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Publicado em 15/03/2026 - 08:04 / Clipado em 15/03/2026 - 08:04

Mortalidade materna ainda desafia serviços de saúde pública do ABC


Jessica Fernandes 

 

A mortalidade materna, que inclui morte da mulher durante a gestação e até 40 dias após o parto, é um dos indicadores da assistência à saúde da mãe. Desafio no ABC, o quesito apresentou cenários distintos entre 2024 e 2025. Enquanto São Bernardo e Ribeirão Pires registraram índice zero de mortes maternas ano passado, outros municípios tiveram aumento nos casos. Rio Grande da Serra, Mauá e Santo André, sem óbitos em 2024, tiveram mortes em 2025. Já Diadema apresentou leve redução no período.

Em São Bernardo, a mortalidade materna no município foi de quatro casos em 2024 e caiu para zero em 2025. Entre as ações apontadas para alcançar o resultado estão investimentos estruturais, como a abertura de 22 novos leitos no Hospital da Mulher, além da atualização de protocolos, procedimentos e equipes médicas.

Em Ribeirão Pires, o índice de mortalidade materna permanece zerado desde 2022. De acordo com o Ranking de Competitividade dos Municípios 2025, elaborado pelo CLP (Centro de Liderança Pública), a cidade está entre os municípios brasileiros com menor índice de mortalidade materna.

Entre as principais ações adotadas está a implantação do Hospital São Lucas. A unidade teve a ala da maternidade ampliada em 60% no número de leitos, com capacidade para até 120 partos por mês.

Queda

Diadema registrou quatro óbitos maternos em 2024. No ano seguinte, houve redução, com três mortes registradas. Mas, três cidades que tinham o índice zerado passaram a registrar casos de mortalidade materna em 2025. Sem registros em 2024, Rio Grande da Serra teve um caso em 2025. Situação semelhante ocorreu em Mauá, que não registrou óbitos em 2024 e passou a ter dois casos no ano passado.

Em Santo André, não houve óbito materno na rede municipal de saúde em 2024. Já em 2025 foi registrado um caso, causado por sepse de foco abdominal em paciente com obesidade e eclampsia. A Secretaria de Saúde ressalta que as gestantes de Santo André têm acompanhamento pré-natal realizado nas unidades de saúde e no Hospital da Mulher. Contudo, o fluxo é alterado em casos de gravidez de alto risco, onde todo o acompanhamento é realizado pelo Hospital da Mulher, sendo a principal forma de prevenção e cuidado com as pacientes de alto risco.

Planejamento
Ao RD, o médico e professor da disciplina de Obstetrícia do Centro Universitário FMABC, Eduardo Famá, explica que a mortalidade materna ainda está ligada a complicações que, em muitos casos, poderiam ser evitadas com diagnóstico e tratamento precoces. “Entre os principais fatores estão hemorragia obstétrica, hipertensão na gestação — especialmente pré-eclâmpsia e eclâmpsia —, infecções, complicações de aborto e tromboembolismo”, afirma.

Segundo o especialista, o pré-natal adequado é uma das principais ferramentas para reduzir os riscos durante a gestação. O acompanhamento médico permite identificar doenças e fatores de risco ainda no início da gravidez, além de monitorar a saúde da mãe e do bebê. “Entre os sinais de alerta que exigem avaliação médica imediata estão aumento da pressão arterial, dor de cabeça intensa, inchaço súbito, ganho de peso excessivo, sangramento vaginal, dor abdominal forte, febre, diminuição dos movimentos do bebê e falta de ar”, explica ao ressaltar que a estrutura do sistema de saúde exerce papel fundamental na prevenção de mortes maternas.

O médico orienta que as mulheres planejem a gravidez com pelo menos três meses de antecedência, a fim de avaliar as condições de saúde antes da gestação. “É fundamental iniciar o pré-natal cedo, comparecer a todas as consultas, seguir as orientações médicas, manter hábitos saudáveis e procurar atendimento imediatamente diante de sintomas incomuns. Também é importante lembrar que o risco não termina no parto, pois muitas complicações podem ocorrer nas primeiras semanas após o nascimento do bebê”, destaca.

 

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Seção: Cidades