Publicado em 17/08/2026 - 19:26 / Clipado em 17/08/2026 - 19:26
Sindicato cobra Casas Bahia sobre futuro de 900 trabalhadores da Bartira em São Caetano
Redação
Entidade pediu reunião com o grupo após recuperação judicial e realizará assembleia nesta semana para discutir possíveis impactos aos funcionários
O Sindicato Intermunicipal dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção e do Imobiliário Solidariedade de São Caetano encaminhou nesta segunda-feira (17) ofício à Casas Bahia para solicitar reunião com o grupo e entender como as demissões e o pedido de recuperação judicial podem afetar os 900 funcionários da fabricante de móveis Bartira na cidade. Também indicou que realizará assembleia na fábrica nesta semana para atualizá-los.
Depois de fechar 298 lojas e dispensar 3.000 funcionários neste mês, a Casas Bahia informou que tem dívidas de R$ 17,3 bilhões com mais de 28 mil credores. O prejuízo líquido do segundo trimestre de 2026 chegou a R$ 10,1 bilhões, o que levou ao pedido de recuperação judicial.
“A Bartira produz apenas para Casas Bahia. Ela não vende para outras lojas. Se está havendo cortes no grupo, pode ter reflexos para nós. Se isso acontecer, o sindicato vai tomar providência. Já acionamos nosso jurídico”, explicou o presidente da entidade, Edison Bernardes.
Ele comentou que espera que a resposta da empresa venha em breve para que seja possível realizar a assembleia com dados concretos em mãos. “O objetivo é passar a situação para o trabalhador para discutir quais estratégias serão adotadas. Se vai ter demissão, eles precisam falar com o sindicato. Não dá para ficar sabendo só através da imprensa.”
Bernardes não descartou a possibilidade de manifestações. “Pode ser tudo. Ainda não definimos o que vamos fazer, mas com certeza nós não vamos ficar quietos.” O Sindicato dos Comerciários de Santo André e Região também foi procurado, mas decidiu não se manifestar antes de conversar com o grupo. O Diário questionou a Casas Bahia sobre as operações no Grande ABC e aguarda retorno.
O advogado Fernando Canutto, sócio do Godke Advogados e especialista em direito empresarial e societário, indicou que o caso evidencia que reestruturar a dívida, por si só, não basta. “O fato da empresa retornar ao Judiciário apenas dois anos após concluir uma recuperação extrajudicial revela que a reestruturação financeira anterior não foi suficiente para restaurar a sustentabilidade operacional da companhia”.
Na avaliação de Matheus Matos, sócio da MA7 Capital, a crise reúne fragilidades estruturais, como a sucessão da família Klein e as posteriores mudanças de controle não produziram continuidade estratégica suficiente para adaptar o negócio; a Selic em 14% ao ano; e o atraso do modelo diante do comércio digital. Para ele, mesmo com investimento tecnológicos, a varejista não conseguiu acompanhar, na mesma velocidade, a expansão de plataformas como a Amazon e a mudança na forma de comprar do brasileiro.
“A recuperação judicial pode dar fôlego, alongar dívidas e impedir uma paralisação imediata, mas não salva um modelo que perdeu competitividade. A Casas Bahia precisa usar esse tempo para modernizar a gestão, fortalecer a operação digital, recuperar margens e voltar a gerar caixa.”
Veículo: Online -> Site -> Site Diário do Grande ABC - Santo André/SP
Seção: São Caetano