Publicado em 03/08/2021 - 09:24 / Clipado em 04/08/2021 - 09:24
“A pergunta que não quer calar” O que é mais eficaz: vacinar adolescentes ou antecipar 2ª dose?
O Ministério da Saúde programa a vacinação dos adolescentes, de 12 a 17 anos, a partir de setembro. Algumas cidades, como Niterói, no Rio de Janeiro, Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, e São Luís, no Maranhão, já estão aplicando doses da Pfizer nesta faixa etária.
Mesmo com a volta às aulas, que aconteceu nesta semana, a gravidade e evolução da variante Delta no país levanta a questão sobre qual estratégia é mais eficaz: imunizar os adolescentes, que têm menos chance de desenvolver covid grave, ou antecipar a segunda dose de adultos para, assim, aumentar o número de pessoas completamente imunizadas?
A questão se refere apenas aos adolescentes saudáveis. Uma vez que, na opinião de especialistas ouvidos pelo R7, as pessoas com comorbidades deveriam ter sido imunizadas, assim que a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) aprovou uma vacina para a faixa etária.
“O adolescente de risco já deveria ter sido vacinado, como todos os adultos com fatores de risco. Já que temos vacina licenciada para essa faixa etária. Não há por que imaginar que uma grávida de 16 anos tem menos riscos que uma gravida de 20 anos. Um obeso ou um moleque diabético tem menos risco que um diabético ou obeso de 20, 30 anos, que já foi vacinado há um tempo”, observa Renato Kfouri, pediatra e infectologista, diretor da SBIm (Sociedade Brasileira de Imunizações).
Após quase um ano e meio de pandemia, a ciência já sabe que pessoas abaixo de 18 anos, se infectadas, têm menos chances de evoluir para covid grave, que leva à hospitalização e pode causar morte. Baseado nesse conhecimento, Soraia Smaili, farmacêutica, professora de farmacologia da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) e coordenadora do centro SOU_Ciência, defende que a preocupação ainda deve estar concentrada na imunização de adultos.
“Falarmos em reduzir faixas etárias antes de termos uma cobertura vacinal adequada acima dos 18 anos é algo que é muito precoce. Temos de garantir que a maior parte da população, principalmente dos 18 anos até 40 anos, que é a faixa que estamos agora, recebam a primeira dose”, afirma Soraia.
O virologista José Eduardo Levi, professor do Instituto de Medicina Tropical da USP e chefe da Unidade de Biologia Molecular dos laboratórios Dasa, acrescenta que a preocupação de vacinar adolescentes deveria existir só com o excesso de imunizantes.
“Se todo mundo tomou a primeira dose e há vacina para tomar a segunda, aí pode começar com quem quiser. Mas se não tem, neste momento, não pode colocar prioridade primeira dose em adolescentes antes da segunda dose em adultos. Acho uma decisão equivocada. Depois que todos os adultos acima de 30 ou 40 tenham completado a segunda dose, se começa a vacinar os adolescentes”, diz Levi.
Fonte: R7
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