Publicado em 02/09/2026 - 19:24 / Clipado em 02/09/2026 - 19:24
Após relatos de dezenas de crianças hospitalizadas, chafarizes de São Caetano preocupam população
A suspeita dos frequentadores é a combinação perigosa entre a falta de manutenção, cloração e filtragem contínua da água reutilizada.

Um passeio no final de semana terminou em gastroenterite, internação e muita preocupação para dezenas de famílias no ABC Paulista. Mães e pais de São Caetano do Sul utilizaram as redes sociais para denunciar quadros graves de vômito, diarreia, dor abdominal forte e febre em crianças que brincaram no chafariz do Parque Chico Mendes, (Av. Fernando Simonsen, 566 – São José, São Caetano do Sul – SP), e também na praça da Avenida Presidente Kennedy no último final de semana.
Um dos depoimentos mais preocupantes veio de uma mãe. Ela relatou que sua filha de apenas 4 anos deu entrada na UTI com infecção gastrointestinal severa e dores abdominais intensas após brincar por cerca de 10 minutos no local. Outros dezenas de relatos nas redes do perfil de cobertura local @radarsaocaetano confirmam os mesmos sintomas em crianças que frequentaram os equipamentos aquáticos públicos.

A suspeita principal dos frequentadores é a combinação perigosa entre a falta de manutenção, cloração e filtragem contínua da água reutilizada por parte do poder público, somada ao uso inadequado dos espaços. Frequentadores relataram que a água apresentava forte odor de urina e aspecto turvo, levantando um importante debate sobre a segurança sanitária.
Os riscos da água não tratada: Bactérias, parasitas e excesso de cloro
A presença de água parada ou recirculada sem o tratamento bactericida e a filtragem adequados transforma chafarizes ornamentais em verdadeiros focos de transmissão de vírus e bactérias. Especialistas e pediatras alertam que a brincadeira nesse tipo de estrutura expõe os pequenos a diversos riscos de saúde:

- Contaminação por coliformes fecais e bactérias: Águas sem higienização e circulação contínua acumulam bactérias como Escherichia coli, além de enterovírus e rotavírus espalhados pelo contato direto, dejetos de aves, urina humana ou de animais de estimação. A ingestão acidental, mesmo em pequeníssimas quantidades durante as brincadeiras, costuma provocar episódios rápidos e intensos de vômito, diarreia e febre.
- Riscos de intoxicação por produtos químicos: Por outro lado, a aplicação inadequada de produtos de limpeza, como o excesso de cloro despejado de forma concentrada sem diluição correta, age como agente irritante da mucosa gástrica e esofágica, podendo provocar náuseas e vômitos como resposta de defesa do organismo infantil.
- Dermatites e micoses: O contato da pele e mucosas (olhos e ouvidos) com água não sanitizada pode desencadear otites, conjuntivites e alergias na pele sensível das crianças.

Guia de prevenção e cuidados essenciais para os pais
Para garantir a segurança das crianças durante os passeios em praças e parques públicos, é fundamental adotar algumas medidas preventivas:
- Verifique a finalidade do equipamento: Chafarizes ornamentais e espelhos d’água não são piscinas públicas. A água costuma ser de reuso e imprópria para contato com olhos, boca e mucosas.
- Avalie o odor e o aspecto da água: Se a água apresentar odor forte, turbidez ou espuma estranha, retire os pequenos imediatamente do local.
- Oriente sobre a ingestão de água: Ensine as crianças desde cedo que águas de fontes, chafarizes ou mangueiras públicas nunca devem ser engolidas.
- Higiene pós-passeio: Caso a criança entre em contato com águas públicas, promova um banho com água corrente e sabonete neutro o mais rápido possível e troque as roupas molhadas.
- Sinais de alerta: Caso o seu filho apresente vômitos persistentes, prostração, febre alta ou fezes com sangue, procure imediatamente o pronto-socorro infantil.

A resposta da prefeitura
Pouco tempo após a divulgação das denúncias, o poder público municipal tomou providências no Parque Chico Mendes.
Equipes de manutenção foram enviadas ao parque para executar a higienização e limpeza completa da caixa d’água responsável pelo abastecimento.

No entanto, o alerta continua aceso: a comunidade seguirá acompanhando de perto para garantir que o local receba manutenção preventiva e fiscalização sanitária contínuas.
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Seção: São Caetano