Publicado em 29/03/2026 - 08:03 / Clipado em 29/03/2026 - 08:03
S.Caetano e R.G.Serra ficam para trás e não oferecem óculos gratuitos no ABC
Henrique Araújo
Enquanto a maioria das cidades do ABC mantém ou amplia programas de fornecimento gratuito de óculos, São Caetano e Rio Grande da Serra são as únicas entre as sete cidades da região que não contam com política pública estruturada para o tipo de atendimento. O cenário expõe desigualdade no acesso a um serviço básico de saúde e educação na região.
Questionada pelo RD, Rio Grande da Serra diz que não possui programa ativo e não prevê implantação em 2026. A administração também informou que não há fila de espera, critérios de acesso definidos ou qualquer tipo de inscrição para o benefício. Já São Caetano, que não respondeu aos questionamentos da reportagem, aponta que também não possui programa ativo ou estrutura consolidada voltada à oferta gratuita de óculos no município.
Foco escolar
Nas cidades com programas ativos, o modelo se repete. O atendimento ocorre dentro das escolas e tem como público exclusivo os alunos da rede municipal. Em São Bernardo, o programa Ouvir, Ler e Aprender se apresenta como o de maior escala na região. A iniciativa realiza avaliação de visão e audição dos estudantes e, quando necessário, garante o fornecimento gratuito de óculos ou encaminhamento para atendimento especializado. Apenas em 2025, mais de 30.850 alunos passaram por triagem.
Em março de 2026, a Prefeitura entregou 533 óculos a estudantes de bairros como Demarchi, Assunção, Paulicéia e Jardim Silvina. Ao todo o município ultrapassou a marca de 8 mil alunos beneficiados. O programa integra o conjunto de ações do Saúde na Escola, que inclui ainda avaliação nutricional, saúde bucal, vacinação e atividades preventivas ao longo do ano letivo. A proposta é identificar precocemente dificuldades que impactam o aprendizado.
Em Diadema, o programa Educando com Visão no Futuro segue lógica semelhante. Criado em 2025, começou com triagem de cerca de 2.500 estudantes do ensino fundamental. Desse total, 584 apresentaram indícios de alteração visual e foram encaminhados para atendimento oftalmológico.
Os alunos passam por consulta em mutirões e, quando há indicação, já saem com a prescrição para confecção dos óculos, que são entregues gratuitamente. Até o momento, 184 estudantes receberam o benefício. O atendimento ocorre sem necessidade de inscrição, com convocação direta das famílias após identificação nas escolas.
Em Mauá, o programa Novos Olhares também concentra o atendimento em alunos da rede municipal. A identificação ocorre por professores e familiares, com encaminhamento para avaliação em Unidade Básica de Saúde. Após confirmação da necessidade, o estudante entra no fluxo do programa. A iniciativa envolve parceria entre a prefeitura e instituições privadas e tem capacidade anual de cerca de 150 atendimentos. Em 2024, foram beneficiados 150 alunos. Em 2025, o número caiu para 116. A previsão para 2026 mantém o atendimento próximo desse limite.
Em Santo André, o programa Educando com Visão também segue ativo com foco em estudantes da rede municipal. A iniciativa realiza triagem nas escolas, com identificação de dificuldades visuais e encaminhamento para atendimento oftalmológico em mutirões organizados pela Prefeitura.
Em 2025, cerca de 1.021 alunos passaram por atendimento, com 411 óculos entregues. No ano anterior, foram 345 distribuições, o que indica manutenção do programa e ampliação recente das ações. O modelo inclui avaliação, consulta e posterior entrega gratuita dos óculos aos estudantes diagnosticados. A Prefeitura não respondeu os números deste ano à reportagem.
Formas de atendimento
As cidades adotam formatos diferentes para executar os programas, o que impacta o alcance e a velocidade do atendimento. Diadema concentra os atendimentos em mutirões realizados no Quarteirão da Saúde. A Prefeitura afirma que não há fila de espera, já que a estratégia se baseia na busca ativa dentro das escolas. Os alunos identificados são convocados para atendimento em datas específicas.
São Bernardo mantém um modelo contínuo e integrado ao calendário escolar. A estrutura permite avaliação ao longo do ano e entrega em diferentes etapas, sem depender exclusivamente de campanhas pontuais. Mauá opera com capacidade limitada e depende de parceria com o Rotary Club de Mauá, responsável pelo custeio do programa. O formato inclui consulta, exames e confecção dos óculos dentro do mesmo fluxo.
Diferença regional
O levantamento mostra forte desigualdade entre as cidades do ABC. Há municípios com programas estruturados, alto volume de triagens e entregas regulares. Outros operam com capacidade reduzida ou ainda organizam suas políticas. Ribeirão Pires, por exemplo, iniciou movimento recente para implantação de programa, mas ainda não apresenta dados consolidados de atendimento.
Na outra ponta, São Caetano e Rio Grande da Serra não possuem iniciativa ativa.
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Seção: Cidades