Publicado em 10/05/2026 - 08:29 / Clipado em 10/05/2026 - 08:29
Secretário de Esportes de São Caetano do Sul diz que inclusão não é dever dele como ‘pessoa física’
Redação
Mauro Chekin pediu exoneração após repercussão de declarações durante audiência pública na Câmara Municipal.
O secretário de Esportes de São Caetano do Sul, Mauro Chekin, anunciou a saída do cargo após repercussão negativa de declarações feitas durante uma audiência pública na Câmara de Vereadores sobre inclusão de pessoas com deficiência no esporte. A exoneração foi anunciada nesta sexta-feira (8), dias após a audiência realizada em 29 de abril.
“Em razão dos fatos ocorridos, da Secretaria de Esportes, Lazer e Juventude da Prefeitura de São Caetano do Sul, peço exoneração do cargo, reconhecendo o erro de abordagem do tema inclusão no esporte, pedindo sinceras desculpas”, afirmou em comunicado.
Durante a audiência, Chekin respondeu a questionamentos da vereadora Bruna Biondi, integrante do mandato coletivo Mulheres por Mais Direitos, do PSOL, sobre a inclusão de uma criança autista em aulas de natação promovidas pela secretaria.
“Nós temos um problema muito grande com autista e qualquer deficiente”, afirmou o então secretário antes de citar o caso da menina. “A menina usa fralda, como eu vou colocar a menina dentro da água com fralda?”
Na discussão, Chekin também declarou que a inclusão não era dever dele “como pessoa física”.
“Eu não posso obrigar um profissional e falar assim ‘você vai trabalhar com deficientes’. Se falassem isso para mim eu estaria fora da prefeitura já lá atrás”, disse.
Após a repercussão nas redes sociais, o secretário deixou o cargo e agradeceu ao prefeito Tite Campanella.
“Reafirmo meu compromisso como professor de educação física de carreira da municipalidade e vou procurar aperfeiçoamento profissional relacionado à inclusão”, afirmou.
A 8ª Promotoria de Justiça de São Caetano do Sul instaurou inquérito civil para investigar possível prática de capacitismo institucional e omissão da prefeitura na implementação de políticas públicas inclusivas no esporte municipal.
A investigação foi aberta após representação apresentada pela vereadora Bruna Biondi e pela deputada federal Sâmia Bomfim.
Segundo a Promotoria, as declarações podem configurar “preconceito e discriminação contra pessoas com deficiência”, além de possível violação aos princípios constitucionais da dignidade da pessoa humana, igualdade e vedação à discriminação.
O Ministério do Esporte também repudiou as declarações de Mauro Chekin.
“É dever do poder público garantir acesso, acolhimento, oportunidades e participação plena das pessoas com deficiência em todas as dimensões da vida social, inclusive no esporte, instrumento reconhecido de cidadania, desenvolvimento humano e inclusão social”, informou a pasta.
O Comitê Paralímpico Brasileiro também se manifestou e classificou a fala como discriminatória.
Segundo o comitê, São Caetano do Sul possui ligação histórica com o movimento paralímpico brasileiro, por já ter sido polo de treinamentos das seleções brasileiras de atletismo e natação paralímpicos.
Veículo: Online -> Blog -> Blog do Valente
Seção: São Caetano