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Publicado em 28/03/2026 - 08:04 / Clipado em 28/03/2026 - 08:04

ABC se aproxima de 3,5 mil árvores perdidas enquanto replantio segue lento


Amanda Lemos

 

As cidades do ABC seguem com registro de perda de árvores após os episódios de chuvas intensas no início deste ano. Um levantamento feito pelo RD mostra que o número de quedas e remoções de árvores ultrapassava 3,1 mil em janeiro de 2026, e os dados mais recentes indicam que esse total continua em crescimento, se aproximando da marca de 3,5 mil árvores perdidas até então. Apesar disso, o replantio ainda ocorre em ritmo lento e desigual entre os municípios, o que acende alerta sobre a reposição da arborização urbana.

Em Diadema, por exemplo, foram registradas 13 quedas e oito remoções apenas em 2026. Segundo a administração, outras 10 árvores já estão mapeadas para supressão por apresentarem risco. No ano passado, o município retirou 282 árvores, enquanto plantou 160 mudas – número que não cobre as perdas. Em 2026, até o momento, foram plantadas apenas 30.

O cenário se repete em outras cidades. Em Santo André, entre janeiro e 20 de março deste ano, foram registradas 39 quedas e 202 remoções. No mesmo período, o plantio somou 138 mudas. Apesar de, em 2025, o município ter fechado o ano com mais plantios do que retiradas, o recorte mais recente volta a indicar desequilíbrio.

Dados anteriores já mostravam a dimensão do problema na região. Levantamento do RD indica que o ABC havia perdido ao menos 3.120 árvores entre quedas e remoções, considerando 2025 e os primeiros dias de 2026. Em São Bernardo, foram mais de 4,4 mil solicitações de retirada apenas no ano passado, além de 861 novos pedidos nas primeiras semanas deste ano.

Já em Mauá, foram 284 solicitações em 2025 e outras 28 no início de 2026. Em Ribeirão Pires, a Defesa Civil contabilizou 182 quedas de árvores no último ano, enquanto São Caetano registrou a remoção de 492 exemplares e o plantio de 1.264 mudas no período.

Retirada sem critérios técnicos

Em Ribeirão Pires, uma parcela de moradores tem questionado a retirada de árvores sem a devida transparência sobre os critérios técnicos adotados. No início deste ano, durante a desmontagem do palco na Praça Central de Ribeirão Pires, ao menos cinco árvores foram removidas no entorno da estrutura. Procurada pelo RD, a Prefeitura não se manifestou sobre o caso.

Situação semelhante ocorreu na rua Cláudio Maurício Maciotta, também na região central, onde, em um intervalo de aproximadamente 15 dias, em outubro de 2025, ao menos três árvores foram retiradas. As retiradas levantaram dúvidas entre moradores, que questionam tanto os impactos ambientais quanto a real necessidade dos cortes.

A preocupação aumenta com novas mudanças previstas para a região central. Com a retirada da banca do calçadão, pelo menos duas árvores devem ser cortadas para a abertura de uma via no local, dentro do planejamento da Prefeitura.

Os cortes ocorrem em um contexto em que a preservação da arborização urbana se torna cada vez mais estratégica para a qualidade de vida da população. Além de contribuírem para a redução das temperaturas e melhoria da qualidade do ar, as árvores exercem papel fundamental na drenagem do solo e na mitigação de impactos causados por eventos climáticos extremos.

Alta demanda

Além das perdas, as prefeituras lidam com a alta procura por remoção de árvores. Em Diadema, cerca de 180 solicitações foram registradas neste ano, mas a maioria não resulta em corte. Das 118 vistorias realizadas, apenas cinco apontaram risco real, enquanto 113 pedidos foram negados por falta de justificativa técnica.

Situação semelhante ocorre em Santo André, onde, das 361 solicitações feitas em 2026, 318 foram indeferidas. Segundo as administrações, pedidos motivados por sujeira, queda de folhas ou questões estéticas não são considerados para remoção.

A retirada só é autorizada em casos como árvores doentes, com risco de queda, inclinação acentuada ou interferência estrutural relevante.

Perda de árvores

A perda de árvores vai além do impacto visual e afeta diretamente o equilíbrio ambiental das cidades. A arborização urbana contribui para a qualidade do ar, melhora a drenagem do solo, reduz o risco de enchentes e ajuda a amenizar as altas temperaturas, fatores cada vez mais essenciais diante das mudanças climáticas.

Com o aumento das quedas e remoções, cresce também o questionamento sobre o preparo dos municípios para lidar com eventos extremos, como chuvas intensas e ventos fortes. “Esses eventos climáticos extremos não vão diminuir. Sem planejamento, as cidades continuarão vulneráveis”, afirma a bióloga Marta Marcondes.

A especialista ressalta que o problema não está apenas na intensidade das chuvas, mas também na forma como a arborização é conduzida nas cidades. Sem planejamento adequado, que inclui a escolha das espécies e o manejo ao longo do tempo, os municípios tendem a repetir os mesmos problemas a cada novo evento climático.

Já as prefeituras afirmam que o replantio segue critérios técnicos e nem sempre pode ocorrer no mesmo local da remoção, especialmente em áreas com limitações de espaço. Em Diadema, espécies como ipês, resedá e aleluia são utilizadas em calçadas mais estreitas, enquanto o plantio vem sendo direcionado também para canteiros centrais e áreas com viabilidade. Em Santo André, o processo segue diretrizes do Plano Municipal de Arborização Urbana, que orienta a escolha das espécies.

 

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Seção: Cidades