Publicado em 27/04/2026 - 08:05 / Clipado em 27/04/2026 - 08:05
Prefeituras ampliam ações sustentáveis com avanços em diferentes ritmos
Jessica Fernandes
As prefeituras do ABC adotam, em ritmos diferentes, ações e projetos voltados à sustentabilidade. Iniciativas como uso de energia solar, captação de água da chuva, drenagem sustentável e rearborização já aparecem em algumas cidades, enquanto outros municípios ainda caminham com medidas mais pontuais ou em fase inicial.
Ribeirão Pires desenvolve ações de rearborização, com plantio de árvores adultas e espécies frutíferas, além de projetos voltados à preservação de abelhas nativas. O município também aposta em soluções de drenagem sustentável, como jardins de chuva, pisos permeáveis e novas tubulações para escoamento, além da criação de espaços como o Lago do Jardim Boa Sorte, voltado à educação ambiental e reabilitação de animais silvestres.
Na área de resíduos, mantém coleta seletiva em todos os bairros, pontos de descarte para materiais especiais e ações educativas em escolas e parques.
Neste quesito, Diadema apresenta ações mais pontuais. A Prefeitura realiza plantio de árvores durante obras de revitalização, com cerca de 150 mudas plantadas neste ano. Em Rio Grande da Serra, as ações se concentram no programa “Recicla Rio Grande”, que inclui coleta seletiva em prédios públicos, incentivo ao uso de canecas reutilizáveis e atividades educativas sobre consumo consciente. A iluminação pública também foi substituída por LED.
Energia solar e eficiência energética
Santo André reinaugurou a Policlínica Vila Helena, que passou a contar com placas de energia fotovoltaica, sistema de captação de água da chuva e piso externo permeável. As medidas reduzem impactos ambientais e aumentam a eficiência no uso de recursos. O investimento se aproxima de R$ 1,4 milhão, com recursos divididos entre o Ministério da Saúde e o município. O modelo, segundo entrevista do prefeito Gilvan Ferreira ao RDcast, deve ser expandido para outras unidades de saúde.
Em Ribeirão Pires, 10 prédios públicos estão em processo de implantação de painéis solares, alguns já em funcionamento, como na Secretaria de Assuntos Jurídicos, no Terminal Rodoviário, na Escola Municipal Palmira Antônio Pereira e na Câmara Municipal. A iluminação pública também foi totalmente substituída por LED.
Ribeirão Pires ainda projeta avanço na área por meio da revisão do Plano Diretor, prevista para 2026, com foco em adaptação às mudanças climáticas. O investimento em energia solar, viabilizado por programa de eficiência energética da Enel, é de cerca de R$ 4,2 milhões, sem custo direto ao município, com economia estimada de até 60% no consumo de energia e cerca de R$ 318 mil por ano.
Diadema também estuda a implementação de um programa de compras sustentáveis, com foco em itens como lâmpadas de LED e dispositivos de economia de água.
As prefeituras de São Bernardo, São Caetano e Mauá não retornaram aos questionamentos da reportagem.
Implementação exige fiscalização contínua
Em entrevista ao RD, Marta Marcondes, bióloga, ambientalista, professora da USCS e coordenadora do projeto IPH/USCS (Índice de Poluentes Hídricos da Universidade Municipal de São Caetano do Sul), afirma que iniciativas como captação de água da chuva e energia solar têm impactos positivos e trazem benefícios, mas exigem planejamento técnico e acompanhamento contínuo para garantir resultados efetivos. “O projeto precisa ser bem feito. Os reservatórios têm que ser vistoriados constantemente. Não adianta investir no projeto inicial e depois largar. Esses sistemas precisam ser avaliados o tempo todo”, afirma.
A professora destaca que a manutenção envolve diferentes áreas técnicas. “Secretarias como Obras e Meio Ambiente devem atuar juntas, com profissionais como gestores e engenheiros ambientais e biólogos, que têm capacidade para acompanhar e fazer essa verificação”, explica.
Segundo Marta, o potencial de retorno financeiro também deve ser considerado pelas administrações públicas. “A energia solar é um investimento. Você tem um custo inicial, mas depois isso se paga. Em muitos casos, a economia na conta de energia começa a aparecer em pouco tempo”, revela.
A ambientalista também ressalta os benefícios da captação de água da chuva, especialmente em regiões com altos índices pluviométricos. “Além da economia de água, você consegue armazenar parte dessa água e reduzir o volume que vai para as ruas, o que ajuda também no controle de enchentes. É um conjunto de ganhos”, conta.
Apesar das diferenças entre os municípios, Marta é otimista. “O ABC evolui, não no nível de países mais desenvolvidos, porém no patamar de grandes cidades brasileiras que já pensam sustentabilidade. O desafio agora é ampliar esses projetos e investir em equipes para garantir que funcionem de forma contínua”, completa.
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Seção: Cidades