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 Site Repórter Diário - Santo André/SP

Publicado em 02/09/2026 - 18:18 / Clipado em 02/09/2026 - 18:18

Cidades do ABC se preparam para enfrentar eventos extremos do El Niño


George Garcia 

 

Calor mais intenso que o normal para a época e temporais com grandes volumes de chuvas e ventos são esperados até o final do ano, trata-se do já conhecido El Niño que se caracteriza pelo aumento da temperatura do oceano Pacífico e que interfere no clima, só que este ano o aquecimento global e os já presentes eventos climáticos extremos, devem potencializar o fenômeno trazendo problemas de saúde, possibilidade de enchentes e deslizamento de terra em áreas já sujeitas a esse tipo de ocorrência. Por conta disso o governo do Estado lançou um plano de enfrentamento ao que já é chamado de Super El Niño e também prefeituras da região mobilizam suas estruturas para atendimento a essas situações. A imprevisibilidade do tempo promete também causar danos às lavouras e encarecer os produtos.

Em Diadema o El Niño vai colocar a prova o CMEC (Centro Municipal de Emergências Climáticas) implantado em agosto. “Coordenado pela Secretaria de Meio Ambiente em conjunto com a Defesa Civil, o CMEC elaborará o Plano de Ação Climática (PANClima), definindo protocolos de alerta, acionamento e proteção a grupos vulneráveis. A Defesa Civil mantém monitoramento permanente das áreas de risco, com prioridade às comunidades mais expostas”, explica a prefeitura,  que também vai monitorar a população em situação de vulnerabilidade, especialmente por meio do Centro POP, do Serviço Especializado em Abordagem Social e dos centros de acolhida destinados às pessoas em situação de rua.

“O Centro POP e os centros de acolhida permanecem como pontos de referência para atendimento, hidratação, alimentação, higiene, proteção social e demais encaminhamentos necessários. A distribuição de água é intensificada conforme os alertas de altas temperaturas e as demandas identificadas pelas equipes nos territórios. O município realiza a Operação Altas Temperaturas, com atuação integrada entre as secretarias. No âmbito da Assistência Social, a operação prevê a intensificação das abordagens nas ruas, a orientação sobre os riscos da exposição prolongada ao calor, a distribuição de água e o encaminhamento aos serviços socioassistenciais, especialmente nos locais de maior concentração de pessoas em situação de rua. Além disso, a prefeitura mantém pontos de abastecimento e bebedouros em todos os parques e equipamentos públicos”, detalha a administração diademense.

Para minimizar os problemas em áreas de risco o Paço de Diadema diz realizar monitoramento contínuo dessas áreas. Mas não informou quantas estão nesta condição, seja para enchentes, seja para deslizamentos. “A Secretaria de Infraestrutura Urbana e a de Obras realizam manutenção preventiva sistemática de galerias, bocas de lobo, canais e estruturas de contenção, bem como gestão de vegetação com poda e supressão de árvores em situação de risco, próximo a moradias e rede elétrica. Em situações emergenciais, há o acolhimento de famílias em risco, direcionamento a abrigos temporários. A Prefeitura reafirma a atuação antecipada, integrada e técnica para mitigar impactos do El Niño e proteger a população de Diadema. Em caso de emergência, a população pode contatar os serviços pelos telefones: 199 (Defesa Civil), 192 (SAMU), 193 (Bombeiros).

Nas escolas o calor afeta a atenção dos alunos e Diadema informa que as 61 escolas municipais contam com ventiladores e laboratórios de robótica, informática e sensoriais e salas de professores têm ar-condicionado.

Pluviômetros

Em Santo André a prefeitura implantou uma rede de enfrentamento ao El Niño, trata-se da Rede Cidadã de Monitoramento Climático, que convida moradores a contribuir voluntariamente com a coleta de informações sobre chuva e temperatura em diferentes regiões. Até o momento, 28 aparelhos já foram instalados. Os participantes recebem pluviômetros e termômetros manuais, instalados em suas residências, além de orientações para a realização das medições diárias e o envio das informações, gerando diagnósticos por bairro.

Os dados territoriais são ferramentas de planejamento urbano de longo prazo e para o aprimoramento das ações de prevenção e resposta a eventos climáticos severos. Segundo Brunessa Davide, Encarregada de Monitoramento Climático, “a Rede Cidadã de Monitoramento aproxima a Defesa Civil da população e reforça que a prevenção também se constrói com a participação dos moradores. Quanto mais pessoas participarem, mais detalhada será a nossa leitura das condições climáticas nos diferentes territórios, contribuindo para um acompanhamento mais próximo da realidade de Santo André.”

Os munícipes que desejam integrar a Rede Cidadã de Monitoramento Climático podem realizar o cadastro pelo site da Defesa Civil: https://portais.santoandre.sp.gov.br/defesacivil/rede-cidada-de-monitoramento-climatico/. Após o registro, a equipe entra em contato com os interessados para orientar sobre as próximas etapas e a possibilidade de instalação dos equipamentos.

Redução de Riscos

A Prefeitura de São Bernardo lançou esta semana a atualização do PMRR (Plano Municipal de Redução de Riscos) da cidade. A iniciativa representa um avanço estratégico para as políticas públicas de prevenção e enfrentamento de ocorrências em áreas suscetíveis a desastres.
 
Mais do que um documento técnico, o plano é uma ferramenta de planejamento que permite ao município conhecer com maior precisão a realidade do território, identificar áreas prioritárias e orientar a aplicação de recursos em ações capazes de reduzir efetivamente os riscos para a população. A atualização do PMRR será conduzida pelo Grupo de Trabalho Intersecretarial para acompanhamento do plano, em parceria com o Serviço Geológico do Brasil, o Ministério das Cidades e o Ministério de Minas e Energia.
 
Esse planejamento ganha ainda mais relevância diante da previsão de R$ 75 milhões em investimentos, por meio de parceria com o Governo Federal, destinados a ações de redução de riscos em localidades como Vila São Pedro, Cafezal e Montanhão, beneficiando mais de 5 mil famílias.  “A atualização do plano possibilitará que esses recursos sejam direcionados de maneira mais estratégica, priorizando as intervenções necessárias e contribuindo para que os investimentos estejam alinhados às necessidades identificadas no território”, reforçou a secretária de Habitação de São Bernardo, Ruth Cristina Ramos.
 
“O Plano Municipal de Redução de Riscos não é apenas um levantamento da situação existente. Ele é um instrumento que pauta a política de redução de riscos, dando suporte técnico às decisões do poder público e ajudando a transformar o conhecimento sobre o território em ações concretas”, afirmou Marcos Cayres, coordenador da Defesa Civil da cidade.
 
Seca e temporais vão afetar drasticamente a produção de alimentos
 
As chuvas além do previsto para a as estações climáticas Primavera e Verão, bem como calor acima do normal e períodos de seca, que são esperados durante o El Niño devem afetar lavouras, reduzir a oferta de produtos e consequentemente a alta nos preços de verduras, legumes e frutas durante o período. Segundo engenheiro agrônomo da Craisa (Companhia Regional de Abastecimento Integrado de Santo André), Fábio Vezzá de Benedetto, há pouco que o consumidor possa fazer para se precaver já que esses produtos perecíveis não tem como serem estocados.

Para Benedetto, o El Niño que se aproxima deve ser pior do que os ocorridos em outros anos por causa do aquecimento global, com isso se espera mais calor e mais chuvas de grande intensidade o que vai prejudicar a safra de alimentos de grande escala, como as culturas de arroz, feijão, milho e cana de açúcar, além da lavoura de alimentos que são produzidos mais localmente, como as verduras, legumes e algumas frutas. Os danos que podem ocorrer tanto com a seca como com o excesso de chuva afeta a oferta do produto e consequentemente o seu preço.

 
“O arroz, por exemplo, se planta agora para colher no final do verão e pode ser afetado por inundações e seca, porém é um produto que pode ser estocado e transportado por longas distâncias. O mesmo com o feijão e o milho. Já quanto às frutas, hortaliças e legumes, consumimos o que é produzido no cinturão verde da Grande São Paulo. É uma situação de difícil solução a curto prazo, uma ideia seria termos mais hortas na área urbana, como as hortas comunitárias, evitando a dependência do que vem de áreas produtoras e que podem ser atingidos pela seca ou excesso de chuva, mas quase não se vê hortas em áreas urbanas”, analisa.

Se o feijão, milho e arroz podem ser estocados para consumo ao longo do ano, as verduras, legumes e frutas devem sofrer no caso das áreas produtoras serem mais afetadas pelo clima desfavorável. “A chuva pesada danifica e a qualidade cai. A produção de alface, por exemplo, vem do cinturão verde, perto da região metropolitana porque é um produto que não aguenta estoque nem transporte de longa distância, se a lavoura for afetada automaticamente na feira o produto vai subir de preço ou mesmo sumir das barracas”.

 
Para Benedetto os governos deveriam se debruçar mais sobre as mudanças climáticas. “Isso está mais do que provado pela ciência, e desde 2012  até mesmo a população já tem sentido a mudança no clima e a influência disso na produção de alimentos, por isso penso que os governos deveriam se debruçar mais sobre isso”, completa o engenheiro agrônomo da Craisa.
 

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Seção: Cidades