Publicado em 01/07/2026 - 08:22 / Clipado em 01/07/2026 - 08:22
Tenente baleado está na PM há 16 anos e é considerado dedicado por colegas
Redação
- Ronickson Pimentel atua na Rota desde 2019, após passar por unidades da Grande SP
- Policial segue internado depois de ser baleado na cabeça no sábado (27)
O tenente da Rota (Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar) Ronickson Pimentel dos Santos, 39, é classificado por seus pares como um policial dedicado, com diversos cursos de especialização, entre eles um de combate ao crime organizado.
O oficial está internado em estado grave no Hospital Estadual Mário Covas, em Santo André, no ABC, após ter sido baleado na cabeça no final da manhã do sábado (27) na avenida Goiás, principal via de São Caetano do Sul, cidade vizinha.
O policial foi ferido ao parar a motocicleta em um semáforo. Ele havia saído de uma academia. A moto em que estavam os dois homens autores do crime foi abandonada na rua Roberto Koch, na Vila Independência, em São Paulo —ponto a cerca de 5 km do local do ataque. Após deixar o veículo, os atiradores teriam caminhado poucos metros até a rua Floriano de Sá. A identidade deles e o paradeiro são desconhecidos.
Ronickson ingressou na Polícia Militar como soldado em 2010 e foi direcionado para atuar na Grande São Paulo, onde trabalhou no policiamento convencional e na Força Tática.
Cinco anos depois, foi aprovado para a Academia do Barro Branco, unidade destinada à formação de oficiais da PM. Após concluir o curso, retornou ao ABC, onde atuou no 6º Baep (Batalhão de Ações Especiais de Polícia), com sede em São Bernardo do Campo.
Em 2019 passou a integrar o 1º Batalhão de Choque, a Rota, onde está lotado atualmente.
Conforme o boletim médico mais recente, divulgado pela Rota por volta das 13h desta terça-feira (30), o tenente permanece na UTI (Unidade de Terapia Intensiva), com quadro clínico estável e sem alterações significativas em relação à avaliação anterior. Há "sinalização positiva quanto à possibilidade de redução do nível de sedação", diz o texto.
A investigação tem duas frentes: uma conduzida pelo DHPP (Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa), da Polícia Civil, e outra pela Corregedoria, por meio da unidade PM Vítima. Ambas tentam identificar e prender os atiradores. Outros dois homens suspeitos de envolvimento indireto no caso foram detidos, e a Justiça decretou a prisão temporária deles.
Ronickson é irmão mais velho de Eloá Pimentel, morta aos 15 anos por Lindemberg Alves na casa em que ela morava em Santo André, em outubro de 2008. Após cerca de 100 horas de sequestro, policiais militares do Gate (Grupo de Ações Táticas Especiais) invadiram o local e prenderam Alves.
Até o momento, as polícias evitam comentar hipóteses para o ataque. No entanto, as investigações apontam para uma ação planejada, com estudo prévio de horários e locais, segundo policiais ouvidos pela reportagem.
A sequência de movimentos também é corroborada por um documento obtido pela Folha, no qual a Justiça afirma não se tratar de delito praticado por agente isolado, mas de empreitada criminosa complexa que envolveu, ao menos em uma avaliação preliminar, múltiplos participantes com funções distintas. Ao menos cinco pessoas são suspeitas de participação.
"A dinâmica dos fatos indica, ainda, que não se trata de ação delitiva comum, mas de investida coordenada direcionada contra agente policial, com sinais evidentes de planejamento prévio, divisão de tarefas, utilização de veículos de apoio e estratégias de evasão e ocultação de vestígios, o que evidencia elevado grau de organização e periculosidade", diz trecho do documento.
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Seção: São Caetano