Publicado em 14/09/2026 - 13:15 / Clipado em 14/09/2026 - 13:15
Reinaldo Garcia: 'São Caetano tem potencial para voltar ao topo do esporte'
Fabio Junior
Especial para o Diário
A Secretaria de Esportes de São Caetano ganhou um novo nome após a saída de Mauro Roberto Chekin, por falas capacitistas durante audiência pública na Câmara. Reinaldo Garcia Simões assumiu o posto com a missão de fortalecer a inclusão no esporte da cidade, além de implementar novas ações no setor, investindo nos jovens, na infraestrutura e no alto rendimento esportivo</CF>. Um dos principais nomes do futsal no País, o secretário afirma que trabalha para ampliar o desenvolvimento esportivo no município, com foco especial em ações voltadas às pessoas com deficiência.
O sr. assumiu o Pasta de Esportes após a saída de Mauro Chekin em decorrência de frases capacitistas durante audiência pública no Legislativo. Como analisa a postura de seu antecessor?
Não era integrante da Secretaria nem estava presente no dia na Câmara.
Como ocorreu o convite do prefeito Tite Campanella para que assumisse a secretaria após o pedido de exoneração de Chekin e o que pesou na decisão de aceitar esse desafio?
Primeiro que eu estou de volta à cidade depois de 25 anos fora. Trabalhei na Confederação Brasileira de Futsal de 2000 até 2021 e também participei da criação do projeto da Magnus, em Sorocaba. Apesar de estar distante, nunca perdi o contato com o Tite, que é meu amigo desde a infância. Quando ele voltou à Prefeitura, me procurou dizendo que queria revitalizar o esporte de São Caetano, resgatar aquela época em que a cidade tinha grandes equipes. Depois, com a saída do secretário, ele insistiu para que assumisse o cargo. No começo relutei porque sempre trabalhei na iniciativa privada e nunca havia atuado na administração pública. Mas, pela amizade que tenho com ele e pelo desafio de ajudar o esporte da cidade, aceitei. São Caetano tem potencial para voltar ao topo do esporte.
À época, Chekin classificou a inclusão de pessoas com deficiência e autistas no esporte como um “problema muito grande”. Como pretende fortalecer a inclusão no esporte?
A inclusão já é um trabalho que estamos desenvolvendo junto com outras secretarias. Queremos ampliar as ações voltadas às pessoas com deficiência e realizar eventos que aproximem esse público, oferecendo mais qualidade de vida. Recentemente, promovemos uma capacitação para professores e funcionários sobre atendimento ao público PCD, bem como levantamento para identificar quantas pessoas participam das modalidades esportivas e entender quais atividades elas desejam praticar. Assim, conseguimos criar projetos mais direcionados às necessidades da população.
Qual está sendo sua principal marca à frente da Secretaria de Esporte?
Estou há um tempo na Secretaria e percebi que existe muito trabalho pela frente. Vim do esporte competitivo, mas minha prioridade é atender os munícipes. Queremos fortalecer o PEC (Programa Esportivo Comunitário), oferecer melhores condições aos professores, ampliar horários e melhorar a estrutura. Também identificamos uma faixa etária entre 20 e 50 anos que hoje tem poucas opções de prática esportiva. Queremos criar novas oportunidades para esse público, com mais modalidades e professores.
Como sua experiência em 11 títulos mundiais contribuirá para a gestão pública?
Sempre trabalhei na administração esportiva e no marketing esportivo. Sou formado em Marketing Esportivo pela FGV (Fundação Getulio Vargas). Passei 19 anos na GM (General Motors), e também participei da criação da Magnus Futsal, considerada hoje uma das melhores equipes do mundo. Tenho uma mentalidade voltada para conquistar resultados. Quero utilizar essa experiência para fortalecer o esporte competitivo, escolhendo algumas modalidades prioritárias para elevar novamente o nome da cidade. Ao mesmo tempo, nosso foco principal é melhorar a estrutura esportiva para os moradores. Estamos planejando reformas, ampliando a acessibilidade e preparando o orçamento de 2027 para oferecer melhores condições aos praticantes.
Qual o segredo do sucesso da Liga São Caetano?
O principal segredo foi montar as pessoas certas nos lugares certos. O treinador Rafael Cafu foi nossa principal contratação. Além de ser um excelente técnico, ele comanda as seleções brasileiras Sub-20 e Sub-23. Também montamos uma comissão técnica jovem e qualificada. Hoje a Liga São Caetano já chama atenção no Brasil inteiro e até no exterior. Em pouco tempo conquistamos números expressivos e isso é resultado de planejamento, organização e escolhas corretas.
São Caetano pode se tornar referência nacional no futsal?
Sem dúvida. Em apenas seis meses de projeto já conquistamos resultados importantes, lideramos competições e temos um dos melhores aproveitamentos do país. Estamos revelando jovens atletas, temos jogadores convocados para a Seleção Brasileira e uma estrutura organizada. Tudo isso mostra que São Caetano tem potencial para voltar a ser uma referência nacional no futsal.
Quais estão sendo as prioridades para o esporte de base?
Cada modalidade tem sua realidade. Estamos fortalecendo ainda mais o trabalho desenvolvido nos PECs, melhorando os espaços esportivos e oferecendo modalidades que despertem o interesse da juventude. Temos que ouvir professores, gestores e moradores a fim de entender quais são as principais necessidade para colocar novos projetos em prática.
Quais modalidades estão tendo uma atenção especial em sua gestão?
Estamos fortalecendo modalidades como vôlei, judô, natação, basquete, tênis de mesa e outras que já possuem tradição em São Caetano. Também estudamos investir em modalidades voltadas aos jovens e reforçar os esportes olímpicos, principalmente por meio de parcerias com projetos como o Instituto Tiago Camilo.
Como captar mais recursos e investimentos para o esporte de São Caetano?
O primeiro passo é mostrar resultados. Hoje o futsal já gera um enorme retorno de mídia, com transmissões em TV aberta e grande exposição para os patrocinadores. Estamos preparando relatórios de mídia para apresentar às empresas e mostrar o retorno que elas terão ao investir no esporte. Já contamos com importantes parceiros e acreditamos que novos investimentos chegarão naturalmente.
Como aproximar a iniciativa privada dos projetos esportivos aqui na cidade?
O esporte oferece um excelente retorno para quem investe. Quando uma empresa percebe a exposição que recebe por meio das competições, ela entende o valor desse investimento. Nosso trabalho é oferecer organização, planejamento e credibilidade para atrair novos parceiros. Além disso, manter um relacionamento próximo com empresários e patrocinadores faz toda a diferença.
Como é o diálogo que o sr. tem mantido com clubes, associações e professores?
Fizemos reuniões com professores, gestores, clubes e associações. Estamos ouvindo todos para entender as necessidades de cada região. Também queremos melhorar a infraestrutura esportiva, reformar espaços e buscar novos parceiros para ampliar as opções oferecidas à população.
Como ampliar o acesso de crianças e jovens ao esporte nos bairros?
São Caetano tem uma vantagem muito grande em relação a outras cidades: é uma cidade compacta, com transporte público gratuito, boa segurança e centros esportivos distribuídos por praticamente todos os bairros. Isso facilita muito o acesso das crianças e dos jovens às atividades esportivas, permitindo que eles saiam de casa, pratiquem esporte e retornem com tranquilidade. Nossa ideia é fortalecer ainda mais esse modelo, garantindo que as pessoas não precisem atravessar a cidade para praticar uma modalidade. O foco é que cada bairro ofereça opções esportivas próximas da população, respeitando as características e a demanda de cada região.
Qual a diferença entre conquistar títulos e gerir o esporte de uma cidade?
Na essência, conquistar títulos e administrar o esporte de uma cidade têm muitos pontos em comum. Em ambos os casos é preciso planejamento, organização, definir prioridades e montar equipes competentes. Nenhum resultado acontece por acaso. Sempre existe muito trabalho por trás. Cada gestor tem sua forma de trabalhar. Eu trouxe algumas pessoas da minha confiança e estamos reorganizando a Secretaria de acordo com a nossa metodologia de gestão. Primeiro estamos ouvindo professores, gestores e a população para entender as demandas. Depois disso, vamos colocar em prática os projetos que julgarmos mais importantes para a cidade. Acredito que uma boa gestão não se mede apenas pelos títulos conquistados, mas pelo legado que deixa. Se conseguirmos melhorar os equipamentos esportivos, ampliar a acessibilidade, fortalecer a base, atrair investimentos e criar oportunidades para que mais pessoas pratiquem esporte, teremos um resultado tão importante quanto levantar uma taça. Esse é o tipo de vitória que permanece para a cidade por muitos anos.
Que legado o sr. deseja deixar ao fim da gestão?
Quero deixar um legado parecido com aquele que construí durante minha trajetória no futsal brasileiro. Sempre procurei organizar projetos, criar estrutura, oferecer melhores condições de trabalho aos profissionais e é esse espírito que quero trazer para São Caetano. Nosso objetivo é investir na infraestrutura esportiva, ampliar a acessibilidade e criar condições para que cada modalidade possa evoluir de maneira sustentável. Um dos meus grandes sonhos é transformar o Ginásio Milton Feijão em uma verdadeira arena multiuso. É um local histórico da cidade e acredito que ele merece uma modernização , tornando-se um espaço preparado para receber grandes competições esportivas, shows, eventos culturais e diversas atividades para a população.
Veículo: Online -> Site -> Site Diário do Grande ABC - Santo André/SP
Seção: entrevista da semana