Nesta terça-feira (18/08), a Fundação Pró-Memória abriu uma nova exposição no Espaço do Forno
Redação ABCD Jornal

Imigrantes búlgaros bessarabianos nas obras de construção do atual Viaduto do Chá, em São Paulo, inaugurado em 18 de abril de 1938
Crédito/COCICOV, Jorge. Imigração no Brasil: búlgaros e gagaúzos bessarabianos. Ribeirão Preto: Editora Legis Summa, 2005, p. 407
Nesta terça-feira (18/08), a Fundação Pró-Memória abriu uma nova exposição no Espaço do Forno. Com o tema _Búlgaros da Bessarábia no Brasil: o centenário de uma imigração (1926-2026)_, a mostra traz imagens e materiais bibliográficos que fazem referência a imigrantes búlgaros provenientes da Bessarábia (antigo território russo), cujo estabelecimento em terras brasileiras deu-se em 1926.
São Caetano, nesse período, recebeu algumas famílias pertencentes a esse grupo de imigrantes. A exposição celebra o centenário dessa história, marcada por lutas, sacrifícios e amor. Traz documentos pessoais e fotos históricas, algumas do acervo da Revista Raízes, que já tratou do tema em sua edição 64 e na próxima edição 72, que será lançada nesta quinta-feira (20/8). Veja a lista completa de revistas no site: https://www.fpm.org.br/Publicacoes/List/1
A Associação Cultural do Povo Búlgaro no Brasil, presidida pela artista plástica Ana Maria Barbosa, descendente da família Sibov, apoiou o evento e esteve representada na abertura por sua tesoureira Roseli Stainoff. “Só temos a agradecer pela iniciativa da Fundação Pró-Memória. Nosso objetivo é preservar a história e nossas tradições”, disse Roseli, que teve o privilégio de ver a foto do próprio avô, Miguel Peev, destacada na exposição.
TRAGÉDIA E PERSISTÊNCIA
A chegada de imigrantes búlgaros ao Brasil foi motivada pela perseguição sofrida na Bessarábia (território então pertencente à Rússia) e pela demanda por mão de obra nas lavouras de café do interior paulista. Mas os primeiros tempos foram difíceis e marcados por uma tragédia.
Devido às péssimas condições de trabalho, muitos imigrantes se rebelaram. Acabaram sendo detidos pelo governo e enviados às instalações desativadas de um presídio na Ilha dos Porcos (atual Ilha Anchieta, em Ubatuba). Enfrentando abandono e fome, consumiram acidentalmente mandioca selvagem (raiz venenosa também chamada de mandioca brava). O envenenamento resultou em 146 mortes, sobretudo de crianças.
A vinda a São Caetano foi uma alternativa ao penoso trabalho nas plantações, pois a cidade já contava com um parque fabril promissor. Muitas famílias acabaram encontrando sustento em empregos nas indústrias Matarazzo e Cerâmica São Caetano, e contribuindo com o desenvolvimento da cidade. A exposição Búlgaros da Bessarábia no Brasil é um reconhecimento a essa contribuição.
SERVIÇO
*Búlgaros da Bessarábia no Brasil: O Centenário de uma Imigração*
Local: Espaço do Forno (Praça do Forno, Bairro Cerâmica, São Caetano do Sul)
Visitação: De 19 de agosto a 4 de dezembro, todos os dias, das 8h às 20h
Classificação indicativa: Livre
Realização: Fundação Pró-Memória de São Caetano do Sul
