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Publicado em 03/05/2026 - 08:04 / Clipado em 03/05/2026 - 08:04

Filas por atendimento odontológico na rede pública desafiam gestões


Henrique Araújo 

 

A dificuldade de acesso a serviços odontológicos na rede pública ainda desafia a população e pode trazer consequências diretas para a saúde. A espera por consultas e procedimentos, em muitos casos, agrava problemas que eram simples. Diante desse cenário, algumas prefeituras do ABC ampliam estratégias, com reforço na capacidade de atendimento, fazem mutirões e usam a tecnologia na tentativa de reduzir filas e garantir assistência.

Levantamento com administrações municipais mostra que a demanda é grande e envolve desde cuidados básicos até tratamentos especializados. Também evidencia que, apesar de avanços, o acesso ainda depende de organização da rede e priorização de casos mais graves.

Os dados apontam realidades distintas entre os municípios. Em São Caetano, a fila de espera gira em torno de 400 pacientes, número considerado baixo diante da capacidade de mais de 90 mil atendimentos por ano. Já em Rio Grande da Serra, cerca de 392 pessoas aguardam, com organização por agendamento mensal nas UBSs (Unidades Básicas de Saúde).

Outras cidades não informaram o tamanho atual da fila. É o caso de Diadema e São Bernardo, embora tenham destacado ampliação da produção e estratégias para reduzir a demanda reprimida. As prefeituras de Santo André, Mauá e Ribeirão Pires não responderam até o fechamento.

A procura por atendimento varia conforme o perfil da população. Procedimentos como restaurações, limpezas e extrações simples aparecem com frequência, especialmente em municípios menores. Já cidades com maior proporção de idosos, como São Caetano, concentram maior demanda por próteses dentárias. Tratamentos de canal e cirurgias também estão entre os mais solicitados.

Santo André, Mauá e Ribeirão Pires não responderam ao RD com os dados solicitados.

Produção cresce e cidades ampliam estratégias

Os números mostram aumento ou manutenção elevada da produção de atendimentos, como em São Bernardo, onde foram 14.240 procedimentos especializados em 2024, 18.548 em 2025 e 3.954 apenas entre janeiro e abril de 2026. O município destaca a entrega de quase 18 mil próteses no último ano como forma de reduzir a demanda.

Já São Caetano registrou 96.758 atendimentos em 2024, 95.714 em 2025 e 29.747 até o momento em 2026, com manutenção da capacidade operacional. Em Diadema, o volume é ainda maior: 146.858 atendimentos em 2024, 155.909 em 2025 e 48.933 neste ano, com crescimento de 6% e média mensal de cerca de 12 mil atendimentos. Já Rio Grande da Serra contabilizou 4.249 atendimentos em 2024, 4.479 em 2025 e 865 em 2026 até agora.

Para ampliar o acesso, as cidades adotam diferentes estratégias. Mutirões aparecem como ferramenta recorrente, como em São Bernardo e Diadema. Em São Caetano, o programa Agiliza Odonto promove ações contínuas com cerca de 200 atendimentos por dia, e em Diadema, além de mutirões, há ampliação de horários até a noite e aos sábados.

Um dos destaques é o uso de tecnologia. Diadema implantou o programa Sorriso Novo, que utiliza impressão 3D para produção de próteses, com objetivo de acelerar o atendimento. Já em Rio Grande da Serra, a aposta está na prevenção, com ações em escolas que buscam reduzir a demanda nas unidades de saúde.

Acesso segue regras do SUS

O acesso aos serviços ocorre, em geral, pelas Unidades Básicas de Saúde, responsáveis pelo atendimento inicial e encaminhamento para especialidades. Os critérios seguem protocolos do SUS, com prioridade para casos mais graves, tempo de espera e condições clínicas dos pacientes.

Em cidades como São Bernardo e Diadema, a regulação inclui classificação de risco e reavaliação de filas. Há também busca ativa de pacientes para otimizar vagas em mutirões. Em São Caetano, a triagem define a urgência e organiza o fluxo, enquanto em Rio Grande da Serra grupos prioritários incluem gestantes, pacientes da APAE (Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais) e casos de urgência.

Universidades têm atendimento para comunidade

Além da rede pública, moradores do ABC encontram alternativas nas clínicas-escola de instituições de ensino superior, que funcionam como complemento ao SUS e ampliam o acesso a procedimentos odontológicos. A USCS (Universidade Municipal de São Caetano) mantém uma clínica integrada onde alunos realizam atendimentos supervisionados, após triagem. Entre os serviços estão limpeza, restauração, tratamento periodontal e próteses. O agendamento ocorre conforme abertura de vagas divulgadas pela instituição, com informações disponíveis no site oficial.

Já quem busca atendimento em São Bernardo pode recorrer à clínica odontológica da Universidade Metodista de São Paulo. O serviço é realizado por estudantes em fase final da graduação, com acompanhamento de professores. Em alguns casos há cobrança reduzida, ligada a custos de material. O contato pode ser feito pelo telefone (11) 4366-5000 ou pelo site www.metodista.br.

No caso do Centro Universitário Fundação Santo André, o acesso passa por uma triagem inicial que direciona os pacientes conforme a necessidade de tratamento. A clínica-escola oferece desde procedimentos básicos até atendimentos especializados. Interessados podem buscar informações pelo telefone (11) 4979-3300 ou no site.

Falta de atendimento agravar problemas de saúde

Para a cirurgiã-dentista Mariana Alves, especialista em saúde coletiva, a demora por atendimento odontológico pode trazer consequências significativas. “Problemas simples, como uma cárie, podem evoluir para infecções mais graves, dor intensa e até perda do dente. Isso impacta na alimentação, fala e qualidade de vida”, afirma Mariana. A especialista destaca que a saúde bucal tem relação direta com o organismo. “Doenças periodontais podem influenciar quadros de diabetes e aumentar riscos cardiovasculares. Por isso, o acesso ao tratamento no tempo adequado é fundamental”, diz.

Na avaliação da dentista, as iniciativas das prefeituras representam avanço, mas ainda não resolvem toda a demanda. “As ações ajudam a reduzir filas e ampliar o acesso, mas o sistema ainda precisa de reforço estrutural para atender toda a população com agilidade”, comenta.

Mariana também aponta que clínicas universitárias exercem papel relevante nesse cenário. Segundo a médica, esses serviços ampliam o acesso e oferecem atendimento de qualidade, mas não substituem a rede pública.

 

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Seção: Cidades