Clipclap

Aguarde ...

Portal Estadão

Publicado em 30/06/2026 - 19:37 / Clipado em 30/06/2026 - 19:37

Ataque a tenente da Rota teve ‘atuação planejada e altamente organizada’, aponta investigação


Redação

Dois suspeitos foram presos temporariamente no domingo sob suspeita de dar cobertura logística para o crime

 

As investigações do ataque ao tenente da Rota (Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar) Ronickson Pimentel dos Santos indicam que o caso foi marcado por uma “atuação planejada e altamente organizada de múltiplos agentes”. Isso é o que aponta documento da Justiça paulista, obtido pelo Estadão, em resposta ao pedido de decretação da prisão temporária de dois dos suspeitos de envolvimento no crime.

Primeiro-tenente da Rota, Ronickson foi baleado na manhã de sábado, 27, quando estava em um semáforo em São Caetano do Sul, região metropolitana de São Paulo. Ele é o irmão mais velho de Eloá Pimentel, assassinada no sequestro mais longo da história de São Paulo, em outubro de 2008.

Alvo de diversos disparos, o tenente passou por uma “complexa cirurgia neurológica” e tem o quadro de saúde considerado grave, mas estável, segundo informações da Polícia Militar. Boletim médico desta terça-feira, 30, indica que ele pode inclusive ter redução do nível de sedação.

Dois suspeitos foram presos temporariamente ainda no domingo, 28. Eles são investigados por darem cobertura logística para o crime. Dois veículos também foram apreendidos (leia mais abaixo). O caso é investigado pelo Departamento Estadual de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP) da Polícia Civil, com suporte da Corregedoria da PM.

Conforme mostram as imagens de câmeras de segurança, Pimentel foi baleado quando estava em uma motocicleta, parado em um semáforo da Avenida Goiás. A gravação (veja mais acima) aponta que ao menos dois suspeitos participam da ação, aproximando-se do alvo por meio de outra moto.
 

Moto usada no ataque tinha ‘sinais de adulteração’

O documento, assinado pelo juiz Gabriel D’Andrea, da comarca de Santo André, aponta que investigações indicam que a moto usada pelos dois criminosos que cometeram o ataque “ostentava sinais de adulteração e registro vinculado a produto de crime anterior”, o que evidenciaria o “caráter estruturado da empreitada criminosa”.

A Polícia Civil aponta também que a análise integrada das imagens de monitoramento urbano demonstrou a direta vinculação de um veículo Renault Logan ao crime.

Conforme as investigações, antes e após os disparos, o automóvel foi usado de forma coordenada pelos criminosos, inclusive acompanhando a motocicleta utilizada no atentado.

Depois, o veículo Logan teria passado a trafegar conjuntamente com outros dois veículos, incluindo um Astra, um dos veículos apreendidos pela polícia (veja imagem abaixo). “As imagens coligidas revelam que os três veículos mantiveram deslocamento coordenado, com proximidade constante, e que houve posterior encontro entre seus ocupantes em local de pouca movimentação”, aponta o magistrado.

O documento da Justiça paulista obtido pelo Estadão indica que as investigações afastam “de forma robusta qualquer hipótese de encontro fortuito, evidenciando que os agentes permaneceram vinculados mesmo após a execução”.
 

‘Não se trata de ação delitiva comum’, diz juiz

“A dinâmica dos fatos indica, ainda, que não se trata de ação delitiva comum, mas de investida coordenada direcionada contra agente policial, com sinais evidentes de planejamento prévio, divisão de tarefas, utilização de veículos de apoio e estratégias de evasão e ocultação de vestígios, o que evidencia elevado grau de organização e periculosidade”, aponta trecho do documento.

Diante disso, D’Andrea concluiu que “a manutenção dos investigados em liberdade representa risco real de destruição ou ocultação de provas, especialmente dados eletrônicos, e interferência na colheita da prova oral”.

Com base nos elementos reunidos pela investigação, o magistrado deferiu a prisão temporária dos dois suspeitos e o cumprimento de mandados de busca e apreensão em endereços indicados pela investigação, além de autorizar a extração de dados de aparelhos celulares apreendidos.
 

Como a polícia identificou trajeto de fuga dos criminosos

Como mostrou o Estadão, imagens de câmeras de monitoramento, cruzadas com dados de inteligência, permitiram à polícia reconstituir a fuga dos autores do atentado contra o tenente em São Caetano do Sul.

A partir da análise das gravações do Smart Sampa, sistema de monitoramento da Prefeitura, investigadores mapearam o trajeto percorrido pelos criminosos logo após os disparos. 

As imagens mostram a fuga até a comunidade de Heliópolis, na zona sul, onde a motocicleta utilizada no crime foi abandonada. Em seguida, os suspeitos seguiram a pé.

O rastreamento também permitiu identificar a participação de veículos que teriam dado suporte à ação criminosa. Segundo a investigação, um automóvel levou um dos suspeitos até o ponto onde ele embarcou na motocicleta usada no atentado, enquanto outros carros foram associados ao apoio logístico antes e depois da tentativa de homicídio.

As informações foram compartilhadas entre a Guarda Civil Metropolitana (GCM), a Polícia Militar e a Polícia Civil, o que permitiu avançar na localização dos envolvidos. Na madrugada de domingo, um dos veículos monitorados foi localizado, e um homem foi levado para prestar esclarecimentos.

Com base no conjunto de provas reunidas, a Justiça decretou a prisão temporária dos dois homens já presos, que foram localizados na região de Guaianases, na zona leste. Os dois veículos apreendidos, que seriam ligados aos investigados, ainda serão submetidos à perícia. /COLABOROU RARIANE COSTA

 

https://www.estadao.com.br/sao-paulo/ataque-a-tenente-da-rota-teve-atuacao-planejada-e-altamente-organizada-aponta-investigacao/

Veículo: Online -> Portal -> Portal Estadão

Seção: São Caetano