Publicado em 01/06/2026 - 19:25 / Clipado em 01/06/2026 - 19:25
Dívida, CPI, corte de programas e pessoal levaram a racha entre Auricchio e Tite
George Garcia

Regina Maura e Edison Parra participaram do RDCast. (Fotos: Reprodução)
A entrevista da vice-prefeita de São Caetano, Regina Maura Zetone ao RDCast na última semana, ainda levanta muita poeira sobre o racha entre o prefeito Tite Campanella (Republicanos) e o chefe do Executivo sancaetanense, José Auricchio Júnior (PSD). As principais chagas nesta divisão dos antigos aliados políticos seria a dívida da prefeitura e a mudança radical de projetos para a cidade, com o desmonte de alguns equipamentos públicos entregues pelo social democrata e a perseguição arguida pela vice-prefeita e ex-secretária de saúde da gestão passada.
Na entrevista exclusiva de Regina Maura, ela disse falou sobre o processo de violência política e de gênero que apresentou contra Tite na justiça eleitoral e, ao falar da dívida da prefeitura, mencionou que se tivesse sido vereadora e, consequentemente apoiado os projetos de Auricchio, não teria proposto uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito). Ela se refere à comissão de investigação que acabou, em abril deste ano, com relatório aprovado pela Câmara apontando o crescimento da dívida do município que chegou a mais de R$ 1 bilhão.
Regina disse que após sua critica à propositura de CPI, no ano passado, passou a sofrer retaliações, com a retirada de assessores, demissão de servidores indicados por ela e que passou também a não ser convidada para reuniões de planejamento ou mesmo eventos públicos de entrega de obras. “O Tite já quis romper comigo logo quando pediu para médicos fazerem relatório sobre o Pronto Cardio, que eu teria sido negligente porque a obra seria desnecessária e que não haveria sustentabilidade orçamentária para manter, isso para mim foi um erro crasso”, relatou a vice-prefeita que foi secretária de Saúde por quase 20 anos.
O vereador Edison Parra (Podemos), relator da CPI, contrapôs Regina Maura, em nova entrevista ao RDCast, dizendo que ela não teria ideia do que eram os restos a pagar. “A gente só descobre os restos a pagar olhando o balanço que fecha no último mês do último ano. Apontavam R$ 78 milhões no balanço da prefeitura assinado pelo Auricchio, e a CPI apurou R$ 310 milhões. Os vereadores não sabiam, nem da situação nem da oposição. Essa coisa de falar que os vereadores sabiam é furada, o vereador tem que fiscalizar. Esse racha deve ter sido motivado por esses números e críticas ao governo que não tinha sentado na cadeira ainda”.
O relatório da CPI foi aprovado por 18 votos favoráveis e dois contrários, que foram dos vereadores Olyntho Voltarelli (PSD) e Matheus Gianello (PL), este último é alvo de uma comissão processante na Câmara, por quebra de decoro, após denúncia feita ao Ministério Público contra ele. Gianello é próximo de Auricchio.
Logo depois da fala de Regina Maura, o vereador e líder do governo na Câmara de São Caetano, César Oliva (PSD) respondeu às críticas da vice prefeita sobre a CPI. “Com todo o respeito, mas a vice-prefeita, se lesse o relatório da Fundace, e o relatório final da CPI, entenderia o porquê a CPI foi criada, o rombo deixado não tem nada a ver com precatórios, projetos aprovados ou operações de crédito, mas principalmente pelos restos a pagar, cancelamentos de notas fiscais de fornecedores, afinal, só no dia 30/12/2024 mais de R$ 30 milhões de pagamentos de fornecedor foram cancelados”, apontou.
Oliva também presidiu a CPI da dívida da gestão anterior e também defendeu a comissão. “Só de dívida deixada na área da saúde, com a Fundação do ABC, iniciamos o governo com a dívida de mais de R$ 70 milhões, fora todos os outros cancelamentos de pagamento de notas fiscais. Só no dia 30/12/2024, penúltimo dia do ano, mais de R$ 30 milhões de pagamentos à fornecedores foram cancelados, contrariando a Lei de Responsabilidade Fiscal e pedalando esse pagamento para o novo governo. Ao todo foram mais de R$ 340 milhões de restos a pagar, uma dinamite acesa e passada ao novo governo. Importante deixar muito claro que a Câmara aprova empréstimo, mas não cuida de fluxo de caixa, programação de obra, muito menos se as notas fiscais estão sendo pagas ao fornecedor, essas bombas costumam aparecer apenas no exercício seguinte”, pontua o líder do governo na Câmara.
“Declaro com tranquilidade que a CPI foi muito necessária para trazer este escândalo a tona, nesta semana enviarei uma cópia do relatório final da CPI ao gabinete da Dra Regina Maura poder apreciar todas as informações que descobrimos de forma técnica e embasada, assim a mesma também poderá compreender melhor o porque a Câmara aprovou a CPI e seu relatório final quase que por unanimidade”, conclui César Oliva.
Para a vereadora de oposição, Bruna Biondi (PSol) o endividamento da prefeitura não era nenhuma novidade e já vinha de outros anos, mas ainda assim ela disse defender a CPI como instrumento de fiscalização da Câmara. “A parte final do endividamento total que vem de precatórios, operações de crédito e restos a pagar ficou num bolo que dá essa dívida bilionária. Acho que ambos (Parra e Regina) têm seus motivos, um para falar a favor e outro contra. O Parra não diz abertamente, mas tem um diálogo maior com o Tite. Na CPI eu fui barrada, tive que recorrer à Justiça para poder acompanhar o andamento dos trabalhos, mas é um instrumento importante, só poderia ter menos disputas políticas, na medida do possível”, aponta.
A parlamentar disse ainda que o endividamento não era novidade e poderia ser claramente visto no aumento dos precatórios e operações de crédito adicional. “Passou uma lei aqui na Câmara que mudava essa questão das dívidas apontando que a maior parte deveria ir mesmo para precatórios, o que é ruim porque é uma dívida que demora a ser paga. Nosso mandato também pediu a investigação diante de suspeita de superfaturamento na merenda e na compra de cestas básicas, então os vereadores não foram pegos de surpresa”, completa.
Violência
Sobre a denúncia de Regina Maura sobre violência política de gênero, o líder do governo contesta. “No meio político as pessoas tem o direito de alegar qualquer coisa, mas tem que ter a responsabilidade de provar. Eu particularmente nunca presenciei qualquer ação do governo ou da Câmara com relação a violência política de gênero contra qualquer mulher, muito menos contra a vice Regina Maura. Temos um governo que tem mais de 80% dos cargos de confiança, comissionados, gratificados e secretariado, composto por mulheres, entendo que esse contexto fala por si só. O cargo de vice é de vacância, de expectativa, de substituição quando possível ou necessário”, sustenta César Oliva.
Sobre Regina Maura ter assegurado presença em eventos na Câmara, com pedido feito na presidência da Casa, Oliva diz que nem todas as autoridades presentes encontram lugar na mesa por questão de espaço físico mesmo. “A mesa na Câmara é pequena e sempre temos dificuldades para conseguir alocar todas as autoridades necessárias, sendo assim quando o prefeito ou seu representante compõem a mesa, entendemos contemplada a representatividade do Poder Executivo, qualquer construção de raciocínio diferente para mim não passa de narrativa. Em grande parte de eventos solenes, a Câmara é representada pelo seu presidente em exercício, e o restante do grupo compreende pois é isso que se espera de quem possui maturidade política, o Poder Legislativo tem uma figura que o representa, o mesmo ocorre com o Poder Executivo”, completa.
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Seção: Política