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Publicado em 18/05/2026 - 08:02 / Clipado em 18/05/2026 - 08:02

ABC registra sequência de incêndios em meio à alta de casos em todo Estado


Jessica Fernandes 

 

Os incêndios registrados no Estado de São Paulo apresentaram alta de 78% entre fevereiro e março deste ano. De acordo com o Corpo de Bombeiros, o Estado somou 4.694 incêndios no primeiro trimestre deste ano, sendo 1.485 em janeiro, 1.154 em fevereiro e 2.055 em março. O aumento das ocorrências também se reflete no ABC, onde, em um intervalo inferior a dois dias, ao menos três incêndios mobilizaram equipes de emergência recentemente na região.

Nos dias 11 e 12 de maio, três incêndios movimentaram equipes do Corpo de Bombeiros no ABC. Nesta terça-feira (12/5), agentes atuaram no combate às chamas em um terreno com material reciclável na rua Blindex, no bairro Piraporinha, em Diadema.

Também no mesmo dia, um incêndio atingiu o Bar Tchê, localizado na avenida Padre Manuel da Nóbrega, no bairro Jardim, em Santo André. Já na segunda-feira (11), uma fábrica de velas no Polo Industrial de Sertãozinho, em Mauá, foi destruída por um incêndio de grandes proporções. O calor intenso provocou o desabamento da cobertura do prédio e comprometeu a estrutura do galpão.

Sequência de registros colocam a região em alerta
Em abril e março, outros incêndios também mobilizaram atenção na região. No dia 30 de abril, um automóvel pegou fogo na rua Coronel Alfredo Fláquer, em Santo André. Já no dia 31 de março, um incêndio de grandes proporções atingiu o galpão industrial da antiga Recesa, em Diadema, com atuação de 18 viaturas e 49 agentes do Corpo de Bombeiros. Poucos dias antes, em 23 de março, um incêndio atingiu uma loja de tintas na avenida Dom Pedro I, na Vila Pires, em Santo André.

Ainda em março, uma empresa localizada na rua Oneda, no bairro Planalto, em São Bernardo, foi atingida por um incêndio após dois caminhões pegarem fogo no interior da fábrica. Em Santo André, uma fabricante de plástico bolha localizada no Jardim Alzira Franco também foi atingida pelas chamas no dia 9 de março. Já no dia 2 de março, um incêndio em uma comunidade na Vila São José, em São Bernardo, atingiu ao menos três moradias e deixou um homem ferido com queimaduras na região do tórax.

Em fevereiro, um incêndio de grandes proporções atingiu a loja Armarinhos Fernando, no Centro de Santo André, no início da noite do dia 16. Dias antes, em 12 de fevereiro, o Corpo de Bombeiros foi acionado para combater um incêndio na empresa Trufer Comércio de Sucatas, em Diadema. Já no dia 4 de fevereiro, uma fábrica de tintas localizada no bairro Pauliceia, em São Bernardo, também foi atingida por um incêndio de grandes proporções.

No mês de janeiro, um caminhão que transportava botijões de gás pegou fogo na avenida César de Magnani, no bairro Pauliceia, em São Bernardo, e as chamas atingiram um posto de combustíveis. Em Santo André, uma mulher perdeu a casa e o trabalho após um incêndio causado pelo próprio filho no bairro Parque Erasmo Assunção. Já em Ribeirão Pires, um veículo pegou fogo na avenida Francisco Monteiro, em frente à Igreja Universal.

Impactos ambientais
Ao RD, a bióloga e ambientalista Marta Marcondes, professora da Universidade Municipal de São Caetano do Sul e coordenadora do projeto IPH/USCS, explica que agora as mudanças climáticas e o tempo seco contribuem muito para o aumento dos incêndios em áreas urbanas. “Antigamente, as estações do ano apresentavam um comportamento mais previsível, diferente do cenário atual. Isso interfere diretamente nos processos de incêndios”, afirma.

A bióloga também chama atenção para as podas drásticas realizadas em árvores nos centros urbanos. “Existem podas que deixam somente o tronco e galhos e tiram as copas. Ali temos um caldeirão que proporciona incêndios”, comenta.

Além dos impactos ambientais, os incêndios agravam os problemas de saúde pública nas cidades com altos índices de poluição atmosférica. “Todo incêndio gera material particulado, que são as fuligens, e também gases tóxicos. A poluição atmosférica afeta não só o sistema respiratório, mas também o sistema cardiovascular”, explica.

Mas a docente alerta que os impactos vão muito além dos danos à saúde humana. Quando existem grandes incêndios, não é apenas a fauna, a flora e a saúde humana que sofrem. “Nós temos um microbioma no solo que garante a recuperação da terra e, quando ocorre um incêndio, esses micro-organismos morrem”, destaca.

Fiscalização e prevenção
Marta também destaca que muitos incêndios em áreas urbanas têm relação direta com ações humanas e falta de fiscalização. “Empresas que lidam com fogos de artifício e outros produtos inflamáveis precisam ter uma manutenção correta”, afirma.

A ambientalista defende que medidas preventivas e ações educativas permanentes são fundamentais para reduzir os incêndios em áreas urbanas. Diz que as empresas, escolas, hospitais e departamentos públicos precisam ter brigadistas formados para que, quando um foco de incêndio começar, as pessoas saibam corretamente o que fazer.

A bióloga ressalta, ainda, que a conscientização da população também faz parte do processo de prevenção. “Uma população orientada sabe identificar um foco de incêndio e entende o que fazer inicialmente”, disse.

Para a ambientalista, fiscalização ambiental ainda recebe poucos investimentos, o que dificulta o combate e a prevenção aos incêndios. “Nós precisamos de um efetivo maior de profissionais e também equipar essas equipes com drones e outros equipamentos tecnológicos que possam detectar rapidamente os focos de incêndio”, destaca.

 

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Seção: Cidades