Publicado em 17/03/2026 - 18:15 / Clipado em 17/03/2026 - 18:15
Inadimplência no ABC cresce 16,45% em um ano, aponta CDL São Caetano
Carlos Carvalho
Levantamento da CDL (Câmara de Dirigentes Lojistas) de São Caetano do Sul, com base nos dados do SPC Brasil, aponta que a inadimplência no ABC em fevereiro foi 16,45% maior do que no mesmo mês de 2025. O crescimento é maior do que a média nacional (10,22%) e do Sudeste (9,8%). O presidente da CDL, Alexandre Damasio, em entrevista ao RDtv desta terça-feira (17/03), ressalta que a baixa qualidade salarial na região vem colaborando para o aumento e o prolongamento das dívidas.
Segundo a pesquisa, 24,69% dos devedores da região estão entre a faixa de 50 e 64 anos. Sendo que 50,62% são mulheres. Tal cenário, para Damasio, aponta um processo inverso ao emprego na região, que majoritariamente segue para as pessoas com até 25 anos. Assim, existe uma maior dificuldade para o pagamento de dívidas e uma maior possibilidade de novos atrasos.
“A gente vê o primeiro semestre, primeiro trimestre aqui de 2026, com queda de fechamento de vagas, você percebe que as vagas que são criadas são vagas de menor valor remuneratório nos serviços, no comércio, e que também só contribuem, quando você olha o CAGED, por faixa etária, a faixa etária é até 25 anos. Nós concentramos, grande parte das cidades, uma inadimplência mais madura, 50 até 60 anos, a maior parte, uma inadimplência que hoje passa de dois anos e meio na sua média, uma inadimplência que é perseverante, e nós temos visto no último ano de 2025 e agora em 2026, um aumento gradual de dívidas pequenas, elas têm sido pulverizadas em pequenas dívidas, o que no bojo geral, para o contribuinte, para o consumidor, faz um bolo grande. Mas isso demonstra exatamente a dificuldade de que a remuneração cotidiana pague as dívidas do mês, as obrigações mensais e cotidianas.”, explica.
A média do valor devido no ABC é de R$ 5.633,02. Sendo que 29% dos endividados contam com dívidas de até R$ 500 e outros 40,25% contam com valores devidos que vão até a casa dos R$ 1 mil. O tempo médio do atraso é de 28,4 meses. O mesmo levantamento aponta que 34,24% dos endividados contam com atrasos que podem chegar até três anos.
“É muito perigoso quando você fala o seguinte, olha, eu tenho uma porcentagem de 30% que deve até mil reais, e ela não consegue adimplir, ela não está conseguindo limpar o nome. Aí a gente rebate no piso médio, no piso do serviço e do consumo, sem uma remuneração, e não dá para ele viver, organizar suas finanças anteriores, pagar as dívidas e começar a viver.”, segue o especialista.
A pesquisa também mostra que a maioria dos endividamentos seguem sendo com os bancos, ficando na casa dos 65,88%. Um dado abaixo da média histórica dos 70%. Segundo Damasio, a queda do crédito disponível ajuda a explicar tal situação. Por outro lado, as dívidas com as contas de água e energia elétrica chegaram ao patamar de 18,52%. O que justifica o aumento do número de endividados na casa de até R$ 500.
Com os empregos gerados majoritariamente nos setores de comércios e serviços, tal cenário mostra uma queda na qualidade salarial na região do ABC, principalmente levando em conta a queda de empregos na indústria. Para Alexandre Damasio, a falta de uma política efetiva sobre o assunto e o incentivo cada vez maior na geração de habitações e áreas comerciais, inclusive no lugar das plantas industriais, gera um cenário mais difícil para o pagamento dessas dívidas, mesmo com o ensino da educação financeira.
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Seção: Economia