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Publicado em 20/04/2026 - 08:04 / Clipado em 20/04/2026 - 08:04

Crianças aguardam até 8 meses por cirurgias no ABC, mesmo com mutirões


Amanda Lemos 

 

Crianças do ABC chegam a esperar até oito meses por cirurgias na rede pública de saúde, mesmo com a realização de mutirões por parte das prefeituras para tentar reduzir a demanda reprimida. O resultado se deve a uma combinação entre a alta procura por procedimentos, capacidade limitada das redes de saúde e priorização de casos de urgência e maior gravidade.

Em Santo André, por exemplo, 215 crianças aguardam por cirurgias pediátricas, com tempo médio de espera de aproximadamente oito meses. Assim, para reduzir a fila, a Prefeitura realiza, ao longo de abril, um mutirão que deve atender cerca de 80 pacientes.

Assim como em toda a região, na rede municipal da cidade a maior demanda é pelo procedimento de postectomia – cirurgia indicada principalmente para correção de fimose -, e a justificativa para a fila de espera é o alto volume de casos, além da necessidade de priorizar atendimentos de urgência, emergência e cirurgias oncológicas, que têm preferência na fila.

Débora Nascimento Varga, mãe de Arthur, hoje com 9 anos, conta que procurou a rede municipal de saúde da cidade ainda em 2016 para realizar a cirurgia pelo SUS, mas ao enfrentar mais de um ano na fila de espera, decidiu recorrer à rede privada. “Meu filho começou a ter muita infecção urinária desde cedo e a desconfiança do pediatra na época era a de que pudesse ter a ver com a fimose. Por isso buscamos ajuda logo cedo”, relata.

Cidades sem oferta própria

Em parte da região, o acesso a cirurgias pediátricas depende exclusivamente da rede estadual. Diadema e Ribeirão Pires, por exemplo, informaram que não realizam esse tipo de procedimento na rede municipal. Já em Rio Grande da Serra, sequer há ambulatório para cirurgias pediátricas, e os pacientes são encaminhados para hospitais estaduais, como o Hospital Estadual Mário Covas e o Hospital Estadual de Diadema.

A respeito da fila de espera na esfera estadual, o governo do Estado não divulga, de forma consolidada, o tamanho da fila específica para procedimentos pediátricos, o que dificulta mensurar a dimensão do problema entre crianças e adolescentes. No entanto, dados mais recentes da Secretaria de Estado da Saúde consideram que, em 2025, foram realizados mais de 1 milhão de procedimentos no Estado, dentro da estratégia de redução da demanda reprimida.

Deste modo, os municípios dependem da oferta de vagas da rede estadual para encaminhar os pacientes, e nem todos os casos avaliados acabam, de fato, sendo convertidos em cirurgia.

Demanda sob controle em São Caetano

Na outra ponta, São Caetano afirma não ter fila de espera para cirurgias pediátricas. De acordo com a administração municipal, a demanda está sob controle, o que elimina a necessidade de mutirões.

Assim como nas demais cidades, o procedimento mais comum também é a postectomia. Dados do Sistema de Informações Hospitalares do SUS (SIH/SUS) apontam que foram realizadas 350 cirurgias pediátricas em 2024 e 279 em 2025. Em 2026, até o momento, foram registrados 12 procedimentos.

 

https://www.reporterdiario.com.br/noticia/3812791/criancas-aguardam-ate-8-meses-por-cirurgias-no-abc-mesmo-com-mutiroes/

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Seção: Cidades