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 Site Diário do Grande ABC - Santo André/SP

Publicado em 11/04/2026 - 08:16 / Clipado em 11/04/2026 - 08:16

Senadores paulistas só enviaram R$ 200 mil em 8 anos para São Caetano


Prefeito da cidade, Tite Campanella, criticou atuação política dos representantes de São Paulo na Câmara Alta e foi expulso do PL


Angelica Richter

 

 Levantamento realizado no Portal da Transparência do governo federal revela a baixa destinação de emendas parlamentares da bancada paulista do Senado para São Caetano. Desde 2018, apenas R$ 200 mil foram encaminhados diretamente ao município. O exíguo envio de recursos para a cidade e aos demais municípios do Grande ABC ganhou repercussão na última semana, após a expulsão do prefeito Tite Campanella dos quadros do PL. 

A decisão foi tomada pelo diretório estadual da legenda, presidido por Tadeu Candelária, após manifestação do senador Astronauta Marcos Pontes, que não gostou das críticas do ex-correligionário sobre a atuação dos representantes paulistas na chamada Câmara Alta.

Entretanto, os dados revelam que Marcos Pontes destinou R$ 1 milhão no período, mas o recurso foi direcionado à GM (General Motors do Brasil) – cuja fábrica fica em São Caetano –, sem vínculo direto com políticas públicas municipais. A escolha da empresa como destinatária levanta questionamentos sobre o impacto efetivo da emenda para a cidade. 

Embora legal, a destinação para uma empresa privada não se traduz, necessariamente, em benefícios diretos e imediatos para os serviços públicos ou à população da cidade.

Além de Pontes, completam a bancada paulista no Senado Mara Gabrilli (PSD) e Alexandre Luiz Giordano (Podemos). A pessedista, que já informou que não concorrerá à reeleição em outubro, direcionou R$ 200 mil ao FMAS (Fundo Municipal de Assistência Social), mecanismo que permite aplicação direta em políticas públicas voltadas à população. Por sua vez, Giordano não apresentou registros de envio de recursos ao município no período analisado.

EXPULSÃO

A crise política que culminou na expulsão de Tite Campanella do PL teve como pano de fundo críticas à baixa destinação de recursos pela bancada paulista no Senado. As declarações foram feitas pelo prefeito durante a cerimônia de entrega do título de Cidadão São-Caetanense ao ex-secretário estadual de Segurança deputado federal Guilherme Derrite (Progressistas), que é pré-candidato ao Senado. 

“São Paulo é o Estado mais importante do País e tem a pior representatividade do Senado e da União. Temos três senadores que não correspondem ao que o Estado espera deles”, afirmou Tite durante a agenda.

Após a expulsão, a cúpula do PL em São Caetano anunciou renúncia coletiva, aprofundando o desgaste interno da sigla no município. Ao ser questionado na época sobre a expulsão, o prefeito criticou a condução da decisão. “Opiniões divergentes são a base da formação partidária e da democracia. Não retiro nada do que disse sobre a baixa qualidade da representatividade do Estado de São Paulo no Senado”, declarou.

O prefeito de São Caetano, que sugeriu que seu desligamento sem direito a defesa foi “encomendado”, já recebeu convites de diversas lideranças partidárias para migrar a uma nova sigla. O governador Tarcísio de Freitas colocou o Republicanos à disposição do ex-liberal. 

A movimentação também encontrou respaldo em lideranças regionais. O prefeito de Santo André, Gilvan Ferreira, convidou Tite para ingressar no Cidadania e o de São Bernardo, Marcelo Lima, que assumiu a presidência estadual do Podemos, colocou a sigla como alternativa para eventual filiação. Progressistas e Novo também fizeram convites ao prefeito, que tende mais ao Republicanos. 

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Seção: Política