Mauá oferece atendimento no AME Animal (Assistência Médico-Veterinária Especializada), um serviço municipal que realiza consultas, cirurgias de baixa complexidade, exames, radiografias, microchipagem etc, mas quem precisa de atendimento de urgência, deve recorrer a cidades vizinhas.
É o caso da protetora animal e moradora do Jardim Zaíra, Agatha Santos Luz, de 36 anos, que precisou recorrer a outras cidades da região para conseguir atendimento gratuito aos animais, mas mesmo com a procura, não conseguiu. Em entrevista ao RD, a munícipe conta que chegou a procurar o Hospital Veterinário São Lázaro, em São Caetano, mas que uma das exigências para conseguir o atendimento era a de que o tutor fosse morador da cidade. “Simplesmente negaram o atendimento. Perdi um dos gatos e o outro só conseguimos manter vivo graças a uma rifa que fizemos entre os protetores”, conta.
Em Santo André, o Hospital Veterinário Municipal realiza, em média, 800 novos atendimentos por mês. Considerando retornos e teleatendimentos, o número chega a aproximadamente 2.200 procedimentos mensais. A unidade oferece consultas clínicas, cirúrgicas, ortopédicas, exames laboratoriais e de imagem, além de cirurgias, internação, castração e atendimento emergencial.
Distribuição diária de 30 senhas
Segundo a administração municipal, não há fila de espera para consultas. O atendimento ocorre por meio da distribuição diária de 30 senhas, enquanto os casos considerados urgentes passam por triagem veterinária e recebem prioridade. Para cirurgias eletivas, a agenda de espera é de aproximadamente dois meses.
Em São Bernardo, onde o Hospital Público Veterinário registra a média de 800 e 900 atendimentos mensais, a moradora de Mauá também diz não ter conseguido atendimento pelo mesmo motivo. Para utilizar o serviço, o tutor precisa comprovar residência na cidade e possuir cadastro ativo no CadÚnico. A administração informa, ainda, que o equipamento oferece consultas clínicas e especializadas, exames laboratoriais, cirurgias, ultrassonografia, radiografia e ecocardiograma.
Em Diadema a Prefeitura diz estudar parcerias e convênios com clínicas veterinárias, universidades e organizações não governamentais para ampliar a oferta de assistência veterinária na cidade, enquanto Rio Grande da Serra e Ribeirão Pires sequer possuem equipamentos municipais para esse tipo de atendimento.
Demanda pressiona capacidade de hospitais
Do ponto de vista do médico-veterinário e protetor animal de Ribeirão Pires, Eduardo Toledo, casos como os relatados pelas tutoras mostram um desafio enfrentado por diversas cidades brasileiras: a alta demanda por atendimento veterinário que cresce em ritmo superior à capacidade de expansão da rede de atendimento público da cidade.
Segundo Toledo, sintomas de falta de ar, desmaios e crises cardíacas, como os apresentados na reportagem, são considerados emergência e exigem avaliação imediata de profissionais especializados. “Assim como na medicina humana, na medicina veterinária existem situações em que minutos fazem a diferença entre recuperação e agravamento do quadro. Problemas respiratórios, por exemplo, podem evoluir rapidamente para insuficiência respiratória e levar o animal à morte”, explica.
O veterinário avalia que a ampliação de acesso aos hospitais públicos pode representar um avanço importante para a proteção animal. “Quando há poucos equipamentos para atender uma região inteira, é natural que exista a sobrecarga, filas e limitações de acesso. O desafio é não só abrir mais unidades, mas garantir equipes, estrutura e capacidade para absorver essa demanda crescente”, diz.