Publicado em 10/05/2026 - 07:47 / Clipado em 10/05/2026 - 07:47
ABC registra 114 casos de estupro de vulnerável no primeiro trimestre de 2026
Amanda Lemos
O ABC registrou 114 casos de estupro de vulnerável entre janeiro e março de 2026, segundo dados da Secretaria da Segurança Pública do Estado de São Paulo (SSP-SP). Os números acompanham o cenário estadual de crescimento da violência sexual contra crianças e adolescentes, tema que ganha ainda mais destaque com a campanha Maio Laranja, voltada ao enfrentamento do abuso e da exploração sexual infantil.
Entre as cidades da região, São Bernardo lidera os registros, com 34 ocorrências no primeiro trimestre. Em seguida aparecem Santo André, com 28 casos, Diadema, com 22, e Mauá, com 19. Já Ribeirão Pires contabilizou sete registros, enquanto Rio Grande da Serra e São Caetano tiveram dois casos cada.
O levantamento mostra tendência de crescimento já observada ao longo de 2025 na região. Dados divulgados anteriormente pela SSP-SP revelam aumento dos casos de estupro de vulnerável em diferentes períodos do ano passado. Para se ter ideia, apenas nos dois primeiros meses de 2025, o ABC registrou alta de quase 30% nas ocorrências em comparação com o mesmo período de 2024. Meses depois, o acumulado do semestre já apontava mais de 240 casos na região
Especialistas apontam que os dados podem representar apenas parte do problema, já que muitos casos não chegam às autoridades. Para Ariel de Castro Alves, advogado e membro da Comissão de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente do Conselho Federal da OAB, existe uma escalada da violência sexual contra mulheres, crianças e adolescentes em todo o País.
Segundo o especialista, a disseminação de conteúdos misóginos e violentos na internet, o que inclui grupos conhecidos como “red pills”, contribui para o agravamento do cenário. Alves também relaciona o aumento dos casos à sensação de impunidade e à dificuldade de investigação adequada.
Outro ponto destacado é a ausência de Delegacias Especializadas de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA) em São Paulo. Apesar de previstas em legislação desde 2017, essas unidades ainda não foram implantadas no Estado. De acordo com Alves, delegacias especializadas contam com equipes capacitadas, com psicólogos e assistentes sociais.
O debate sobre o tema ganhou ainda mais repercussão após o caso de estupro coletivo envolvendo dois meninos, de 7 e 10 anos, ocorrido na Zona Leste da capital paulista em abril. O crime só chegou ao conhecimento da polícia dias depois, após vídeos circularem nas redes sociais. O caso é investigado pela Polícia Civil e os envolvidos foram identificados.
Desde 2022, o mês de maio é marcado pela campanha Maio Laranja, mobilização nacional de combate ao abuso e à exploração sexual de crianças e adolescentes. A iniciativa busca ampliar a conscientização, fortalecer ações de prevenção e divulgar canais de denúncia, como o Disque 100.
Como denunciar?
Casos de abuso e exploração sexual contra crianças e adolescentes podem ser denunciados de forma anônima por meio do Disque 100, canal nacional de denúncias de violações de direitos humanos. Também é possível procurar o Conselho Tutelar, delegacias da Polícia Civil, a Guarda Municipal ou acionar a Polícia Militar pelo telefone 190 em situações de emergência.
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Seção: Cidades