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Publicado em 09/03/2026 - 08:04 / Clipado em 09/03/2026 - 08:04

ABC enfrenta contraste de efetivos da GCM: de 30 a 388 guardas nas cidades


Amanda Lemos 

 

Quando o assunto é segurança pública, as cidades do ABC apresentam contraste extremo na disposição de guardas em operação. Enquanto São Caetano, com cerca de 160 mil habitantes, dispõe de 388 agentes para garantir patrulhamento 24 horas, cidades como Rio Grande da Serra, com 50 mil habitantes, lutam para atender a população com apenas 30 guardas e duas viaturas em funcionamento.

E o impacto dessa desigualdade é imediato. Em Ribeirão Pires (123 mil habitantes), uma mulher de 62 anos, que prefere não ser identificada, relata que acionou a GCM para atender uma ocorrência de perturbação de sossego na região central da cidade e precisou esperar mais de três horas até que a viatura da GCM passasse pelo local.

Em entrevista ao RD, a moradora conta que o caso ocorreu devido à limitação de viaturas disponíveis na cidade. A aposentada diz ter ligado para a GCM por volta das 00h50, por conta de um homem que havia dormido em frente à sua casa, o que deixou os cachorros da rua agitados. Ao acionar a guarda, no entanto, precisou esperar horas até ser atendida.

“Chegou uma hora que, de tanto eu ligar para a GCM, o guarda já até sabia meu nome. E a justificativa apresentada é que somente uma viatura estava em circulação e, naquele horário, outra demanda estava sendo atendida em Ouro Fino, o que fez com que o atendimento da minha ocorrência demorasse mais”, conta. Ainda de acordo com a moradora, uma viatura da GCM passou pela rua por volta das 4h10, após ela ter ligado cerca de três vezes para a corporação. “Agora imagina se fosse um caso mais sério? Teríamos que esperar todo esse tempo?”, questiona.

Contatada, a Prefeitura de Ribeirão Pires não respondeu sobre o caso específico da moradora, mas diz contar com 115 agentes em operação, sendo 100 em atividades de rua e outros cinco agentes em funções administrativas. Há, ainda, dez profissionais afastados por diferentes motivos.

Concurso público

A respeito da quantidade de viaturas, a Prefeitura diz possuir 27 em operação e que um concurso público está em andamento para a contratação de mais 20 guardas. O município também concedeu, em 2026, reajuste salarial de R$ 1.183 para todos os guardas, o primeiro aumento relevante desde 2018.

Em Diadema, onde a GCM conta atualmente com 300 guardas, dos quais 252 atuam nas ruas, a queixa é a mesma: demora no atendimento de ocorrências e, muitas vezes, ausência total de atendimento. Guilherme Leal Rocha, de 37 anos, afirma que, na região do Pombal, os pancadões continuam, mesmo após a Prefeitura ter anunciado o fim dessas festas irregulares, conforme matéria publicada pelo RD, e que o atendimento da GCM quase nunca é eficaz.

“Cansei de ligar para a Polícia Militar e para a GCM, mas sempre apresentam diversos motivos para não atender a reclamação, seja por falta de viaturas ou atendimento a outros bairros”, reclama o munícipe.

Na oportunidade, a gestão municipal informou ainda que, em janeiro, a cidade tinha sete pontos críticos, como o Conjunto Habitacional Júpiter e a avenida Vereador Gentil Santo de Paula, no bairro Serraria, onde ocorria o chamado Baile do Pombal. Ainda no ano passado, duas ações chamaram a atenção e teriam “trazido resultados”. A primeira foi a demolição de comércios clandestinos que funcionavam durante a realização do Baile do Pombal. Já a segunda foi a compra de um drone, no valor de R$ 365 mil, que auxiliou no monitoramento e até na dispersão de multidões com gás lacrimogêneo.

No entanto, moradores da região afirmam que a situação continua a mesma.

Frota insuficiente

Para 2026, a Prefeitura de Diadema informa que 110 novos guardas estão em treinamento e devem se integrar à corporação até julho. Atualmente, 22 agentes estão afastados por motivos diversos. A média de atuação por turno é de 60 guardas, mas a própria prefeitura admite que o efetivo está abaixo do necessário. Estudos de segurança indicam que, considerando a população de aproximadamente 426 mil habitantes, o município precisaria de cerca de 600 guardas para atender de forma ideal às ocorrências.

A situação se reflete também na frota da GCM, composta por 79 veículos, sendo 32 motocicletas e 47 viaturas, dos quais apenas 58 estão em operação, enquanto 21 permanecem fora de circulação para manutenção. Em 2025, a corporação registrou 2.812 ocorrências, e até o momento de 2026, já foram atendidas 554.

O tempo médio de resposta às chamadas é informado como “o mais rápido possível”, sem métricas oficiais divulgadas.

Mais ocorrências atendidas

Em Mauá, com aproximadamente 476 mil habitantes, a GCM conta com 274 guardas e 37 veículos, atuando em programas especializados, como ROMU, Rotam e Programa Patrulha Maria da Penha. O número de ocorrências atendidas aumentou de 6.071 em 2024 para 6.495 em 2025. Diante dos índices, a Prefeitura também tem convocado aprovados de concursos anteriores e trabalha na elaboração de um novo edital para ampliar gradualmente o efetivo.

Em Santo André, a GCM conta atualmente com 558 guardas, dos quais aproximadamente 65% atuam nas ruas, em patrulhamento e atendimento de ocorrências, enquanto 35% desempenham atividades administrativas, operacionais e de apoio. A distribuição do efetivo é planejada de forma estratégica, com cerca de 65% do efetivo no período diurno e 35% no noturno. A frota operacional é composta por 44 viaturas de quatro rodas e 17 motocicletas, sendo que atualmente 28 viaturas e cinco motocicletas estão em operação, enquanto o restante passa por manutenção.

Segundo a administração, a GCM de Santo André mantém tempo médio de resposta de aproximadamente 5 minutos, quando todas as viaturas estão disponíveis; em situações de frota reduzida, esse tempo pode ultrapassar 15 minutos, dependendo da localização e da gravidade da ocorrência.

Na cidade não há concurso público vigente no momento, mas estudos indicam a previsão de abertura de novo certame a partir de 2027. O orçamento da GCM integra o planejamento da Secretaria de Segurança Cidadã e está previsto na Lei Orçamentária Anual.

Já São Caetano, que possui 388 guardas para cerca de 160 mil habitantes e uma frota de 64 viaturas, se destaca pelo centro de monitoramento integrado. Moradores aprovam a tecnologia e afirmam que ela faz diferença no dia a dia. É o caso da estudante de Medicina Nathasha Garcia, de 24 anos, que diz se sentir mais tranquila ao voltar para casa da faculdade graças ao serviço de monitoramento. “No caminho para casa passo por pelo menos dois pontos de monitoramento, e, para quem volta tarde, isso traz sensação de segurança”, afirma.

Em 2025, a corporação registrou 16.374 ocorrências atendidas, alta significativa em relação a 2024. A cidade investe em manutenção da frota, modernização tecnológica e valorização dos agentes para garantir rapidez e eficiência no atendimento.

Em Rio Grande da Serra, a situação é mais crítica. Com apenas 30 guardas para 50 mil habitantes, das quais apenas duas viaturas estão em operação, o município registrou cerca de 120 ocorrências em 2025. O orçamento é limitado: cerca de R$ 48 mil em coletes balísticos e R$ 234 mil em novas viaturas, ainda em estudos para 2026. Um concurso público está previsto para abril.

O efeito do contraste
O contraste entre municípios demonstra que a efetividade das GCMs não depende apenas de tecnologia ou planejamento, mas do tamanho do efetivo em relação à população e da capacidade operacional real. Para os moradores, isso significa que a segurança percebida e o tempo de resposta às ocorrências podem variar drasticamente dependendo da região que vivem.

Enquanto algumas cidades fortalecem a presença nas ruas e investem em equipamentos modernos, outras convivem com efetivos limitados e frota reduzida, o que deixa a população à mercê da disponibilidade de guardas.

 

*Considerando que 28 viaturas de quatro rodas + 5 motocicletas estão em operação atualmente.

Questionada, a Prefeitura de São Bernardo não se manifestou até o fechamento da reportagem.

https://www.reporterdiario.com.br/noticia/3790491/abc-enfrenta-contraste-de-efetivos-da-gcm-de-30-a-388-guardas-nas-cidades/

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Seção: Cidades