Publicado em 28/06/2026 - 08:35 / Clipado em 28/06/2026 - 08:35
Força-tarefa busca esclarecer atentado contra tenente da Rota, irmão de Eloá, em SP
Três pessoas foram conduzidas na madrugada, mas apenas duas continuam sendo averiguadas
Coronel Gonzaga classifica atentado como 'agressão ao Estado' e diz que corporação está indignada
Bárbara Sá
São Paulo
A SSP (Secretaria da Segurança Pública) de São Paulo afirmou neste domingo (28) que ainda reúne provas para confirmar a participação de dois homens detidos por suspeita de envolvimento no atentado contra o 1º tenente da Polícia Militar Ronickson Pimentel dos Santos.
O secretário da Segurança Pública, Osvaldo Nico Gonçalves, afirmou que o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) acompanha o caso de perto, cobra o avanço das investigações e que a polícia espera concluir novas diligências até o fim do dia.
Pimentel, como é chamado na corporação, é irmão de Eloá Pimentel, morta pelo ex-namorado em 2008, em caso que chocou o país. Ele pertence ao 1° Batalhão de Polícia de Choque, a Rota (Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar), considerada uma tropa de elite da corporação paulista.
Segundo Nico, a investigação segue em andamento e a responsabilização dos dois homens dependerá das provas reunidas pela força-tarefa.
"Tudo depende de provas, a gente tem que colocar a pessoa no cenário", afirmou. O secretário disse ainda que policiais civis e militares trabalham desde o momento do atentado para identificar todos os envolvidos. "O governador acabou de ligar. Ele quer resolver, eu também quero. Eu quero pegar essas pessoas e levá-las à Justiça", declarou.
Ao lado do secretário, o chefe do Centro de Comunicação Social da PM, coronel Ivan Gonzaga, afirmou que o ataque provocou indignação na corporação e classificou o atentado como "uma agressão ao Estado".
"A polícia já se posicionou desde o primeiro momento indignada com esse tipo de atitude. Não é uma mera agressão a um policial, é uma agressão ao Estado. Toda a instituição está ao lado dele, orando para a melhora e acompanhando a família", disse.
Questionado sobre a informação divulgada inicialmente de que um dos conduzidos teria confessado participação no crime, Gonzaga afirmou que a polícia ainda não pode confirmar essa versão.
"Não tenho nenhuma informação a respeito dessa suposta alegação de que ele teria confessado. Agora não é o momento exato da gente fazer afirmações", afirmou.
A diretora do DHPP (Departamento Estadual de Homicídios e de Proteção à Pessoa), Ivalda Aleixo, informou que o inquérito é conduzido pelo departamento com apoio de uma força-tarefa formada por policiais civis e militares.
"Nosso departamento está presidindo o inquérito para o esclarecimento desse crime terrível. Temos uma força-tarefa e todas as polícias estão participando das diligências e da colheita de provas", disse. Segundo a delegada, a expectativa era avançar nas investigações ainda neste domingo.
Na madrugada, policiais militares conduziram três pessoas após um trabalho de inteligência baseado no cruzamento de informações e na análise de denúncias.
Dois homens permanecem sendo averiguados por suspeita de envolvimento no atentado. A terceira pessoa, parente de um dos investigados, foi conduzida durante a ação, mas não é apontada como suspeita de participação no crime.
O atentado ocorreu na manhã de sábado (27), na avenida Goiás, em São Caetano do Sul, na Grande São Paulo. Pimentel estava à paisana, em uma motocicleta parada em um semáforo quando foi surpreendido por dois homens em outra moto, que efetuaram diversos disparos.
O tenente foi atingido na cabeça, recebeu os primeiros socorros no local e foi levado pelo helicóptero Águia ao Hospital Estadual Mário Covas, em Santo André. Ele passou por uma cirurgia neurológica de emergência e permanece internado em estado grave.
As investigações prosseguem para identificar os autores do atentado e esclarecer a participação de todos os envolvidos.
Relembre o caso Eloá Pimentel
O caso Eloá chocou o país e teve repercussão internacional em 2008. Eloá Cristina Pimentel foi atingida por uma bala na cabeça e outra na virilha por seu ex-namorado, Lindemberg Fernandes Alves.
Ela tinha 15 anos e foi mantida refém por mais de cem horas por Lindemberg, que à época tinha 22 anos, em um apartamento em Santo André (SP). O rapaz estava inconformado com o fim da relação e invadiu o apartamento onde a ex-namorada estudava. Os disparos foram feitos quando a polícia entrou no local.
Veículo: Online -> Portal -> Portal Folha de S. Paulo
Seção: Cotidiano