Em nota, a Fapur confirma que um recurso destinado à reforma do telhado no valor de R$ 1.593.900 vem sendo administrado desde abril de 2024 (R$ 600 mil) e informa que a complexidade do projeto se dá porque será necessária uma equipe de engenheiros para mudar toda a estrutura.
"Desde o final do ano passado, a Fapur, por meio da equipe técnica do setor de compras, com o apoio de engenheiro dedicado, vem orientando e apoiando a equipe do projeto na elaboração da documentação necessária para formalizar a contratação de empresa especializada para a realização dessa reforma. Ressalta-se que o processo possui certa complexidade, pois, após avaliação técnica realizada por engenheiros, foi identificada a necessidade de ajustes estruturais, e não apenas a simples substituição do telhado", esclarece.
O órgão reitera, no entanto, que não há repasse direto de recursos ao Teatro Elza Osborn e que "os recursos do projeto são aplicados exclusivamente nas ações previstas no plano de trabalho aprovado, cabendo à Fapur a gestão administrativa e financeira da execução, em conformidade com as normas aplicáveis à gestão de recursos públicos".
A fundação também informa que o documento necessário para a contratação de técnicos está em andamento: "Atualmente, o projeto está dedicado à elaboração do Termo de Referência, documento que servirá de base para a futura contratação da empresa responsável pela execução da reforma".
A Secretaria Municipal de Cultura, por sua vez, ainda não se pronunciou sobre o encerramento do contrato ou se pretende elaborar um novo. O espaço segue aberto.
'Saudade do teatro'
Humorista e morador de Campo Grande, Andrews Minehah, 22, diz que foi no Elza Osbourne a primeira vez que viu um espetáculo na vida: "A primeira vez em que eu fui ao teatro foi lá, aos 6 anos. Eu fui ver "Sid, o Cientista" e, posteriormente, outros espetáculos infantis como "Backyardigans", "Capitão Livrão", e me encantei. Ver o teatro pausado é ter nosso point cultural fechado, impede artistas como eu de ocupar esse lugar que é também um pouco nosso. Precisamos nos unir para tê-lo de volta".
Já para o professor de teatro Thomaz de Andrade, 40, a Lona Cultural o direcionou para a vocação que exerce atualmente: "Tenho 25 anos de carreira dedicada ao teatro. Minha história com a Lona começou há muito tempo, quando fui levado pela minha tia para fazer uma oficina com o professor Zé Antônio, o que fez a diretora Regina Pierini [mãe de Christian] ver meu trabalho e me convidar para o grupo Artistas Arteiros. Fizemos várias apresentações lá e em outros espaços da Zona Oeste. E nunca mais parei, hoje sou professor de teatro e ator por causa da influência desse espaço que sempre fui muito importante para o bairro".
DJ e atriz, Carolina Muniz, 29, conta que sua história na Lona é repleta de momentos especiais: "Esse teatro tem uma grande importância na minha vida como cidadã e amante da arte e da cultura. Já atuei lá uma vez, tive muitas aulas, inclusive de violão, ganhei livros gratuitos que até hoje guardo com muito carinho, conheci apoiadores incríveis, fiz grandes amizades, vi shows... enfim, é muito especial".
História da fundadora
Elza Osborne foi a primeira mulher engenheira a administrar quadros do funcionalismo da Prefeitura do Distrito Federal e do CREA-RJ. Ela esteve à frente de diversas obras na Zona Oeste do Rio, como a construção do viaduto Engenheiro Alim Pedro, Teatro de Arena, Teatro Arthur Azevedo, o anfiteatro da Praça Filomena, entre outras. Elza também foi dramaturga e escreveu a peça Zé do Pato, que deu ao Teatro Rural do Estudante 11 prêmios em disputa no I Festival Nacional de Teatro.