos evitar administrar aos pacientes medicamentos que não funcionarão e oferecer-lhes alternativas antes que o câncer tenha a chance de crescer”.

Ainda segundo Browne, a partir desse teste, os pacientes podem receber uma terapia direcionada alternativa, uma combinação de medicamentos ou até mesmo serem inscritos em um ensaio clínico para testar um novo medicamento.

“Ensaios clínicos estão em andamento para verificar se a adaptação do tratamento de um paciente com base nesses exames de sangue iniciais realmente melhora o prognóstico, dando-lhes mais tempo para viver bem com o câncer sob controle”, complementou.

 

Como foram os testes

Para este trabalho, as pessoas participantes foram divididas em dois grupos com base no tipo de câncer de mama e nas mutações que apresentavam. O primeiro grupo incluiu mulheres cujos cânceres tinham mutação nos genes ESR1, HER2, AKT1, AKT ou PTEN e que receberam tratamentos direcionados específicos para essas mutações.

O segundo era composto por quem tinha câncer de mama triplo negativo, uma forma agressiva da doença que representa 10-15% dos casos em todo o mundo e não possui mutação passível de tratamento direcionado. Os pacientes receberam uma combinação do inibidor de PARP olarparib e do inibidor de ATR ceralasertib.

Os pesquisadores informaram que, para as pessoas do segundo grupo, baixos níveis de ctDNA antes do início do tratamento foram associados a uma sobrevida livre de progressão mais longa – 10,2 meses, em comparação com 4,4 meses. A porcentagem de pacientes que responderam ao tratamento – apresentando redução ou desaparecimento dos tumores – foi de 40% para aqueles com baixos níveis de ctDNA, em comparação com 9,7% para aqueles com níveis mais altos.

Uma associação semelhante, embora mais fraca, foi observada entre os níveis de ctDNA pré-tratamento e os resultados clínicos no primeiro grupo.

O The Guardian destaca que, após apenas quatro semanas de tratamento, os pacientes do primeiro grupo com ctDNA indetectável apresentaram resultados particularmente bons. O câncer deles permaneceu sob controle por 10,6 meses, em comparação com 3,5 meses para aqueles cujo ctDNA ainda era detectável.

No segundo grupo, o exame de sangue após quatro semanas de tratamento também mostrou uma forte correlação entre os níveis de ctDNA e os resultados dos pacientes. Os cujo ctDNA não era mais detectável tiveram o câncer mantido sob controle por 12 meses, em comparação com 4,3 meses nos pacientes que ainda apresentavam ctDNA detectável.

“Ao analisar o DNA tumoral circulante em amostras de sangue de pacientes com câncer de mama avançado, identificamos uma clara ligação entre esses níveis, tanto no início quanto após um ciclo de tratamento, e a eficácia da resposta dos pacientes à terapia”, apontou Browne. “Essas descobertas apoiam o uso do ctDNA como um biomarcador não invasivo para prever resultados e monitorar a resposta ao tratamento.”

Nicholas Turner, professor de oncologia molecular no ICR e oncologista clínico consultor no Royal Marsden, completou: "Esta pesquisa analisou o câncer de mama avançado, mas esses testes também podem funcionar para cânceres de mama em estágio inicial. [A biópsia líquida] "tem o potencial de tornar as decisões de tratamento mais rápidas, mais personalizadas e, em última análise, mais eficazes".

 

https://epocanegocios.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2026/01/exame-de-sangue-pode-antecipar-se-tratamento-contra-cancer-de-mama-vai-funcionar.ghtml

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