Publicado em 12/05/2026 - 18:15 / Clipado em 12/05/2026 - 18:15
Prefeitos reforçam pleito por DDM 24h em meio a alta dos feminicídios na região
George Garcia
Em reunião nesta terça-feira (12/5) no Consórcio Intermunicipal, em Santo André, os prefeitos do ABC fizeram anúncios para a área da segurança pública, como a entrega de uma motocicleta para cada GCM (Guarda Civil Municipal) da região e reforçaram o pleito das sete cidades por atendimento 24h nas unidades da DDM (Delegacia de Defesa da Mulher). A Secretaria de Segurança Pública admitiu estudos para adotar plantões no ABC, mas não adiantou quais delegacias seriam beneficiadas.
A região tem cinco delegacias da mulher e deve ganhar mais uma até o final deste ano, porém nenhuma delas funciona 24 horas por dia, mesmo em um dos momentos mais críticos da violência doméstica onde feminicídios aumentaram 100% no último ano e em menos de cinco meses deste ano, sete mulheres já foram assassinadas em crimes do tipo.
Segundo o presidente do Consórcio e prefeito de Ribeirão Pires Guto Volpi (PL), além das viaturas de duas rodas, outras viaturas devem ser entregues dentro do programa ABC Mais Seguro, compra de equipamentos para a Defesa Civil e também do aumento dos investimentos na proteção da Mulher. “Aumentamos em 75% o orçamento para a casa de passagem, para a acolhida então estamos investindo continuamente na segurança através do ABC Mais Seguro”, disse o liberal, que acrescenta que os carros para as guardas estão em licitação e devem ser entregues este ano.
Guto afirmou ainda que o pleito para que as delegacias especializadas no atendimento à mulher funcionem ininterruptamente é regional. “São Bernardo já está trabalhando para ampliação 24 horas, Ribeirão e Rio Grande, com sede em Ribeirão Pires, é um serviço que a gente inaugura até dezembro, as obras estão bem adiantadas. E a gente está trabalhando, naqueles (municípios) que já têm delegacia, pedimos a implantação 24 horas”, resumiu o presidente do colegiado de prefeitos.
Em nota a SSP diz que há estudos para ampliar o horário de funcionamento das DDMs existentes na região. “A Polícia Civil informa que realiza estudos para a implantação de Delegacias de Defesa da Mulher (DDMs) com atendimento 24 horas nas cidades do ABC. A instituição ressalta que acompanha as demandas da região e vem expandindo a estrutura voltada ao acolhimento de vítimas de violência doméstica, com atendimento humanizado, reservado e qualificado. Atualmente, São Paulo conta com 144 Delegacias de Defesa da Mulher e 173 Salas DDM para atendimento remoto. No ABC, há nove dessas salas em funcionamento. Além disso, mais de 650 policiais foram incorporados ao reforço do atendimento, e novas unidades ainda serão implantadas. A população também conta com ferramentas como o aplicativo SP Mulher Segura, com registro online 24 horas da ocorrência e botão do pânico para mulheres com medida protetiva, além da ampliação do monitoramento eletrônico de agressores e de um plano estruturado de enfrentamento à violência. No campo operacional, as forças de segurança intensificaram as ações: mais de 2 mil homens foram presos nos últimos três meses por crimes contra mulheres, sendo que, em metade dos casos de feminicídio no período, os autores foram detidos em flagrante”, diz comunicado da pasta.
Gravidade
Além dos sete feminicídios ocorridos em pouco mais de quatro meses deste ano, pelo menos outras seis tentativas de feminicídio foram registradas este ano, entre janeiro e março, que estão nos dados disponíveis no site da Secretaria de Segurança Pública. A região também teve, entre janeiro e março 33 casos de estupro, média de 11 casos por mês.
A Delegacia de Defesa da Mulher foi criada na estrutura da Polícia Civil paulista em 1.985 e ano passado completou 40 anos. Na ocasião, em agosto, o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) reconhecia que algo precisava ser feito para frear a alta da violência contra a mulher.
Para a delegada Renata Cruppi, titular da DDM de Diadema, qualquer delegacia pode atender a mulher vítima de violência, e também há as salas DDM, nas delegacias comuns, que podem dar esse atendimento à noite e aos finais de semana, quando as delegacias especializadas estão fechadas, porém o atendimento especializado é sempre o mais recomendado e por isso a região vive essa expectativa de ter a sua primeira DDM 24 horas.
“Precisamos de delegacias 24 horas, mas a maior necessidade vem também dos serviços públicos adequados, como notificação do serviço de saúde, sobre quando chega uma mulher vítima de violência. Isso é lei, mas nem sempre acontece. Numa delegacia especializada como a DDM se tem um olhar da perspectiva de gênero e a vítima fica mais confortável para falar, conta com mais detalhes. Numa delegacia comum ela fala o básico porque não se sente tão acolhida”, explica a delegada.
O atendimento com o olhar mais específico para a violência contra a mulher também traz ações mais rápidas e eficazes, segundo Renata. “Quando a mulher chega até a delegacia é porque todos os outros serviços falharam. Muito se fala de vítima de feminicídio que tinha medida protetiva, mas eu mesma levantei vários casos e a maioria não tinha. É preciso ter muita força para ir numa delegacia e algumas mulheres têm vergonha e por isso descartam a proteção que a Patrulha Maria da Penha – serviço prestado pelas Guardas Municipais – oferece. As mulheres não divulgam para as pessoas próximas que estão com medida protetiva porque têm vergonha, medo do julgamento”, diz a delegada de Diadema.
Homem
Para Renata Cruppi, falta também ampliar o trabalho de conscientização dos homens. A delegada considera que a violência contra a mulher tem crescido porque os homens estão repetindo comportamentos sociais tóxicos. “Há uma insegurança masculina tão grande que o homem não consegue interagir com uma mulher, não tem argumentos e, ao invés de dialogar, acaba usando a violência para se posicionar. Isso acontece não apenas com homens de meia idade, vemos isso com mais jovens também, pessoas que não aceitam um não”, detalha.
“O problema é que o homem que é violento, ele não se vê assim, ele acha que isso é normal , que é coisa de homem. Essa é uma questão cultural que precisa ser desconstruída”, completa a delegada.
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Seção: Cidades