Publicado em 06/08/2026 - 15:25 / Clipado em 06/08/2026 - 15:25
São Caetano lidera ranking da Grande SP e Pirapora tem pior desempenho em mapa da desigualdade
Redação
Mapa da Desigualdade revela diferenças de até 16 anos na expectativa de vida na Grande São Paulo; capital paulista aparece na 16ª posição

O primeiro Mapa da Desigualdade da Região Metropolitana de São Paulo revelou diferenças significativas nas condições de vida entre os 39 municípios que compõem a maior metrópole brasileira. Divulgado nesta quinta-feira (6), o estudo coloca São Caetano do Sul na liderança do ranking geral, enquanto Pirapora do Bom Jesus aparece na última colocação. A cidade de São Paulo ocupa o 16º lugar.
Produzido pela Rede Nossa São Paulo em parceria com o Instituto Cidades Sustentáveis, o levantamento reúne 40 indicadores distribuídos em nove áreas, entre elas saúde, educação, segurança pública, habitação, mobilidade, infraestrutura, meio ambiente, cultura e trabalho e renda. A pesquisa utiliza dados oficiais de órgãos como IBGE, DataSUS, Inep e Sistema Nacional de Informações em Saneamento Básico (Sinisa), com informações coletadas entre 2010 e 2024.
Na classificação geral, São Caetano do Sul alcançou 29 pontos. Santana de Parnaíba aparece em segundo lugar, com 27,6 pontos, seguida por Ribeirão Pires (27,3), Vargem Grande Paulista (25,7) e Poá (25,6). Entre os municípios com os piores resultados estão Pirapora do Bom Jesus (17), Francisco Morato (18), Juquitiba (20), Itapecerica da Serra (20) e Embu das Artes (20,4). A capital paulista registrou 23,5 pontos.
Diferença de 16 anos na longevidade
Um dos indicadores que mais evidencia a desigualdade regional é a idade média ao morrer. Em São Caetano do Sul, a população vive, em média, até os 76 anos. Já em Francisco Morato, esse índice cai para 60 anos, uma diferença de 16 anos entre municípios separados por pouco mais de 60 quilômetros.
Além de São Caetano, apenas Santo André apresenta média superior a 70 anos. A capital paulista ocupa a terceira posição nesse indicador, com idade média de 69 anos. Em outras 14 cidades da região, a média é inferior a 65 anos.
A saúde também apresenta diferenças importantes em outros aspectos. Enquanto Vargem Grande Paulista registra cobertura vacinal de 99,8%, Rio Grande da Serra imunizou apenas 29% da população-alvo.
Habitação e segurança
Na área habitacional, Mauá concentra o maior percentual de moradores vivendo em favelas e comunidades urbanas, com 27,5% da população. Em seguida aparecem Itaquaquecetuba, com 24,7%, e Diadema, com 22,3%. Na cidade de São Paulo, esse índice é de 15%.
Por outro lado, Guararema, Juquitiba, Salesópolis, Santa Isabel, São Caetano do Sul, São Lourenço da Serra e Vargem Grande Paulista não registram moradores vivendo em favelas ou comunidades urbanas, de acordo com a metodologia utilizada no estudo.
Na segurança pública, um dos indicadores analisados foi a taxa de notificações de violações de direitos humanos contra a população LGBTQIA+, registradas pelo Disque 100. Itaquaquecetuba lidera esse ranking, com 47,1 notificações para cada 100 mil habitantes. Na capital paulista, a taxa é de 11,52 registros por 100 mil moradores.
Investimentos variam mais de 500 vezes
O estudo também identificou grandes diferenças nos investimentos municipais em infraestrutura urbana. Barueri lidera o ranking, com aplicação de R$ 1.157,30 por habitante em 2023. Guararema, Cajamar, Itapevi e Santana de Parnaíba também aparecem entre os maiores investimentos por morador.
Na outra ponta, Pirapora do Bom Jesus, Biritiba Mirim e Diadema não registraram investimentos na área no período analisado. Entre os grandes municípios, Guarulhos investiu R$ 298 por habitante, enquanto Osasco destinou R$ 50 por morador.
Segundo os organizadores, a diferença entre o maior e o menor investimento supera 500 vezes.
Saneamento ainda apresenta grandes contrastes
A infraestrutura de saneamento básico também expõe diferenças expressivas. Em Juquitiba, apenas 19,5% da população possui acesso à rede de esgoto. Já Poá, Santo André e Taboão da Serra registram cobertura total.
No abastecimento de água, 11 municípios atingem atendimento universal. Em contrapartida, São Lourenço da Serra e Juquitiba atendem menos da metade de seus moradores.
PIB elevado não garante melhores indicadores
Na análise econômica, Cajamar apresenta o maior Produto Interno Bruto (PIB) per capita da região metropolitana, com R$ 312,7 mil por habitante. Francisco Morato ocupa a última posição, com R$ 13,5 mil por morador.
Os responsáveis pelo levantamento ressaltam, no entanto, que o PIB per capita representa a produção econômica dos municípios e não, necessariamente, a renda da população. Por isso, cidades com forte presença industrial ou logística podem apresentar elevado desempenho econômico sem refletir, na mesma proporção, em melhores indicadores sociais.
De acordo com os organizadores, o estudo busca oferecer um panorama das desigualdades territoriais da Grande São Paulo e servir de base para a formulação de políticas públicas voltadas à redução das diferenças entre os municípios.
Veículo: Online -> Site -> Site Diário de S.Paulo
Seção: São Caetano