Publicado em 05/10/2026 - 18:26 / Clipado em 05/10/2026 - 18:26
Prefeitos de três cidades do Grande ABC iniciam substituições no primeiro escalão
Redação
Secretários perdem o cargo em Santo André e São Caetano, o que deve acontecer também em Ribeirão Pires

Prefeitos de três cidades do Grande ABC iniciaram ontem, um dia após o primeiro turno da eleição, o que chamaram de “ajustes administrativos”. Cerca de cem comissionados – incluindo secretários – perderam o cargo em Santo André, São Caetano e Ribeirão Pires. O Diário apurou, com fontes a par do assunto, que o envolvimento do primeiro escalão nas campanhas de aliados ou adversários dos chefes de Executivo selou o destino da maior parte dos exonerados.
Em Santo André, o prefeito Gilvan Ferreira (Cidadania) assinou ontem a exoneração de 77 comissionados, incluindo a secretária da Pessoa com Deficiência, Ana Claudia de Fabris. Eduardo Leite, titular da Pasta de Assistência Social, passa a responder interinamente pelo departamento.
Todos os nomes cortados do Paço são ligados ao ex-chefe do Executivo, Paulo Serra (PSDB), que se elegeu deputado federal no pleito de domingo. O titular do cargo e o antecessor caminham para o rompimento, embora Gilvan, oficialmente, não relacione os cortes ao distanciamento político do tucano.
“A decisão foi conduzir essa reorganização sem misturá-la ao processo eleitoral. Por isso, o ajuste das equipes e dos cargos foi deixado para depois das eleições”, disse o prefeito, afirmando que as exonerações são “continuidade natural da reforma administrativa” iniciada em 2026. “Primeiro organizamos a estrutura; agora ajustamos as equipes para que ela funcione de forma mais eficiente”, completou Gilvan ao ser questionado pelo Diário.
Em São Caetano, o prefeito Tite Campanella (Republicanos) demitiu Thiago Mata, titular da Secretaria de Assistência e Inclusão Social. O comissionado estava na administração são-caetanense desde dezembro de 2021, nomeado pelo então chefe do Executivo José Auricchio Júnior (PSD). A cadeira passa a ser ocupada por Marisa Catalão de Carvalho Campozana, ex-presidente da Fundação Pró-Memória.
Para o comando da entidade, a gestão Tite promoveu a contadora, contratada sob o regime CLT (Consolidação das Leis do Trabalho), Maria Teresa de Andrade. A servidora passa a responder interinamente pelo expediente da Fundação Pró-Memória. As informações constam em edição extra do Diário Oficial do Município publicada ontem. A publicação também trouxe a exoneração de outros cinco servidores em cargos executivos.
Todos os nomes exonerados são ligados a Auricchio Júnior, com quem o titular rompeu. Tite decidiu agir depois que os resultados das urnas mostraram que os dois candidatos oficiais do Paço – Orlando Morando (MDB) a deputado federal e Carla Morando (PSD) a estadual – tiveram menos de 10% dos votos válidos nas urnas da cidade: 6.770 e 6.751, respectivamente.
Nos bastidores do Palácio da Cerâmica, sede do Poder Executivo são-caetanense, comenta-se que os comissionados teriam trabalhado pelo deputado estadual Thiago Auricchio (PL), filho do ex-prefeito, que obteve nas urnas do município 18.225 dos 59.942 votos que lhe garantiram a reeleição. Consultado pelo jornal, o republicano não quis dar declarações oficiais sobre as mudanças na estrutura do Paço.
Em Ribeirão Pires, o prefeito Guto Volpi (PL) confirmou mudanças nos primeiro, segundo e terceiro escalões a partir de hoje. Porém, manteve silêncio em relação aos nomes. “Agora que passou a eleição vou replanejar o governo, dar aquela oxigenada e outro ritmo nos próximos dois anos e três meses. É um momento para dar outro gás e outras oportunidades”, disse.
Na mira, segundo apurou o jornal, estão indicados pelo vice-prefeito, Rubens Fernandes da Silva, o Rubão (Solidariedade), que saiu a estadual disputando diretamente com Clóvis Volpi (PSD), pai de Guto. Nenhum dos dois foi eleito. O primeiro obteve 1.872 votos; o segundo, 13.942.
Veículo: Online -> Site -> Site Diário do Grande ABC - Santo André/SP
Seção: São Caetano