Publicado em 19/05/2026 - 18:15 / Clipado em 19/05/2026 - 18:15
Número de mortes no trânsito do ABC é o maior em 11 anos; motociclistas lideram
George Garcia
O ABC bateu recorde no primeiro quadrimestre deste ano nas mortes no trânsito. Entre janeiro e abril, 89 pessoas perderam a vida nas ruas, avenidas e estradas da região, o maior número para um primeiro quadrimestre desde que os dados de acidentes começaram a ser tabulados na plataforma Infosiga (Sistema de Informações Gerenciais de Sinistros de Trânsito), em 2015. A totalização está 12,6% acima dos 79 mortos do mesmo período do ano anterior, até então a maior marca alcançada pela região. O histórico de mais de uma década mostra que os motociclistas são maioria dentre os mortos e, no primeiro quadrimestre deste ano não foi diferente, quatro em cada dez mortos estavam em motocicletas.
Os dados do Infosiga, divulgados nesta semana, mostram que o mês de abril, isoladamente, foi menos violento do que abril de 2025. Foram 23 mortos no ano passado e 18 neste, mas essa queda de 27,7% não foi suficiente para abafar a alta de mortes que se desenhou ao longo de 2026, que teve fevereiro e março com números mais elevados do que no ano anterior.
Os dados sistema de acidentes de trânsito também mostram que a região está na contramão do Estado, que reduziu o número de mortes no comparativo dos primeiros quadrimestres de 2025 e 2026, de 1.918 óbitos para 1.812, respectivamente. Essa queda no território paulista, no entanto vem após uma alta em 2024, que teve 1.888 mortos nos primeiros quatro meses daquele ano, frente às 1.583 vítimas fatais dos primeiros quatro meses de 2023. (Veja quadro)

Os números do Infosiga chamam a atenção para Diadema que mais do que dobrou o número de mortes no trânsito do ano passado para cá. No primeiro quadrimestre de 2025 a cidade teve seis mortes e neste ano o número saltou para 13. Ainda assim um número menor do que o verificado na cidade no primeiro quadrimestre de 2020, quando acidade teve 19 mortes e liderou o ranking de fatalidades da região naquele ano, superando cidades maiores como Santo André e São Bernardo.
Em Mauá os mortos no trânsito também subiram; de janeiro a abril do ao passado foram oito mortos e no mesmo período deste ano foram 11. O mesmo aconteceu em Ribeirão Pires, de quatro para sete fatalidades. São Bernardo manteve o mesmo número de óbitos, 38 casos, nos dois períodos.
Onde houve queda ela foi muito sutil, de apenas um caso. Em Santo André foram 20 casos nos primeiros quatro meses do ano passado e 19 até abril deste ano. São Caetano reduziu as fatalidades de dois para um caso e Rio Grande da Serra que entre janeiro e abril de 2025 tinha registrado um óbito no trânsito, não teve registros este ano.
Quatro em cada dez mortos no trânsito do ABC estavam em motocicletas este ano. Dos 89 mortos, 40% eram motociclistas; 33% eram pedestres, 19% estavam em carros, 6% em bicicletas e 1% em caminhão.
Em um destes casos fatais envolvendo motociclistas, um jovem de 28 anos morreu ao se envolver em um acidente no dia 16 de março, na avenida Perimetral, em Santo André, uma das vias de trânsito mais intenso do ABC. De acordo com as informações obtidas na época com a prefeitura, o jovem teria perdido o controle da moto e colidiu contra um poste. Ele chegou a ser atendido no local por equipes do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência), mas não resistiu e morreu no local.
Quanto ao gênero, os homens são a absoluta maioria entre os óbitos. Foram 71 homens (81%) que perderam a vida neste primeiro quadrimestre e 17 mulheres (19%). Há ainda um caso com informações não disponíveis. O perfil da maioria dos mortos, portanto, é de homens e jovens, já que praticamente metade das 71 vítimas do sexo masculino (35 delas) tinha menos de 40 anos de idade.
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Seção: Cidades