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Publicado em 17/05/2026 - 08:05 / Clipado em 17/05/2026 - 08:05

ABC registra mais de 10 mil violações contra crianças e adolescentes


Amanda Lemos 

 

O Maio Laranja, campanha de combate ao abuso e à exploração sexual de crianças e adolescentes, acende alerta no ABC. Dados do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania mostram que, entre janeiro e abril de 2026, as sete cidades da região registraram 1.761 denúncias relacionadas à violência contra esse público. Os casos resultaram em 1.006 protocolos e 10.976 violações de direitos.

Os maiores volumes de registros estão concentrados nas cidades mais populosas da região. São Bernardo lidera o ranking, com 4.148 violações, seguida por Santo André, com 2.538, e Diadema, com 2.357. Mauá aparece na sequência, com 1.286 casos.

Os dados relacionados à violência contra a integridade física também chamam atenção na região. Entre janeiro e abril deste ano, São Bernardo registrou 603 denúncias desse tipo, seguido por Santo André, com 379, e Diadema, com 347. Mauá contabilizou 195 ocorrências. Já Ribeirão Pires teve 44 denúncias, São Caetano 32 e Rio Grande da Serra 14.

Para a psicóloga infantil Mariana Alves Castro, os casos de agressão física muitas vezes acontecem dentro do próprio ambiente familiar, cenário que dificulta a identificação das vítimas e amplia os episódios de subnotificação. “Na maioria das vezes, o agressor faz parte do convívio da vítima. Isso faz com que muitas crianças tenham medo de denunciar ou sequer entendam que vivem uma situação de violência. Como acontece dentro de casa, longe do olhar público, muitos casos permanecem invisíveis por bastante tempo”, afirma.

Apesar dos demais municípios da região apresentarem números menores de notificações, os dados mostram que a violência contra crianças e adolescentes está presente no dia-a-dia das cidades e em toda a região. Para a coordenadora do curso de Direito da Faculdade Anhanguera, Marcela Soares, as notificações mostram justamente a necessidade de atenção permanente em todos os municípios, independentemente do porte populacional.

“Os números acompanham a densidade populacional, mas isso não significa que o problema esteja restrito aos grandes centros. A violência muitas vezes é invisível e subnotificada, especialmente em municípios menores, o que exige atenção constante e ações de conscientização em toda a região”, afirma.

Canais de denúncia

Além das campanhas de conscientização, especialistas reforçam a importância dos canais de denúncia. Casos de violência contra crianças e adolescentes podem ser comunicados pelo Disque 100, que funciona 24 horas por dia de forma anônima, além dos Conselhos Tutelares municipais e das autoridades policiais, como a Polícia Militar do Estado de São Paulo, pelo 190, em situações de emergência, e a Polícia Civil do Estado de São Paulo.

Também é possível procurar delegacias especializadas na proteção da criança e do adolescente. A denúncia é considerada fundamental para interromper ciclos de violência e garantir a proteção das vítimas.

 

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Seção: Cidades