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Publicado em 22/03/2026 - 08:02 / Clipado em 22/03/2026 - 08:02

Farmácias do governo têm alta de até 45% na demanda, filas e falta de medicamentos


George Garcia 

 

As quatro Farmácias de Medicamentos Especializados (FMEs) do ABC, mantidas pelo governo do Estado e também em parcerias com municípios têm apresentado longas filas que resultam em horas de espera e muitas reclamações. Mesmo com agendamento, os pacientes saem sem parte da medicação. A Secretaria de Saúde do Estado atribui ao crescimento de demanda de apenas 2,43% no último ano e falta de apenas 4,3% dos itens da lista fechada de remédios, mas esses números divergem dos apresentados pelas prefeituras conveniadas, que apontam alta de até 45,3% dos pacientes cadastrados só entre março de 2025 e fevereiro deste ano, e falta de vários remédios.

Na região existem a FME do Hospital Estadual Mário Covas, operada pela própria secretaria estadual, e as demais funcionam em convênio com os municípios, como a FME de São Bernardo que funciona no Poupatempo da cidade, a FME de São Caetano que fica no Atende Fácil, e a de Diadema que funciona no campus da Unifesp também através de convênio com a cidade.

Calvário para ter medicamento 

O resultado dessa alta demanda é que as FMEs, também conhecidas como Farmácias de Medicamentos de Alto Custo, pela nomenclatura anterior, registram filas com horas de espera e muita reclamação. É o caso de J.T., de 68 anos, que todos os meses vai até o Hospital Mário Covas, em Santo André, retirar o medicamento em forma de vacinas para tratamento de psoríase. “Está cada dia mais difícil, aqui sempre foi cheio, mas agora está pior. A gente espera, no mínimo, três horas, além disso sempre acham algum problema na documentação ou na receita e a gente tem de voltar no médico pra pegar uma nova, agendar e voltar aqui outra vez”, relata o paciente que há oito anos frequenta a FME.

O idoso diz que não tem problemas de mobilidade, mas a longa espera castiga. “As cadeiras são duras, desconfortáveis para a coluna e são poucas, além disso os banheiros são muito sujos”, aponta. T., no entanto considera como pior problema a falta do medicamento. “A gente vem com dia e hora marcados e tem vezes que não tem o remédio, mas ninguém liga para nos avisar, então a gente se desloca, perde tempo e volta para casa sem o produto. Eles falam para a gente ficar ligando para saber se já chegou, mas a coisa mais difícil é conseguir falar por telefone, então, quando falta eu fico indo lá para ter informação”, reclama.

O paciente diz que já ficou períodos sem tomar a sua vacina porque a FME não tem e ele não tem condições financeiras para arcar com a medicação que custa mais de R$ 4 mil a caixa com duas doses, suficiente para apenas um mês de tratamento.

O RD mostrou, no dia 9 de março, o drama da cantora Nadine Gomes, de 68 anos, que retira medicações para lúpus e fibromialgia, também no Mário Covas. Nadine passou a tarde com muitas dores na fila para retirar dois remédios e só foi atendida porque começou a passar mal e pediu interferência de funcionários para que pudesse ser atendida com prioridade, mesmo assim ela só conseguiu sair da farmácia do hospital após três horas de espera. No saguão ficam os pacientes que aguardam pela senha e os que já têm senha e aguardam medicamentos. Em certos períodos da tarde o local fica tão cheio que não há onde sentar.

Nadine conta que, mesmo com três horas de espera, ainda saiu do Mário Covas com apenas um dos medicamentos, o Gabapentina de 400 mg. que toma para tratar as dores no corpo, que não tinha. “Eu ainda tenho uns cinco comprimidos, ou ver como fazer, se continuar em falta vou ter de comprar, mas a caixa deste remédio custa R$ 98”, conta.

Nadine diz que nos últimos três meses a situação piorou muito. “Tem muito mais gente, o atendimento ficou mais demorado e é triste ver tantas pessoas incapacitadas, outras muito idosas e cadeirantes esperando várias horas pelo atendimento. Geralmente eu chego ao meio dia e vou embora depois das 18h”, diz a cantora que trabalhava com eventos, mas não consegue mais dar conta dos compromissos pelas dores incessantes.

Estado

A Secretaria de Saúde do Estado diz que FME de Santo André (Hospital Mário Covas) atende 22.565 pessoas na unidade. Em São Bernardo, são 18.866 atendimentos; em São Caetano há 7.679 pessoas em atendimento, enquanto Diadema registra 3.194. No mesmo período do ano passado eram 19.522 cadastrados em Santo André, 20.315 em São Bernardo; em São Caetano 8.032 e Diadema manteve o mesmo número de cadastros. Os números totalizam 51.063 cadastrados no ano passado e 52.304 até março deste ano, alta de 2,43%.

A Secretaria minimiza a falta de medicamentos. “Atualmente, 95,74% dos medicamentos do Componente Especializado da Assistência Farmacêutica (CEAF) encontram-se abastecidos nas FMEs. Os itens indisponíveis correspondem a 4,26% e incluem, em sua maioria, medicamentos fornecidos pelo Ministério da Saúde (MS), além de alguns adquiridos pela Secretaria de Estado da Saúde (SES). Esses itens estão em diferentes etapas do processo logístico, como aquisição, distribuição e entrega por parte dos fornecedores”, diz a pasta.

Números são divergentes e há falta de medicamentos

Os números apresentados pelas três prefeituras do ABC que têm convênio para a dispensação dos medicamentos especializados são muito divergentes dos relatados pelo Estado e revelam alto crescimento de demanda e desabastecimento de itens.

Diadema informou 8.154 pacientes cadastrados, mais de 5 mil registros acima do informado pelo Estado. O município não contabilizou a alta do ano passado para cá, devido à FME local ter implantação recente (desde dezembro de 2024). Segundo a Prefeitura, são atendidas 460 pessoas por dia e há 13 medicamentos em falta.

A FME de Diadema fica no campus da Unifesp (avenida Conceição, 515, Centro). Funciona das 8h às 17h, com entrega de senhas até as 16h. “O município realiza monitoramento contínuo da demanda e avalia eventuais ampliações da assistência farmacêutica conforme critérios técnicos, disponibilidade orçamentária e diretrizes do SUS”, diz nota da prefeitura.

Em São Bernardo foram cadastrados mais de 6,6 mil pacientes novos na FME somente no último ano. A farmácia fica no Poupatempo da cidade (rua Nicolau Filizola, 100, no Centro) e atende de segunda a sexta, das 7h às 19h, e sábados, das 7h às 13h, sempre com atendimentos agendados.

Segundo a Prefeitura, em março de 2025 eram 20.297 pacientes cadastrados número que passou para 26.915 em fevereiro deste ano, alta de 32,6%. “O serviço da Farmácia de Medicamentos Especializados tem apresentado um aumento contínuo da demanda e esses cenário é acompanhado pela Secretaria de Saúde para garantir o bom atendimento dos munícipes”, diz o município em nota. São Bernardo não informou falta de medicamentos.

Em São Caetano demanda cresce 45,3% e seis remédios estão em falta

Em São Caetano a FME funciona no Atende Fácil (rua Major Calos del Prete, 651 – 1º andar – Centro) com funcionamento de segunda a sexta das 8h às 18h e sábados das 8h às 12h. O atendimento é feito por agendamento e livre demanda com distribuição de senhas e cerca de 450 pessoas são atendidas por dia, considerando também as entregas em domicílio.

O município informou que estão em falta seis medicamentos: Acetazolamida 250mg, Clobazam 20mg, Isotretinoína 10mg, Morfina LC 60mg, Sildenafila 25mg e Sirolimo 2mg. De acordo com a administração municipal são 13.232 pacientes cadastrados atualmente; em março do ano passado eram 9.107, alta de 45,3%. Cerca de 450 pessoas são atendidas no local todos os dias. Para fazer frente a esta demanda crescente a prefeitura estuda ampliar o número de guichês de atendimento de cinco para nove.

O município conta ainda com uma farmácia de medicamentos controlados no CAPS (Centro de Atenção Psicossocial), que funciona na rua dos Castores, 60 – Bairro Mauá de segunda a sexta-feira das 7:30 às 18h. No local são atendidos 400 pacientes em média, por dia. Neste local não faltam medicamentos e a prefeitura, diante da demanda estuda abrir mais uma farmácia de controlados.

 

https://www.reporterdiario.com.br/noticia/3798459/farmacias-do-governo-tem-alta-de-ate-45-na-demanda-filas-e-falta-de-medicamentos/

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Seção: Cidades