Publicado em 21/02/2026 - 08:05 / Clipado em 21/02/2026 - 08:05
Dois casos de morte súbita em um dia acendem alerta no ABC
Ana Carolina Reis
Dois casos de morte súbita registrados na última quinta-feira (19/02), em Santo André e São Caetano, acenderam o alerta na região. As ocorrências, que envolveram dois idosos em locais públicos, reacendem o debate sobre prevenção, fatores de risco e a importância do atendimento imediato em casos de parada cardíaca.
Pela manhã, em Santo André, um idoso morreu após sofrer um mal súbito dentro do Terminal Rodoviário. O Corpo de Bombeiros foi acionado e prestou socorro, mas a vítima não resistiu. Já em São Caetano, outro idoso teve um mal súbito enquanto estava dentro do carro. Agentes da Guarda Civil Municipal (GCM) quebraram o vidro do veículo para realizar o resgate.
A vítima apresentava sinais de espasmos e recebeu manobras de reanimação feitas pelos próprios GCMs e por uma médica que passava pelo local, porém também não sobreviveu.
Em entrevista ao RDtv, o cirurgião cardiovascular e professor do curso de Medicina da Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), Eduardo G. Chamlian, explica que a morte súbita é um óbito natural, inesperado e de rápida evolução. “Antes da morte súbita, sempre existe uma parada cardíaca. É o momento em que a atividade do coração cessa por alguma razão”, afirma.
Segundo o médico, os sinais costumam ser claros. “O paciente fica irresponsivo, não responde aos chamados, muitas vezes não apresenta respiração normal e não tem sinais de circulação.” Nesses casos, a rapidez no atendimento é decisiva. “É fundamental iniciar imediatamente a Ressuscitação Cardiopulmonar e acionar o serviço de emergência. Cada minuto sem atendimento reduz drasticamente as chances de sobrevivência”, ressalta.
O especialista reforça ainda que a ausência de intervenção adequada pode levar ao desfecho fatal. “Se nenhuma medida é tomada naquele momento, a parada cardíaca evolui rapidamente para a morte súbita.”
Principal causa é a doença arterial coronariana
De acordo com o especialista, a maior parte dos casos está associada a doenças cardiovasculares prévias. “A principal causa de morte súbita é a doença arterial coronariana, que ocorre quando há obstrução das artérias do coração por placas de gordura”, explica.
Essa obstrução reduz a oxigenação do músculo cardíaco e pode desencadear arritmias graves. “É uma condição muito comum em obesos, hipertensos, diabéticos, tabagistas e pessoas com histórico familiar importante, principalmente quando não há acompanhamento médico adequado.”
Chamlian também cita outras condições. “Existem as doenças estruturais do coração, que alteram o músculo cardíaco, e as canalopatias, que são alterações genéticas nos canais elétricos das células do coração. Todas podem provocar arritmias potencialmente fatais”.
Segundo o médico, situações de estresse intenso, uso de drogas, esforço físico extenuante ou determinados medicamentos podem funcionar como gatilho. “Às vezes, a pessoa não sabe que tem a condição até que ocorra um evento grave.”
Prevenção depende de hábitos e acompanhamento
Para reduzir os riscos, o médico destaca a importância da prevenção contínua. “Manter bons hábitos alimentares, praticar atividade física regular e tratar corretamente doenças como hipertensão e diabetes são medidas fundamentais.”
O cirurgião reforça que a genética não é sentença definitiva. “Mesmo quando há predisposição familiar, é possível controlar os fatores de risco. O que não pode é negligenciar o acompanhamento médico.”
Por fim, o especialista deixa um alerta direto à população: “Não fumar, manter o peso adequado, evitar excesso de álcool e fazer check-ups periódicos são atitudes simples que salvam vidas.”
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Seção: Cidades