Publicado em 27/05/2026 - 19:24 / Clipado em 27/05/2026 - 19:24
'Diário' tem acesso a imagens de briga entre vereadores de São Caetano
Redação
Gravações do circuito interno do Legislativo mostram Caio Salgado partindo para cima de Matheus Gianello
A confusão entre os vereadores de São Caetano Caio Salgado e Matheus Gianello, ambos do PL, ocorrida na noite do último dia 12, no 3º andar da Câmara, e que terminou com acusação de agressão e registro de BO (boletim de ocorrência) na Delegacia Sede, ganhou um novo episódio. O Diário teve acesso exclusivo às imagens do circuito interno do prédio Legislativo. Comprovada a violência física, o agressor poderá perder o mandato.
O desdobramento ocorre um dia após a Câmara ter aprovado pedido de abertura de comissão processante que poderá levar Gianello, que faz oposição ao governo do prefeito Tite Campanella (Republicanos), à cassação.
As gravações mostram, após a sessão, por volta das 19h50, os parlamentares deixando o plenário e entrando no elevador. No desembarque, a câmera do corredor do andar onde ficam os gabinetes registra Caio caminhando à frente de Gianello. A dupla é acompanhada pelos vereadores Gilberto Costa (Progressistas) e Olyntho Voltarelli (PSD), além de uma assessora.
Caio abre o gabinete enquanto Gianello acessa sua sala, vizinha a do colega parlamentar. Nesse momento, Caio retorna e parte em direção a Gianello. As imagens não deixam claro se houve troca de socos ou apenas empurrões. Em seguida, há correria, e outros vereadores intervêm para separar a briga. As gravações, que já estão em posse da Polícia Civil, podem reforçar as investigações.
“Ele premeditou uma agressão. Não me agrediu onde achava que tinha câmeras. Invadiu meu gabinete e me confrontou”, declarou Gianello. O vereador disse ainda que seguirá com a representação criminal por ameaça e agressão, além de pedir indenização civil, a cassação do mandato do colega e sua expulsão do partido.
Procurado, Caio afirmou ao Diário que após sofrer ataques pessoais e familiares em plenário, fora de um contexto político, subiu no elevador com outras pessoas e que até então estava “tudo tranquilo”. Porém, alega que ao entrar em sua sala teria sido “provocado novamente”. Nesse momento confirma ter ido ao gabinete vizinho “tirar satisfação” e que “houve um estranhamento inicial”. “Os ânimos estavam acalorados”, pontuou.
A confusão que levou à acusação de agressão começou com bate-boca em plenário no dia 12 de maio, durante a discussão sobre um pedido de destituição do presidente da Câmara, Carlos Humberto Seraphim, o Dr. Seraphim (PL). O pedido acabou arquivado.
Após o encerramento dos trabalhos legislativos, Gianello afirmou ter sido agredido por Caio. “Me jogou contra a parede”, disse.
Durante os embates em plenário, Gianello sugeriu que Caio teria divergências com familiares. Também afirmou que o correligionário seria um “coitado” e “um câncer” para a cidade. Disse ainda que o desafeto não “consegue se eleger sem a Apae (Associação dos Pais e Amigos dos Excepcionais)” – a família Salgado se alterna há anos no comando da instituição.
Revoltado com as declarações, Caio elevou o tom e rebateu os insultos, chamando o colega de “vagabundo” por usar a sessão para comprar vinhos pela internet e afirmando que Gianello só foi eleito por ter um “tio”, em referência ao ex-prefeito José Auricchio Júnior (PSD), padrinho político do vereador.
Na ocasião, Caio afirmou ao Diário que apenas respondeu às provocações de Gianello e que continuou sendo provocado durante e após a sessão. “Disse que eu não tinha caráter e falou da minha família. Estava indo para meu gabinete quando ele continuou a me provocar. Houve um estranhamento. Que isso sirva de lição. Não vou admitir que ninguém fale da minha família. O recado está dado para ele e qualquer um da política.”
CASSAÇÃO
Arthur Rollo, especialista em Direito Eleitoral, declarou ao Diário que se comprovado qualquer ato de agressão praticado por parlamentar, dentro ou fora da Casa Legislativa, há quebra de decoro com consequente cassação do mandato. “Bater no colega fere o dever de urbanidade. Quando dois vereadores se pegam na porrada, isso fere a dignidade do cargo. Não é aceitável.”
Veículo: Online -> Site -> Site Diário do Grande ABC - Santo André/SP
Seção: São Caetano