Publicado em 24/02/2026 - 18:22 / Clipado em 24/02/2026 - 18:22
Moradores do ABC relatam odor e cor escura da água; Sabesp nega problemas
George Garcia
Cheiro ruim e cor escura, essa é a água que moradores de diferentes bairros do ABC estão recebendo em suas casas, o que causa medo de contaminações e de problemas de saúde. A Sabesp nega problemas no tratamento e no envio da água para as residências. Especialista aponta riscos na utilização dessa água.
Os moradores do Parque Oratório, em Santo André, usaram as rede sociais para mostrar o que está saindo das suas torneiras. A água de cor marrom claro é o que aparece nas imagens. O RD também procurou moradores de diferentes regiões do ABC, que relataram cor e cheiro ruim na água. O síndico profissional, Milzo Prado, que é conselheiro em um condomínio com 350 pessoas no bairro Valparaíso, e síndico em outro c0njunto no bairro Baeta Neves, em São Bernardo, com 850 moradores, diz que a situação em ambos locais não é satisfatória.
A água, segundo Prado, tem gosto ruim também. “A água tem cheiro e gosto de barro. Sou viciado em café e tenho que comprar garrafa de água para não comprometer o sabor. No caso do Baeta vamos contratar uma análise da água e acionar judicialmente da concessionária. No Baeta moradores formalizaram a queixa e no Valparaíso a síndica já solicitou a coleta de amostra”, relata.
Em outro bairro de São Bernardo, o Jordanópolis, a moradora da rua Cidade de Pirmasens, Paula Talita Artioli Ferreira, também reclama do cheiro e da cor da água. Ela diz que todo dia fecham a água à noite e quando o abastecimento volta pela manhã a água tem coloração marrom clara ou esbranquiçada. “O cheiro é tão forte que nem o filtro tira. É um cheiro mais forte que o de cloro, por isso estamos comprando água para beber e cozinhar”, relata. Na casa de Paula moram quatro pessoas, entre elas uma criança de seis anos e ela teme pela saúde da família. Ela também disse que já fez reclamação na Sabesp, que guarda o número de protocolo, mas diz que não recebeu visita técnica e que o problema persiste.
O morador da Vila das Valsas, na região do bairro Demarchi, em São Bernardo, Hugo Allan Matos, conta que o bairro todo reclama do cheiro ruim da água. “Parece água de rio, mas densa, cheiro de esgoto. Fica assim por semanas, para e depois volta novamente”, diz o morador da avenida Ivanovsky. Ele cansou de pagar para fazer a lavagem das caixas e investiu em mudanças na sua casa. “Eu já troquei as duas caixas, foram quase R$ 2 mil gastos e agora estou fazendo uma cotação de um filtro de entrada”, aponta. O RD levou o relato de Matos à Sabesp, que na noite desta segunda-feira (23/02) enviou um técnico ao endereço para coletar amostras. Segundo o morador, o técnico relatou a ele que a aparência não estava normal. “E olha que hoje nem estava tão fedida como há dias”, disse. A fala do técnico da companhia diverge do posicionamento da Sabesp (veja nota completa abaixo).
Saúde
Para a bióloga e coordenadora do IPH-USCS (Índice de Poluentes Hídricos da Universidade Municipal de São Caetano do Sul), Marta Marcondes, a cor e o odor relatados relatados pelos moradores na água distribuída pela Sabesp revelam que a companhia está falhando em algum ponto, ou no tratamento ou na distribuição. “Não estão entregando água de qualidade. Com a privatização pessoas que entendiam de tratamento não estão mais lá. Precisa ver o que ocorre a estação de tratamento e no caminho que a água percorre até as casas. Podem ser muitas coisas que podem gerar o cheiro e a cor da água, todas preocupantes. Pode ser falha no tratamento, pode ser que, com o religamento da água após a queda de pressão, ela venha arrastando resíduos nos canos, o que também preocupa. O que chama a atenção é que isso está acontecendo em lugares diferentes. As pessoas que notarem isso tem que reclamar e cobrar a Sabesp, que deve respostas”, diz a professora.
Marta diz que uma água que não está com cor e cheiro ruins pode trazer diversos problemas de saúde. “A água deve passar por filtro e mesmo assim não deve ser usada para banho, para fazer comida e nem para matar a sete de animais. O morador deve examinar sua caixa de água que pode acumular resíduo no fundo. Essa substância que causa cor e odor pode reagir, por exemplo, como sabão e causar dermatites; dependendo do Ph da água, ela pode causar problemas digestivos, infecção intestinal, problemas renais, hepáticos e conjuntivites”, destaca. A bióloga diz que, se solicitado o laboratório do IPH, pode coletar amostras e emitir laudos.
Sabesp nega problemas no fornecimento
Em nota a companhia de abastecimento de água negou problemas na produção e envio da água. Veja a seguir a íntegra da nota da Sabesp enviada ao RD:
“A Sabesp informa que realizou vistoria no imóvel localizado na Avenida Ivanovsky, nº 281, em São Bernardo, na noite desta segunda-feira (23). Durante a inspeção, os testes indicaram que o abastecimento, a pressão e a qualidade da água estão normais, dentro dos parâmetros estabelecidos pelo Ministério da Saúde. Em relação a outro caso mencionado em Santo André, a Companhia esclarece que, para apuração individualizada, é necessário o envio do endereço completo para realização de vistoria. A Sabesp seguirá monitorando o sistema de abastecimento da região e orienta que eventuais ocorrências sejam comunicadas imediatamente pelos canais oficiais de atendimento, para verificação ágil: telefone 0800 055 0195 (ligação gratuita), WhatsApp (11) 3388-8000 ou Agência Virtual no site www.sabesp.com.br.”
Veículo: Online -> Site -> Site Repórter Diário - Santo André/SP
Seção: São Caetano