Publicado em 14/10/2026 - 19:25 / Clipado em 14/10/2026 - 19:25
Aluno de Etec em São Caetano denuncia estudantes por injúria racial durante jogo
Redação
Insulto teria ocorrido na comemoração de um gol da vítima, que alega ter sido chamada de ‘macaco’
O estudante Lucas Arthur Cardoso Burrego, 17 anos, da Etec (Escola Técnica Estadual) Jorge Street, em São Caetano, afirma ter sido alvo de injúria racial durante os Jogos Escolares realizados na última terça-feira (13) na unidade. Segundo relato do jovem, duas alunas do terceiro ano o chamaram de “macaco” enquanto ele comemorava um gol. As circunstâncias são objeto de apuração pela escola.
O aluno do segundo ano do curso de Informática conta que a partida era disputada entre sua turma e uma classe de Desenvolvimento de Sistemas. Segundo ele, havia uma rivalidade esportiva entre os grupos, mas sem histórico de brigas. As provocações, afirma, começaram ainda no início do jogo e se intensificaram após os gols marcados por sua equipe.
De acordo com Burrego, os insultos racistas ocorreram quando ele virou de costas para a arquibancada. O estudante relata ter ouvido as duas jovens gritarem “macaco” por três vezes. A vítima afirmou não conhecer as alunas e disse que não conseguiu identificar nenhuma das duas pelo nome.
O jogo foi interrompido por um professor de Educação Física, que encaminhou o grupo de estudantes à coordenação. Enquanto isso, o estudante foi acolhido por integrantes da organização da atividade. Após o término da partida, ele foi até a sala da coordenação para conversar com as envolvidas.
“Quando escutei o insulto, já saí da quadra com o olho cheio de lágrimas, perguntando como ia ficar essa história, quem ia resolver isso daí”, diz. Ele relembra que chorou novamente após a conversa na coordenação e, em seguida, avisou a mãe.
O aluno explica que as duas estudantes negaram terem feito a ofensa e não pediram desculpas. Burrego também relata ter ouvido uma das alunas, ao sair da sala, dizer ao telefone à mãe que seria procurada pela escola por chamar um menino de “macaco”.
“Quero que o pedido de desculpas seja público, na frente de todo mundo, assim como elas fizeram comigo, me humilhando, me ofendendo”, desabafa o estudante.
A empresária. Mônica de Oliveira Cardoso Burrego, 44, mãe do estudante, explica que recebeu um áudio do filho após o ocorrido e que ele estava chorando. “De imediato, me bateu um desespero, uma angústia, me senti impotente. Fiquei sem acreditar no que estava acontecendo. Senti que meu filho estava sozinho, desamparado.”
Mônica pontua ainda que pretende buscar a responsabilização criminal das envolvidas, que segundo ela, são maiores de idade. “Elas não tiveram arrependimento nenhum. Não se manifestaram em nenhum momento, não vieram atrás dele para pedir desculpa, para se redimir”, denuncia.
Em nota, o CPS (Centro Paula Souza), responsável pela administração da Etec Jorge Street, repudiou qualquer forma de discriminação e racismo. “Assim que tomou conhecimento do caso, a equipe gestora da unidade acolheu o estudante e seus familiares para prestar o suporte necessário. Uma apuração preliminar foi instaurada imediatamente para identificar os envolvidos e aplicar as sanções disciplinares cabíveis previstas no regimento da instituição,” diz trecho da nota.
A autarquia também reforça que está “à disposição das autoridades para os esclarecimentos necessários.”
O Diário não conseguiu localizar a defesa das jovens para solicitar um posicionamento sobre o caso.
O QUE DIZ A LEI
O advogado criminalista Renato Hachul, sócio da Massud, Sarcedo, Andrade e Hachul Sociedade de Advocacia, explica que “ofender pessoas específicas de ‘macaco’ configura o crime de injúria racial. É a ofensa direcionada ao indivíduo em razão de raça, cor, etnia ou procedência nacional, prevista no art. 2º-A da Lei nº 7.716/89.” Com a Lei nº 14.532/2023, tornou-se crime equiparado ao racismo, sendo imprescritível, inafiançável e com pena de reclusão de 2 a 5 anos.
O advogado destaca que a idade das envolvidas é um fator importante para definir a forma de responsabilização. Como as duas alunas seriam maiores de 18 anos, caso a informação seja confirmada, elas poderão responder criminalmente perante a Justiça comum.
Para adolescentes com menos de 18 anos, a legislação prevê responsabilização por ato infracional e eventual aplicação de medidas socioeducativas, conforme o ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente).
Veículo: Online -> Site -> Site Diário do Grande ABC - Santo André/SP
Seção: São Caetano