Publicado em 01/05/2026 - 08:05 / Clipado em 01/05/2026 - 08:05
Queda de estupros no 1º trimestre no ABC mascara avanço do crime na região
Henrique Araújo
Apesar da leve redução no total de estupros no ABC no comparativo do primeiro trimestre de 2025 com 2026, dados divulgados nesta quinta-feira (30/04) pela SSP (Secretaria da Segurança Pública de São Paulo) revelam quadro mais complexo do que o número absoluto sugere. A diminuição de 36 para 34 casos, com variação de 5,5%, não representa melhora uniforme, já que quatro das sete cidades da região registram aumento.
A queda se concentra em parte do território, em que Santo André reduz de 12 para 9 casos, recuo de 25%, enquanto São Bernardo passa de 14 para 6 registros, redução de 57%. Em São Caetano, o número vai de um para zero.
Em sentido oposto, outros municípios puxam o crescimento. Mauá sobe de 3 para 8 ocorrências, alta de 166,7%. Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra avançam de 1 para 3 casos, crescimento de 200% em ambos. Diadema também registra aumento, com avanço de 3 para 5 casos, variação de 66,7%. O movimento indica perda de concentração e avanço do crime para áreas onde os registros eram menores.
Estupro de vulnerável cresce em Diadema
Quando entram os dados de estupro de vulnerável, o cenário ganha contornos ainda mais sensíveis. Em Diadema, os registros sobem de 14 para 22 casos, crescimento de 57%, o maior aumento da região. Em São Bernardo, o número se mantém em 34 ocorrências nos dois períodos, sem variação. Ribeirão Pires também apresenta estabilidade, com 7 casos em cada ano.
Outros municípios apresentam queda, mas sem força para alterar o quadro regional. Santo André reduz de 17 para 14 registros, recuo de 17,65%, enquanto São Caetano passa de 7 para 2. Mauá e Rio Grande da Serra também registram leve diminuição. No total do ABC, os casos passam de 85 para 83, variação de 2,35%, o que indica estabilidade em patamar elevado.
Roubos e furtos recuam
A redução nos crimes patrimoniais aparece em parte relevante do ABC, mas não alcança toda a região. Em Santo André, os roubos caem de 1439 para 1047 casos, redução de 27,24%. Em São Bernardo, o número passa de 955 para 762, recuo de 20,21%, enquanto Diadema registra queda de 622 para 475, variação de 23,63%. O roubo de veículos segue a mesma tendência, com Santo André redução de 250 para 117 casos, queda de 53,20%, e Mauá de 96 para 48, redução de 50%.
Nem todo o território acompanha esse movimento. Ribeirão Pires apresenta aumento nos roubos, que sobem de 36 para 50 casos, alta de 38,89%. Furtos também crescem em pontos específicos, como em Diadema, onde passam de 766 para 851 registros, variação de 9,99%, e em Rio Grande da Serra, com leve alta de cerca de 5%.
Ao mesmo tempo, a violência interpessoal avança em cidades estratégicas. Em Santo André, os casos de lesão corporal dolosa sobem de 505 para 620, crescimento de 22,77%. Em Diadema, passam de 364 para 393, alta de 7,97%, e em Rio Grande da Serra há aumento de 6,25%, o que reforça o cenário de pressão fora dos indicadores mais tradicionais.
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Seção: Cidades