Publicado em 15/03/2026 - 08:05 / Clipado em 15/03/2026 - 08:05
Diversidade e igualdade de gênero entram em pauta nas escolas públicas da região
Henrique Araújo
O debate sobre diversidade, igualdade de gênero e combate à discriminação nas escolas ganhou espaço no País, mas ainda enfrenta desafios para se consolidar de forma estruturada. Levantamento do Saeb (Sistema Nacional de Avaliação Básica) indica que apenas cerca de 25% das escolas brasileiras desenvolvem ações ou projetos específicos voltados ao combate ao machismo ou à LGBTfobia, muitas vezes por iniciativa de professores ou atividades pontuais. No ABC, redes municipais de ensino relatam ações pedagógicas voltadas à promoção do respeito às diferenças, à convivência democrática e à prevenção de discriminações.
Em Diadema, as ações nas escolas, segundo a Secretaria de Educação, incluem rodas de conversa, atividades culturais, campanhas educativas e práticas de mediação de conflitos. A pasta destaca a oferta de formações continuadas para professores sobre convivência escolar, direitos das crianças e adolescentes e práticas pedagógicas inclusivas.
Em São Bernardo, a rede municipal afirma tratar o respeito à diversidade como um princípio central da proposta educativa. Segundo a Secretaria de Educação, o currículo orienta as escolas a garantir convivência sem discriminação, com respeito às diferenças sociais, étnicas, raciais, religiosas e de orientação sexual. Entre os temas indicados nas atividades escolares estão cultura de paz, combate ao bullying, educação antirracista e prevenção da violência contra a mulher.
Já São Caetano informou que as ações integram o PPP (Projeto Político-Pedagógico) de cada unidade escolar, com base no currículo municipal. Entre as iniciativas aparecem atividades conduzidas por orientadoras educacionais, campanhas relacionadas a datas de conscientização e ações do projeto Cuca Legal. A rede também participa de programas como o Technovation Girls, que incentiva meninas a desenvolver habilidades em tecnologia e empreendedorismo.
Trabalho transversal nas escolas
Em Santo André, as práticas pedagógicas seguem diretrizes da LDB (Lei de Diretrizes e Bases da Educação), da BNCC (Base Nacional Comum Curricular) e do currículo municipal. Os temas relacionados à diversidade aparecem de forma transversal em atividades pedagógicas, projetos interdisciplinares e ações educativas voltadas à convivência escolar.
Segundo a Prefeitura, as escolas contam com protocolos institucionais de prevenção e enfrentamento ao bullying e procedimentos de escuta especializada para acolher casos de violência ou discriminação. Professores participam de formações continuadas promovidas pela rede municipal, com debates sobre direitos humanos, equidade de gênero e diversidade.
Na rede municipal de Rio Grande da Serra, as atividades voltadas ao respeito à diversidade e aos direitos humanos fazem parte do cotidiano escolar, especialmente na pré-escola e no ensino fundamental I. As iniciativas seguem a Pneerq (Política Nacional de Equidade, Educação para as Relações Étnico-Raciais e Educação Escolar Quilombola), que passa por fase de implementação no município.
Segundo a Prefeitura, 100% dos professores da rede participaram em 2025 de formações relacionadas à equidade, diversidade e respeito às diferenças.
Rede estadual
A Secretaria da Educação do Estado de São Paulo diz que as ações pedagógicas da rede estadual seguem a Base Nacional Comum Curricular e o Currículo Paulista, documentos que preveem a promoção do respeito à diversidade, aos direitos humanos e à dignidade.
De acordo com a pasta, temas como diversidade, igualdade de gênero e convivência democrática aparecem de forma transversal nas disciplinas. Nas áreas de Ciências Humanas, por exemplo, surgem debates sobre desigualdades de gênero e o papel das mulheres na história. Nas Ciências da Natureza, os conteúdos incluem contribuições femininas para a ciência e temas ligados à sexualidade, saúde e bem-estar.
A secretaria também aponta que estudantes discutem identidade, respeito às diferenças e liderança inclusiva em componentes curriculares como Projeto de Vida e itinerários formativos do ensino médio.
As prefeituras de Ribeirão Pires e Mauá não informaram até o fechamento da reportagem.
Especialista destaca papel da escola na formação cidadã
Para especialistas em educação, o debate sobre diversidade e igualdade de gênero no ambiente escolar integra a formação cidadã dos estudantes e contribui para o enfrentamento de diferentes formas de violência e preconceito. Pesquisadores da UFABC (Universidade Federal do ABC) desenvolvem projetos acadêmicos e cursos voltados à reflexão sobre gênero e diversidade na escola.
Doutora em Educação Especial, a professora e pesquisadora da área de educação e políticas de diversidade Claudia Regina Vieira, pró-Reitora de Assuntos Comunitários e Políticas Afirmativas da UFABC, afirma que a escola exerce papel relevante na promoção do respeito às diferenças desde os primeiros anos de formação. “A escola constitui um espaço importante para que crianças e jovens compreendam a diversidade presente na sociedade. Quando esses temas entram na prática pedagógica de forma responsável, ajudam a enfrentar preconceitos e ampliam a consciência cidadã”, ensina.
De acordo com Claudia, o debate sobre igualdade de gênero e respeito às diferentes identidades não deve surgir como conteúdo isolado. A pesquisadora defende integração dessas questões ao cotidiano escolar. “A discussão sobre diversidade precisa aparecer nas práticas pedagógicas, nas relações entre estudantes e no próprio ambiente escolar. Esse tipo de abordagem contribui para prevenir situações de violência, bullying e discriminação”, acrescenta.
Veículo: Online -> Site -> Site Repórter Diário
Seção: Cidades