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Publicado em 08/04/2026 - 21:34 / Clipado em 08/04/2026 - 21:34

Tite Campanella repudia expulsão do PL, mas garante apoio a Flávio Bolsonaro


Fernanda Bertoncini 

 

O prefeito de São Caetano do Sul, Tite Campanella, convocou nesta quarta-feira (08/04), coletiva de imprensa realizada no Hotel Mercure, da cidade, para esclarecer as circunstâncias de sua expulsão do Partido Liberal (PL), após criticar a atuação do senador Marcos Pontes, o astronauta, em sessão solene realizada na Câmara Municipal que concedeu título de cidadão sancaetanense ao ex-secretário de Segurança do governo Tarcísio de Freitas (Republicanos), Guilherme Derrite (PP).

O chefe do Executivo iniciou o encontro agradecendo a manifestação espontânea de apoio dos vereadores da sigla, Caio Salgado, Cicinho, Dr. Seraphim e Luis Galarraga no ato de sua expulsão do PL. “Fiquei sabendo da minha expulsão pelo jornal Folha de São Paulo, cerca de 40 minutos antes de o partido me informar, surpreendendo também aos vereadores, que estavam no meio da sessão ordinária da Câmara, e que decidiram renunciar aos seus cargos no diretório municipal do partido”, justificou.

Tite Campanella classificou como “uma coisa muito engraçada” ser expulso de um partido por emitir uma opinião. “Me surpreende bastante que a expulsão tenha ocorrido num prazo rápido, depois de 10 dias úteis da denúncia feita pelo “senador astronauta” e célere decisão do partido, sem dar direito ao contraditório, sem dar direito à ampla defesa, sem dar direito a absolutamente nenhuma manifestação da minha parte”, indignou-se.

Segundo o prefeito, um partido que age desta forma não pode reclamar amanhã de qualquer medida de exceção que incorrer sobre ele. “Vai ser muito hipócrita se o PL, em algum momento, for cerceado em algum dos seus direitos e alegar o cerceamento do direito de defesa, do regime de exceção ou seja lá o que eles quiserem alegar. Porque eles agem absolutamente da mesma forma comigo, como agiriam com qualquer um”, disparou.

“Por incrível que pareça, estou sendo expulso pela comissão de ética de um partido presidido por Valdemar da Costa Neto”, diz prefeito (Foto: Fernanda Bertoncini/RD)

 

“Acho que eu sou o primeiro prefeito expulso de maneira sumária de um partido. E não é por corrupção, não é por má versação, por condenação criminal, mas simplesmente por emitir uma opinião”, constatou o chefe do Executivo, ressaltando que mantém a sua opinião de que a representação dos senadores do Estado de SP é caracterizada por baixa participação e capilaridade.

“Quem é o Marcos Pontes? Ninguém sabe. É o astronauta. E, por incrível que pareça, eu estou sendo expulso pela comissão de ética de um partido presidido por Valdemar da Costa Neto”, ironizou Tite, ao comentar a denúncia feita pelo senador Marcos Pontes (PL) e acatada prontamente pelo partido.

Futuro político e Eleições

Sobre seu futuro político, Tite destacou que recebeu diversos apoios e que mantém conversas com atores políticos de outras siglas. “O prefeito de Santo André, Gilvan Junior (Cidadania), me ligou ontem prestando solidariedade e deixando portas abertas para o Cidadania. Sigo conversando com o Republicanos – partido do governador Tarcísio de Freitas –  e com outros atores políticos para as definições futuras”, assegurou o prefeito, que teria também recebido convites do PSD e União Brasil.

Tite Campanella garantiu que segue apoiando o pré-candidato à presidência da República, Flávio Bolsonaro, mas fez duras críticas à sigla. “Eu nunca escondi a minha predileção pelo Bolsonaro, marchei ao lado dele, pedi votos para ele no pleito passado. Eu tenho lado e faço questão de manifestar o meu lado. Mas sou punido exatamente pelo partido ao qual o Bolsonaro faz parte, do qual o Flávio sairá candidato. Sinceramente, eu, se fosse o Flávio (Bolsonaro), ficaria com as barbas de molho e ficaria realmente muito preocupado de disputar uma eleição pelo PL”, atacou.

O chefe do Executivo de São Caetano disse que o movimento dos vereadores de deixarem o diretório do partido sinaliza também para um desejo de acompanhar a gestão numa nova reorganização partidária futura. 

“Eu fico preocupado e acho que todos que fazem parte do PL deveriam se preocupar também, porque é assim que se começa. Você não começa a solapar a democracia com um golpe, você começa cerceando um direito, uma liberdade, uma fala, proibindo um discurso, censurando certas palavras, e o PL está começando a fazer isso, ao expulsar do partido um prefeito de uma cidade pequena, achando que não haverá grandes consequências”, premonizou, dizendo que no curto prazo isso se estenderá atingindo deputados, outros órgão partidários, outros filiados políticos. 

“Quando você começa a se sentir à vontade fazendo isso, você sabe quando começa, mas não sabe quando acaba. Um partido que não respeita o direito de defesa, uma posição contraditória, uma crítica, não é um partido preparado para a democracia”, criticou duramente Tite Campanella.

 

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Seção: Política