Publicado em 27/05/2026 - 19:25 / Clipado em 27/05/2026 - 19:25
Regina Maura denuncia Tite Campanella por suposta violência política de gênero
Carlos Carvalho
A vice-prefeita de São Caetano, Regina Maura Zetone (PSD), denunciou o prefeito Tite Campanella (Republicanos) ao Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) por suposta prática de violência política de gênero. A Justiça Eleitoral autorizou a investigação. Ao RD Cast desta quarta-feira (27/05), a médica relatou que foi alvo de retaliações após se posicionar de forma crítica à CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Dívida, ficando longe de reuniões e eventos da Prefeitura. A gestão nega a acusação e lembra que o cargo da gestora é de expectativa, ou seja, acontece apenas na ausência do chefe do Poder Executivo.
Regina aponta que foi excluída de reuniões do secretariado, deixou de ser convidada/convocada para os eventos oficiais da Prefeitura, que deixou de ter protagonismo nas solenidades ao sequer ser citada ou mesmo ser chamada ao palco para ficar ao lado de outras autoridades. Também aponta a exoneração de funcionários de seu gabinete e exclusão de dois grupos no WhatsApp, um com todo o secretariado e outro para o recebimento de notícias sobre a cidade.
A médica revelou que chegou a procurar a Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) para fazer denúncia, porém, foi indicada a ferramenta Zap Delas, da Procuradoria Especial da Mulher do Senado. Após uma conversa com as procuradoras, houve o entendimento jurídico de que há indícios para uma investigação. Regina Maura reuniu as provas e realizou a ação contra Tite.
O RD entrou em contato com a Prefeitura de São Caetano sobre o assunto, mas não obteve resposta até o fechamento desta matéria. Caso ocorra, o texto será atualizado. Ao portal G1, enviou uma nota em que relatou que “o cargo de vice é de expectativa, e sua atividade é exercida na ausência do prefeito. A vice-prefeita possui gabinete próprio e marca presença em ações e eventos institucionais normalmente.”.
Início do conflito
O início dos problemas começou após a médica se posicionar de maneira contrária a realização da CPI da Dívida na Câmara, que investigou o aumento da dívida do município no comparativo entre os anos de 2023 e 2024, os últimos da gestão de José Auricchio Júnior (PSD), na qual Regina foi secretária de Saúde.
“Eu não me coloquei contra a CPI, eu só disse que se eu tivesse sido vereadora nos anos anteriores e tivesse votado a favor das operações de crédito e dos projetos, eu não faria uma CPI, porque foi uma coisa que eu votei a favor, que eu conheço. Toda a prestação de contas de cada uma daquelas operações de crédito está no Portal da Transparência, é tudo claro e transparente.”, comentou.
Na sequência, Tite fez uma viagem particular aos Estados Unidos que durou 14 dias, período em que não teria a obrigação de passar o cargo para a vice-prefeita, fato que foi entendido por Regina como a primeira resposta sobre suas opiniões. Na sequência houve a exoneração de alguns servidores que estavam em seu gabinete. Atualmente segue no dia a dia de trabalho, recebendo pessoas, mas indicando aos visitantes que não conta com poderes para levar as ideias ao Governo.
Busca por respostas
Regina Maura resolveu entrar em contato com a chefia de gabinete, com a Procuradoria Geral do Município e a assessoria jurídica da Prefeitura para questionar sobre a falta de convites para participar de eventos e a retirada dos grupos no WhatsApp. Mas a resposta foi de que o cargo de vice é um cargo de expectativa.
Ruptura entre Tite e Auricchio
Regina Maura era o principal nome de Auricchio para a sua sucessão em 2024. Mas para unir o grupo político e evitar a divisão que ocorreu em 2012, houve o entendimento de que Tite seria o candidato a prefeito e Regina ocuparia a vice. Mesmo com a união eleitoral, o rompimento ocorreu durante o primeiro ano de mandato. Para a médica, o fato se deu com o fim do Pronto Cárdio.
“Eu acho que o próprio Tite, ele já quis ter uma ruptura comigo e com o ex-prefeito no momento em que ele ordenou que a equipe técnica do hospital, secretária de Saúde e diretor do hospital, o diretor de saúde, fizesse um relatório a respeito do Pronto Cárdio, colocando que eu teria sido negligente em não avisar o prefeito que o Pronto Cárdio era uma obra desnecessária e um serviço desnecessário para a cidade e que não haveria sustentabilidade no orçamento para aquele serviço, o que não é uma verdade. Totalmente equivocada essa posição, tanto de quem escreveu como de quem replicou isso, uma vez que a maior mortalidade no País, hoje, é por doença cardiovascular e em São Caetano também.”, disse Regina.
Outra divergência foi sobre o encerramento das atividades da UBS (Unidade Básica de Saúde) Centro, que teve suas atividades encerradas e que foi um ponto de diversas públicas de Auricchio pelas redes sociais.
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Seção: Política