Publicado em 04/05/2026 - 08:05 / Clipado em 04/05/2026 - 08:05
Mulheres ocupam até 50% das vagas, mas seguem minoria nas contratações no ABC
Amanda Lemos
Os últimos dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) mostram que, apesar do avanço da participação feminina no mercado formal do ABC, as mulheres ainda são minoria nas contratações na maior parte das cidades da região.
Levantamento com base nos números de março deste ano aponta que nenhuma das sete cidades do ABC ultrapassa a marca de 50% de admissões femininas. O cenário mais próximo do equilíbrio está em São Caetano, onde as mulheres representam quase metade das contratações: foram 3.107 admissões femininas em um total de 6.232 vagas.
Nos municípios com maior volume de empregos, a desigualdade também aparece. Em Santo André, as mulheres ocuparam 7.645 das 15.215 vagas abertas. Já em São Bernardo, foram 6.432 admissões femininas entre 15.201 contratações.
Nas demais cidades, a participação feminina segue abaixo da metade. Em Diadema, foram 1.694 mulheres contratadas de um total de 4.348 admissões. Em Mauá, apenas 1.648 mulheres foram admitidas entre 4.009 vagas abertas.
Cidades menores também refletem o mesmo padrão. Em Ribeirão Pires, com quase 120 mil habitantes, as mulheres ocuparam 309 das 864 vagas, enquanto em Rio Grande da Serra, com pouco mais de 45 mil habitantes, foram 34 admissões femininas até o momento este ano, em um total de 114.
Cidades avançam gradualmente
Apesar da desigualdade, os dados indicam avanço gradual da presença feminina no mercado formal. Ainda assim, o crescimento do emprego na região ocorre de forma desigual: no cenário geral, a região registrou saldo positivo de 4.278 vagas, na soma entre homens e mulheres, impulsionado principalmente pelo setor de serviços.
Outro dado que chama atenção é a alta rotatividade do mercado de trabalho. Cidades como São Bernardo contabilizaram 14.302 desligamentos, enquanto Santo André registrou 13.311, números que mostram um fluxo intenso de admissões e demissões
Desigualdade salarial ainda persiste
Apesar do aumento da participação feminina no mercado de trabalho, a diferença de renda entre homens e mulheres segue como um dos principais desafios no País. Dados do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) indicam que mulheres recebem, em média, 21,3% a menos que os homens em empresas privadas com 100 ou mais empregados. O índice é superior ao registrado em 2023, quando a diferença era de 20,7%.
No salário mediano de admissão, a desigualdade também cresceu: mulheres ganham 14,3% a menos que os homens, frente a 13,7% no ano anterior. Embora o número de mulheres empregadas tenha aumentado 11% entre 2023 e 2025 – de 7,2 milhões para 8 milhões, o equivalente a 41,4% do total -, a massa de rendimentos feminina ainda representa apenas 35,2% do total pago.
Para que houvesse equilíbrio proporcional, seria necessário um acréscimo de R$ 95,5 bilhões nos rendimentos das mulheres, segundo o Ministério do Trabalho.
O levantamento também aponta avanços dentro das empresas: a proporção das que afirmam promover mulheres subiu de 38,8% para 48,7%. Já ações voltadas à contratação de mulheres com deficiência, LGBTQIA+ e chefes de família permanecem praticamente estáveis.
Entre os recortes, destaca-se ainda o crescimento da participação de mulheres negras no mercado de trabalho: o número de empregadas aumentou 29% entre 2023 e 2026, passou de 3,2 milhões para 4,2 milhões.
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Seção: Cidades